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Moçambique: Centenas de idosos fazem greve em Chimoio

Centenas de idosos saíram às ruas de Chimoio, Moçambique, neste sábado, para reivindicar subsídios não recebidos de ajuda pós-Idai, do Instituto Nacional de Acção Social (INAS). Líder comunitário foi espancado.

Centenas de idosos da cidade de Chimoio, província de Manica, reivindicaram neste sábado (17.10) subsídios disponibilizados pelo Instituto Nacional de Acção Social (INAS), e que são integrados ao pós-emergência para vítimas do ciclone tropical Idai, que afectou severamente aquela camada social.

Os idosos vivem em situação económica vulnerável e recebem o apoio do INAS, após o ciclone ter afectado muitas famílias, cujas casas foram destruídas pela intempérie que arrasou a região centro do país, em Março de 2019.

Segundo os manifestantes, havia na lista de seus nomes assinaturas de pessoas estranhas e outros nomes não constavam da lista. Isso motivou a greve dos idosos, muitos dos quais acompanhados de seus familiares.

Os grevistas acusam a liderança do bairro de ser o possível mentor de fraude ao pagamento dos subsídios. Ou seja, trocar e retirar nomes dos afectados das listas, colocando nomes de pessoas que não precisam de apoio, tais como amigos, conhecidos ou familiares.

A manifestante Maria Titosse.
(DR)

Líder comunitário espancado
Um dos líderes do bairro Mudzingadzi foi espancado pelos manifestantes, porém foi socorrido por alguns populares e levado até o hospital provincial de Chimoio.

O bairro Mudzingadzi esteve agitado neste sábado, com os manifestantes a pedir justiça.

Entretanto, chamou atenção o fato de autoridades comunitárias do bairro Mudzingadzi terem se colocado em fuga, logo pela manhã do sábado, sem saber onde se encontravam.

A manifestante Tina Joaquim disse que o líder do bairro passou, de casa em casa, para fazer um “levantamento dos necessitados” após a passagem do ciclone Idai. Mas diz que ficou surpresa ao ouvir que o dinheiro de apoio “já fora disponibilizado pelo Governo”.

“Nem todos que sofreram com Idai receberam o valor. Nós vimos nomes de pessoas que não precisam de ajuda, mas que mesmo assim o receberam. Nós queremos que o líder nos dê o nosso valor. Ele deve chamar as pessoas pagas ilicitamente para devolverem o nosso dinheiro”, disse Tina Joaquim.

Maria Titosse, outra manifestante, afirmou que antes do valor ser canalizado pelo Governo, o líder mantinha-os informados sobre os processos burocráticos sobre o desembolso dos valores. Porém, chegado o dia “não os informou”.

“Ouvimos que o valor já fora direccionado aos legítimos beneficiários. Nós queremos saber quem são as pessoas que receberam os valores, uma vez que fomos nós que sofremos a intempérie. O líder terá de nos explicar o motivo pelo qual retirou algumas pessoas da lista e colocou outras pessoas, de sua confiança”, explicou.

O delegado do Instituto Nacional de Acção Social (INAS), Armando Tangai.
(DR)

“Desvaloriza a retaliação da população”
Entretanto, o delegado do Instituto Nacional de Acção Social (INAS), Armando Tangai, desvaloriza a retaliação da população contra a liderança do bairro Mudzingadzi. Segundo ele, as listas foram feitas no ano passado e este ano o instituto fez o levantamento de outros necessitados, também afectados pela pandemia da Covid-19.

Segundo o delegado, “esta agitação no bairro Mudzingadzi não tem cabimento”. “O programa que estamos a implementar está no âmbito apoio à pessoa idosa. Para aqueles que são beneficiários do subsidio social básico, houve um processo, no ano passado e alistamento, em Janeiro deste ano. Houve registo biométrico”. explicou.

Tangai argumentou ainda que foram tiradas fotografias das pessoas e, a partir disso, listados os nomes e o respectivo valor a ser recebido. Além disso, informa que essa informação foi divulgada “em todos distritos, sem nenhum problema”.

“O processo de pagamento foi lançado no dia 07 de Outubro pelo secretário do Estado, Edson Macuacua, e o assunto foi bem esclarecido. Terminamos o pagamento deste subsídio na Cidade de Chimoio no dia 10 de Outubro. Dois dias depois começamos com os pagamentos nos distritos de Gondola, Macate e Sussundenga. E está a decorrer normalmente, sem sobressaltos”.

Para o delegado, a greve protagonizada pela população do bairro Mudzingadzi é “inconcebível”.

“As pessoas estão mal informadas. Nós fizemos as listas de cerca de 50 mil pessoas na cidade de Chimoio [também] no âmbito da pandemia da Covid-19, mas o processo de pagamento deste grupo ainda não iniciou-se”.

Segundo o delegado do INAS em Chimoio, a província de Manica possui pouco mais de 22.622 idosos que recebem o apoio de subsídio social básico, directo e acção social produtiva e, deste número, apenas 16.989 tiveram o apoio social directo no âmbito do Idai, na província de Manica.

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FonteDW
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