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Sudão prestes a sair da lista negra americana

Depois de meses de negociações entre as autoridades transitórias sudanesas e a administração americana, Cartum está prestes a sair da lista dos países que segundo os Estados Unidos apoiam o terrorismo internacional. Uma decisão que, a concretizar-se, pode contribuir para este país começar a ultrapassar a crise económica que atravessa há largos anos.

De acordo com um Tweet ontem do presidente Trump, o Sudão aceita pagar 335 milhões de dólares aos familiares e às vítimas de ataques terroristas às embaixadas norte-americanas na Tanzânia e no Quénia, em 1998, e ao navio USS Cole, no Iémen, em 2000. “Boas notícias! O novo Governo do Sudão, que está a fazer grandes progressos, concordou pagar 335 milhões de dólares às vítimas americanas e seus familiares alvo de terrorismo”, escreveu Trump no Twitter. “Assim que for depositado, retirarei o Sudão da lista de estados apoiantes do terrorismo”, indicou o presidente americano.

Pouco depois, Trump recebeu uma mensagem de agradecimento do chefe do governo de transição do Sudão. “Muito obrigado, Presidente Trump! Aguardamos com grande expectativa a notificação oficial do Congresso revogando a designação do Sudão como estado patrocinador do terrorismo, que tantos custos trouxe ao país”, escreveu Abdallah Hamdok cuja administração informou esta manhã jà ter efectuado a transferência prometida aos americanos.

Com este anúncio, poderiam estar a terminar longos anos de isolamento internacional do Sudão. Classificado em 1993 pelos Estados Unidos de “Estado patrocinador do terrorismo”, o Sudão então dirigido por Omar El Bechir, foi acusado de apoiar o terrorismo islâmico, de dar refúgio ao então líder da Al-Qaeda, Ussama Ben Laden e, mais tarde, de ter estado envolvido nos bombardeamentos às embaixadas norte-americanas em Dar es Salaam, na Tanzânia, e em Nairobi, no Quénia, em 1998. Washington responsabilizou igualmente o regime de Bechir pelo ataque no ano 2000 contra o navio USS Cole, no porto de Áden, no Iémen.

Para além de constar desta ‘lista negra’ americana, o Sudão tem sido também alvo de sanções económicas e comerciais por parte dos americanos. Este aspecto e a instabilidade recorrente no país têm sido freios aos investimentos estrangeiros e ao crescimento económico do Sudão.

Com uma moeda frágil, uma taxa de inflação que chegou aos 212% do PIB no mês passado e uma taxa de desemprego que em 2017 ascendeu aos 19,6%, o Sudão vê um quarto da sua população a passar fome, o seu governo de transição, instalado em 2019 pouco depois de Omar El Bechir ter sido derrubado, tendo desde já avisado que não tem verbas para pagar o fornecimento de trigo, medicamentos e combustível.

De um ponto de vista político, a retirada do Sudão da lista dos «Estados patrocinadores do terrorismo», poderia igualmente dar um impulso às negociações que o Sudão confirmou em Agosto estar a tentar conduzir com vista a estabelecer relações diplomáticas com Israel, à semelhança do que sucedeu recentemente com os Emirados Árabes Unidos e o Barhein.

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FonteRFI
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