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Empresa holandesa pagou milhões de dólares a conhecidos dirigentes da Sonangol, diz procuradoria suíça

Manuel Vicente, presidente da empresa na altura avisou para não se confiar nos seus directores.

Vários dirigentes da companhia petrolífera Sonangol foram subornados com centenas de milhões de dólares por parte de uma companhia holandesa envolvida em operações de apoio à exploração de petróleo no off-shore angolano, revelam documentos da procuradoria federal suíça agora divulgados e a que a VOA teve acesso.

Os documentos dizem respeito ao julgamento e condenação na Suíça de Didier Keller, da companhia holandesa SBM Offshore, que, em Agosto, foi considerado culpado de envolvimento em subornos de cerca de 6,8 milhões de dólares a entidades da Sonangol entre 2005 e 2008.

A 30 de Novembro de 2017, a VOA tinha noticiado que a SBM concordara em pagar ao Governo americano 238 milhões de dólares para encerrar uma acção em tribunal envolvendo corrupção em Angola e outros países.

Na altura, não foram revelados os nomes das entidades angolanas envolvidas no esquema.

Entretanto, os documentos da procuradoria suíça agora publicados indicam que as personalidades angolanas que aceitaram pagamentos da companhia SBM Off Shore são Sianga Kivuila Samuel Abílio, antigo director executivo e membro do Conselho de Administração da Sonangol, cuja parte de pagamentos teria sido feita através da companhia Domografos Africa, Ltd., com conta num banco português, José Manuel Jesus Sardinha de Sousa, antigo director de produção da Sonangol, e a esposa Cristina Coelho de Sousa, Ruben Monteiro Costa, antigo chefe do departamento de instalações, Luís Pedro Manuel, que para além de ser um “quadro” da Sonangol pertencia também à direcção da filial Sonangol USA, e esposa Ivette Magda Brito Manuel, e Baptista Muhongo Sumbe, presidente do Conselho de Administração e director executivo (CEO) da Sonangol USA.

No caso de Baptista Muhongo Sumbe, mais de quatro milhões e 600 mil dólares foram pagos à companhia Mardrill, sediada num “paraíso fiscal” sob pretexto de que essas “comissões” iriam beneficiar a Sonangol.

Os documentos revelam que, misteriosamente neste caso, o então presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Manuel Vicente, avisou Keller para “não ter confiança nos seus directores, sem dar outras explicações”.

Keller ignorou o aviso de Vicente e procedeu aos pagamentos de quatro prestações de mais de 920 mil dólares cada àquela companhia.

O dinheiro depositado na conta da Mardrill foi usado “para fins pessoais” de Baptista Myhongo Sume e esposa, dizem os documentos.

Todo os pagamentos foram feitos para garantir que esses directores não iriam vetar acordos assinados entre as companhias petrolíferas e a SBM para prestação de serviços.

Todos esses contratos tinham que ser aprovados por “diversos níveis da hierarquia da Sonangol”.

Por razões não explicadas, grande parte dos pagamentos àquelas entidades foi feito em diversas prestações de entre 100 mil e 200 mil dólares através de bancos portugueses e suíços.

A excepção foi o pagamento feito à Mardrill em quatro prestações (938.400, 923.100, 938.400, 923.100 e 938 400 dólares) entre Dezembro de 2006 e Julho de 2018.

Sonangol no centro da corrupção?
Estas novas revelações deverão aumentar as pressões para que as autoridades angolanas levem a cabo uma profunda investigação das contas e contratos da Sonangol, já envolvida recentemente nos escândalos do empresário Carlos São Vicente e nos negócios da empresas de Isabel dos Santos e seu marido, financiados alegadamente com dinheiro do estado angolano.

Há dias, a revista “Valor Económico” escrevia que dois antigos ministros do petróleo, Albina Assis Africano e Desidério Costa, eram accionistas da companhia Socalp “uma das duas empresas que receberam dividendos da Sonils entre 2004 e 2012 no valor de 23 milhões de dólares, mesmo sem fazerem parte da estrutura formal de accionista” dessa subsidiária da Sonangol.

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FonteVoA
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