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Angola, 45 anos: da paz à pobreza

Angola assinala no próximo dia 11, 45 anos de independência.

As autoridades programaram diversos actos para assinalar a data, com homenagens e inaugurações.

No círculos políticos, a paz continua a ser apontada o maior ganho transversal aos angolanos, mas há muito mais que une e desune os cidadãos na hora do balanço.

Para o analista político Rui Kandove, a independência, no entanto, “foi um grande momento, porque os angolanos conseguiram tomar conta do seu próprio destino e como maior ganho temos a paz”.

Kandove diz que o maior recuo é no campo social, porque “não há saúde, energia eléctrica, água potável, direitos e liberdades, assim como ainda muitos angolanos morrem de fome”.

Também não há muitos avanços “nas liberdades e direitos dos cidadãos”, segundo aquele analista.

O politólogo Agostinho Sicato avança como ganhos “o multipartidarismo, a realização de eleições e a paz”.

Entretanto, ele assinala que “a pobreza agudizou-se e o Estado mantêm-se totalitário, com as liberdades a serem as mais afectadas”.

Por seu turno, o deputado independente Makuta Nkondo aponta que há uma franja da sociedade angolana que não se revê nesta independência.

“O maior recuo é a divisão do país, Angola continua dividida e há muitas franjas da sociedade que não se revêm nesta dita independência, os bakongos não se revêm, os quimbundos um pouco, ou seja, é uma independência para aqueles angolanos duvidosos”, sustenta.

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