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“Estou muito preocupado com as acções terroristas em Moçambique”, diz secretário-geral da ONU

Secretário-geral da ONU diz que grupos terroristas estão a aproveitar a pandemia para intensificar ações em Cabo Delgado. António Guterres quer ver o fim dos maiores conflitos mundiais até ao final do ano.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres afirmou esta quinta-feira (22.10) estar muito preocupado com o que está a acontecer no Sahel, na região do Lago Chade, no leste do Congo e em Moçambique – onde os grupos terroristas estão a tirar partido da pandemia para intensificar as suas ações.

“Os casos mais dramáticos são aqueles em que organizações terroristas não respeitam qualquer tipo de apelo para cessar-fogo”, disse numa entrevista à Associated Press, antecipando o 75.º aniversário da entrada em vigor da Carta das Nações Unidas, no sábado (24.10) – que estabeleceu oficialmente a ONU e é celebrado como o Dia das Nações Unidas.

Centenas de deslocados chegam ao norte de Moçambique

Na entrevista, o secretário-geral renovou o seu apelo de 23 de Março para o cessar-fogo de todos os principais conflitos mundiais para enfrentar a crise do coronavírus. E sublinhou que se os combates continuarem o único vencedor será a pandemia.

“Precisamos de um apoio maciço da comunidade internacional e de todos aqueles que têm influência sobre as partes em conflito para acabar com todos as mais dramáticos situações de conflito até ao final do ano”, reiterou, dizendo que espera que união dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança – EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha e França – sobre conflitos-chave ajude a “exercer pressão sobre aqueles que ainda não estão convencidos de que não existe maneira nenhuma de alguém ganhar uma guerra”.

Guterres indicou que o seu apelo inicial obteve o apoio de 180 estados membros das Nações Unidas, mais de 800 organizações da sociedade civil e que “20 grupos armados adotaram, pelo menos, tréguas temporárias”.

Inacção de Moçambique

Por sua vez, o Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD) acusa o Governo de nada fazer para resolver a situação dos mais de 300 mil deslocados que fugiram aos conflitos de Cabo Delgado.

Mosambik Pemba | Geflüchtete Menschen | Paquitequete Strand (Delfim Anacleto/DW)Mil deslocados por dia desembarcam, em média, na praia de Paquitequete, em Pemba, fugidos dos conflitos em Cabo Delgado.

“Sem surpresa, o Governo central mantém a sua postura de silêncio e inação perante o sofrimento de milhares de pessoas que desembarcam em Pemba. A nova vaga de deslocados começou na quinta-feira (15.10), mas foi durante o fim-de-semana e início desta semana que a situação se agravou e fez soar os alarmes humanitários”, pode ler-se no boletim de Direitos Humanos desta sexta-feira (23.10) do CDD.

“Na verdade, o Governo sempre procurou menosprezar os ataques terroristas em Cabo Delgado, caracterizando-os como uma mera situação de perturbação da ordem e tranquilidade públicas”, acrescentam.

Segundo o boletim, em média desembarcam cerca de mil pessoas por dia na praia do Paquitequete, em Pemba, que fogem dos conflitos armados em Cabo Delgado.

“Na sessão do Conselho de Ministros de terça-feira, era expectável que a situação dos deslocados fosse discutida e, em função das constatações, que alguns ministros viajassem até Pemba para acompanhar de perto a situação. Mas nada disso aconteceu”, diz o CDD.

Nesta quinta-feira, segundo o texto, o Presidente Filipe Nyusi, chegou a Cabo Delgado com uma agenda de trabalho que destaca uma reunião do Partido FRELIMO. “Isto é, a principal missão do chefe de Estado em Pemba é dirigir uma reunião partidária numa altura em que cerca de 400 mil pessoas precisam de todo o tipo de ajuda”, conclui o boletim.

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