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Barril de Brent perde valor há quatro dias consecutivos

Apesar de perdas ligeiras, o barril de petróleo vendido em Londres, onde o Brent local serve de referência às exportações angolanas, está a perder valor há quatro dias consecutivos por causa da crescente abrangência da pandemia da Covid-19 e do receio sobre o aumento dos confinamentos severos nos países europeus e asiáticos como medida de controlo da infecção.

Os operadores receiam, como o demonstra o facto de também o WTI em Nova Iorque, que se repita o cenário dos primeiros meses do ano, no início da pandemia, com as grandes economias a retraírem o consumo e, subsequentemente, diminuindo as importações de crude, devido às medidas de controlo da Covid-19.

Recorde-se que em Abril deste ano, no auge dos efeitos da crise pandémica, o barril chegou a ser transaccionado a valores negativos de 40 USD em Nova Iorque porque simplesmente não havia quem o quisesse comprar.

Agora, com o aumento em flecha no número de casos, os mercados temem que este cenário, ou aproximado, se repita, embora as grandes economias, da Europa à Índia, passando pelos EUA até ao Brasil, estejam a resistir tenazmente à imposição de medidas severas de restrição de movimentos como ferramenta de controlo da Covid-19 .

Porém, os receios dos mercados são fundados porque essa resistência à opção por medidas mais severas está a esmorecer à medida que os casos aumentam e os serviços de saúde públicos começam a dar sinais de saturação com cada vez mais internamentos.

Este aumento de casos da Covid-19 é um factor de contracção na procura pela matéria-prima e a própria OPEP+, organização que junta os Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e um grupo de exportadores não-alinhados liderados pela Rússia, estrategicamente organizados para controlar os mercados em tempos de agravada crise, teme já que as suas estimativas para 2021 possam ser negativamente influenciadas, atrasando a recuperação na procura.

No mais recente relatório mensal, referente a Setembro, a OPEP estima que a procura possa regressar, globalmente, em 2021, à casa dos 96,8 milhões de barris por dia (mbpd), quando antes da pandemia estes números estavam muito chegados aos 100 mbpd, ainda assim com uma recuperação estimada de 6,54 mbpd.

Todavia, com a florescente ameaça da pandemia, e sem que uma vacina esteja ainda garantida, apesar de várias terem sido anunciadas como estando nos estágios derradeiros antes da disponibilização comercial, desde logo duas chinesas e uma russa, tudo pode voltar à estaca zero e o crescente optimismo entre os países exportadores com economias mais dependentes, como é o caso de Angola, podem vir a sofrer um sério revês nos seus planos mais optimistas.

Para além dos números das infecções pelo novo coronavírus, que acabam de alcançar a fasquia dos 40 milhões de casos em todo o mundo, o que representa 1% da população mundial, também o fim das restrições em alguns países, na Líbia devido ao conflito armado interno, e no fracking dos EUA, neste caso devido ao elevado breakeven desta indústria alternativa, também denominada petróleo de xisto, que começa timidamente a voltar à produção, estão a afectar os preços nos mercados de referência.

Isso mesmo se pode verificar no Brent, em Londres, que, cerca das 10:30 de hoje, estava a vender o barril a perder 0,8 por cento em relação ao fecho de segunda-feira, que já tinha sido um dia em baixa, para os 42,40 USD, relativamente a contratos de Dezembro.

No outro lado do Atlântico, em Nova Iorque, o WTI, hoje, à mesma hora, estava igualmente com perdas ligeiras, mas somando já quatro sessões nesta modorra, perdendo 0,35 %, para os 40,68 USD, mas para contratos de Novembro.

“São nuvens de pasmaceira que cobrem, de novo, os mercados petrolíferos”, adverte, citada pela Reuters, a analista Vandana Hari.

O que vai fazer a OPEP+

Face a estes dados, preocupantes na perspectiva dos exportadores, os gigantes Rússia e Arábia Saudita, que lideram a OPEP+, já admitiram a possibilidade de virem a reconsiderar a ideia de reduzir o programa de cortes em Janeiro, como esta calendarizado, devido a este cenário pessimista e em agravamento de dia para dia.

Recorde-se que a OPEP+ tem em curso um plano de cortes de 7.7 mbpd, depois de este ter sido iniciado nos 9,7 mbpd, devido aos desequilíbrio nos mercados devido à crise gerada no rasto da pandemia, uma das mais violentas para o sector em décadas – alguns analistas estimam que desde o crash bolsista de 1929, nos EUA – e a agenda apontava apara uma paulatina normalização da produção no final do ano.

Mas essas intenções podem muito bem ser revistas tendo em conta o agravamento da pandemia e, especialmente isso, o tardio surgimento de uma mirífica vacina que possa aliviar a humanidade, e a economia global, deste fardo.

Isso mesmo ficou claro no recente encontro ministerial, em plataforma digital, da OPEP+, onde os intervenientes, segundo as agências, concordaram que as inquietações são agora mais salientes devido às crescentes infecções pela Covid-19, o que vai pesar de forma indelével na decisão de baixar a fasquia do plano de cortes para os 5,8 mbpd a partir de 01 de Janeiro.

A Reuters cita mesmo três fontes da OPEP+ que admitem ser uma possibilidade a revisão deste calendário em função do que vier a suceder até Janeiro de 2021, ainda por cima com vários analistas a admitir que o “cartel” não está em condições de seguir o calendário existente face ao cenário actual e ao que se avizinha para os próximos meses.

Isto, porque mesmo perante o surgimento de uma vacina, ou mesmo mais, apesar de isso permitir um aumento crucial da confiança dos mercados, a sua distribuição global é uma tarefa hercúlea e estaremos perante meses a fio de uma gigantesca tarefa para a humanidade, que é levar ma dose da vacina a cada um dos milhões e milhões dela necessitados.

São os EUA…

Para os próximos dias, segundo analistas citados em sites da especialidade e pelas agências, o comportamento dos Estados Unidos da América será fundamental, não só porque se trata da maior e mais robusta economia do mundo, como é ainda o maior produtor planetário, a par do maior consumidor de petróleo à escala global que está na recta final da campanha eleitoral das eleições Presidenciais de 03 de Novembro que vão definir quem será o 46º inquilino da Casa Branca.

Entre o actual Presidente, Donald Trump, e o chalenger democrata Joe Biden, os mercados têm pouco a temer, porque um e outro já disseram que não vão mexer com a indústria do Fracking, apesar desta ser altamente poluente, especialmente por libertar para a atmosfera toneladas de metano e poluir os aquíferos subterrâneos.

Mas Trump leva a melhor na preferência da indústria petrolífera por ser um defensor acérrimo da produção de hidrocarbonetos nos EUA, libertando o país da dependência externa energética, claramente com menos empenho em apostar nas energias alternativas e menos poluidoras que o ex-Vice de Barack Obama, Joe Biden, um defensor do Acordo de Paris, que prevê a diminuição radical das emissões de gases com efeito de estufa e do qual o Presidente Trump optou pela saída unilateral e sem apelo.

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FonteNJ
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