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Moçambique: Cadeia provincial de Inhambane sobrelotada e sem condições

A cadeia provincial de Inhambane, no sul de Moçambique, tem o dobro de reclusos que a sua capacidade poderia suportar. Detidos ouvidos pela DW África reclamam falta de alimentos e condições desumanas.  

A superlotação das cadeias em Inhambane é um tema que mexe com a administração da justiça nesta parcela do país. A cadeia provincial tem capacidade para seiscentos reclusos, mas actualmente opera com mais de mil e duzentos presos.

Nas cadeias, os reclusos dizem que as condições são péssimas - muitas vezes falta comida e para se alimentarem bem precisam recorrer ao que lhes é trazido pelas famílias.

A DW África entrevistou um recluso, em anonimato disse que a situação é lamentável. “Falta comida, estamos a sofrer. Se a família não traz algo para comer, é normal ficarmos de quatro a cinco dias sem alimentação”.

A cadeia provincial tem capacidade para 600 reclusos, mas actualmente opera com mais de mil e 200 presos.
(DR)

Condições desumanas
“Sobre os quartos de banho, tem que fazer necessidades maiores ali. Sentado não se consegue afastar as pernas, pelo menos para se esticar, para poder descansar. Pedimos apoio e a ajuda do Governo”, disse.

António José acaba de sair da cadeia em Inhambane e afirma que foi proibido de ver a sua esposa e outros membros da família. Sofreu muito.

Os reclusos são obrigados a tomar banho e apenas levados ao posto médico quando estão com a saúde debilitada. “Toma-se banho e se ficares doente, levam-te para hospital. [Outro] problema é não ter contactos com a companheira ou ver a família […] Não é um sítio para se ficar”, desabafa.

Alcoolismo
Samuel Guilundo, um pastor da igreja Assembleia de Deus, disse à DW África que os problemas de superlotação nas cadeias não irá terminar, ”porque muitos criminosos cometem os crimes sob efeito do álcool, mas depois se arrependem”.

“A criminalidade acontece, mas quando se vê mesmo, [o indivíduo] estava bêbado”. As violações sexuais de menores também acontecem quase sempre por causa do excesso de bebida, explica o religioso.

A porta-voz do comando provincial da polícia em Inhambane, Nércia Bata, não avança o número total de presos em 2020, mas confirma que muitos crimes são praticados sob efeitos do álcool.

Bata acrescenta que a corporação não vai parar de deter os malfeitores, e apela ao diálogo para a diminuição dos crimes e para redução da superlotação das cadeias em Inhambane.

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