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Administrar para o público

A manifestação do passado dia 24, assim como a detenção de um bom número de manifestantes, resultou numa troca de acusações acalorada. Nas redes sociais, parece já não haver consenso sobre a importância de sempre termos diálogos baseados num certo urbanismo. A troca de insultos às vezes nos fazem esquecer que somos todos filhos da mesma nação.

A mútua diabolização, a longo prazo, só prejudica a nação e favorece aqueles cujo interesse estratégico é tirar o maior proveito das divisões dos angolanos.

Há vezes que sinto que os meus compatriotas angolanos deixam-se levar pela retórica e perdem noção do nosso verdadeiro problema.

O grande desafio de Angola é como o sistema governamental poderia meter na prática os objectivos do Executivo e do partido no poder.

Estamos aqui a tratar de Administração Pública, uma disciplina que não é sempre levada a sério aqui em Angola. Parece haver esta noção, altamente errada, que bastava fazer um discurso para a concretização de certos objectivos e bastava repudiar alguém publicamente para nulificar as suas reclamações.

A maior arma contra a UNITA, maior partido da oposição, seria uma garantia de emprego, educação, saúde, e bem-estar. Realizar isto não é nada fácil. Para superar-se as privações das populações é preciso empregar-se alguma inteligência, disciplina, inovação e visão que nunca se vê por cá.

Pode-se julgar e dar longuíssimas sentenças aos activistas políticos, porém, as razões que levam as pessoas a manifestar vão sempre estar lá.

Ontem, aqui no Huambo, passei pelo o Estádio do Benfica, perto da nossa casa no Bom Pastor. O Estádio estava cheio de buracos, ao seu lado havia uma montanha de sucata que os miúdos vendiam. Soube no passado que uma empresa, com gente com conexões, já foi paga milhões para restaurar o estádio, que durante a minha infância no tempo colonial era uma maravilha. Fez-se vários discursos sobre a restauração deste estádio e depois o resto passou para a História.

Numa outra área do Huambo, existe o Estádio do Ferrovia, que também está num estado péssimo. Já houve discursos sobre a restauração deste estádio. No meio do Huambo, existe o grande jardim botânico, a Estufa, que hoje foi transformado em lavras para camponeses, o grande lago na Estufa está cheio de água fedorenta. Ainda no Huambo, alguém encontra um exemplo daquela arquitectura arrojada do tempo colonial ao lado de um monstro feiíssimo. Será que existe um plano para a preservação da arquitectura da cidade do Huambo?

Há vezes que sinto que os meus compatriotas angolanos deixam-se levar pela retórica e perdem noção do nosso verdadeiro problema.

O grande desafio de Angola é como o sistema governamental poderia meter na prática os objectivos do Executivo e do partido no poder.

Estamos aqui a tratar de Administração Pública, uma disciplina que não é sempre levada a sério aqui em Angola. Parece haver esta noção, altamente errada, que bastava fazer um discurso para a concretização de certos objectivos e bastava repudiar alguém publicamente para nulificar as suas reclamações.

A maior arma contra a UNITA, maior partido da oposição, seria uma garantia de emprego, educação, saúde, e bem-estar. Realizar isto não é nada fácil. Para superar-se as privações das populações é preciso empregar-se alguma inteligência, disciplina, inovação e visão que nunca se vê por cá. Pode-se julgar e dar longuíssimas sentenças aos activistas políticos, porém, as razões que levam as pessoas a manifestar vão sempre estar lá.

A função pública em Angola tem várias debilidades — principalmente a falta de administradores capazes. A partidarização deste sector não tem ajudado as coisas, o resultado são estruturas amorfas, desorganizadas e, muitas das vezes, altamente dependente de interesses pessoais e não colectivos. Este fenómeno não se encontra apenas em Angola. Naquele meu outro país, Zâmbia, existe uma vastíssima rede de clínicas privadas.

Alguns meses atrás, na capital zambiana, Lusaka, tive que acompanhar um parente que foi assistido nestas clínicas. Notei que os administradores destas clínicas eram todos estrangeiros (asiáticos e europeus), os médicos eram zambianos e estrangeiros.

Notei, na altura, que as clínicas funcionavam bem porque havia gerentes sérios, os pacientes pagavam e a gerência fazia tudo para garantir que o serviço era de qualidade porque havia competição.

Já visitei vários hospitais cá em Angola e várias repartições. Numa repartição, depois de eu ter reclamado que não tinha sido bem tratado, a senhora em questão começou a insultar-me. O meu pecado foi ter consultado a Google na presença dela sobre o remédio que ela tinha dado a um parente meu. Quase não acreditei.

A cultura organizacional de muitas instituições em Angola é péssima. A hierarquia não é respeitada porque a senhora da recepção, que se irritou comigo, é parente da directora e questionar o seu trabalho é uma afronta inaceitável à directora. Tudo aí opera na base dos berros. Havia, nesta instituição, uma gritante falta de visão.

Não é nada surpreendente que muitas instituições governamentais em vários países africanos têm optado por subcontratações. Um ministério, por exemplo, subcontrata uma empresa para tomar conta do seu sistema de informática (grande oportunidade de sobrefacturação e outras práticas não éticas).

O arranjo continua enquanto houver os fundos e o contrato, porém, em termos de know-how, o ministério fica com zero. É do interesse estratégico da empresa em questão garantir que o seu conhecimento técnico não seja partilhado.

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