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Insegurança na RDC em destaque na cimeira de líderes dos Grandes Lagos

Presidentes de Angola, República Democrática do Congo, Ruanda e Uganda querem aumentar os esforços para reforçar a segurança na região dos Grandes Lagos, face aos ataques armados e à pilhagem dos recursos naturais.

Reunidos em videoconferência numa cimeira adiada duas vezes por motivos de segurança e devido à pandemia de Covid-19, os chefes de Estado concordaram na necessidade de combater as “forças negativas”, numa aparente alusão às milícias no leste da RDC.

“Os chefes de Estado dos quatro países analisaram a situação de segurança na região dos Grandes Lagos, condenaram a acção das forças negativas e reafirmaram a vontade de lutar pelo reforço das capacidades dos mecanismos existentes, a fim de cortar o acesso das forças negativas às fontes de financiamento das suas actividades e lutar contra as redes criminosas regionais e internacionais.”, anunciou a ministra congolesa dos Negócios Estrangeiros, Ntumba Nzeza, no final do encontro desta quarta-feira (07.10).

O Presidente congolês, Félix Tshisekedi, participa na cimeira a partir de Goma, a capital de Kivu do Norte, que, juntamente com Kivu do Sul e Ituri, tem sido palco de violência levada a cabo por grupos armados locais e estrangeiros há quase 30 anos.

Visita do Presidente Félix Tshisekedi a Goma.
(DR)

Ataques de rebeldes na RDC
Na segunda-feira (05.10), enquanto Tshisekedi era recebido em Goma por milhares de apoiantes, na aldeia de Mamove, a 40 quilómetros da cidade de Beni, homens armados matavam 11 pessoas.

As suspeitas recaem sobre as Forças Democráticas Aliadas, o grupo rebelde que surgiu no Uganda nos anos 1990 e que opera agora na RDC. Desde 2013 que o exército congolês combate a milícia com o apoio da missão de paz da ONU, a MONUSCO. Ainda assim, desde o início da mais recente ofensiva militar, em Outubro de 2019, estimativas apontam para a morte de quase mil pessoas – só no distrito de Beni.

A população local considera que Tshisekedi deveria também visitar Beni e as localidades vizinhas na província de Ituri. “Esperamos que haja uma solução e que as queixas da população sejam ouvidas. Ele é o comandante supremo, tem a última palavra: pode dizer aos soldados para irem combater o inimigo, as Forças Democráticas Aliadas e os vários grupos armados”, defende o habitante Philemon Kitenge.

Félix Tshisekedi manteve-se, no entanto, a uma distância segura, reunindo com representantes da sociedade civil em Goma, na véspera da cimeira.

Relações tensas com países vizinhos
Com os países vizinhos, as relações estão, como sempre, tensas. O Burundi, por exemplo, recusou participar no encontro, exigindo antes conversações bilaterais com a RDC.

Para Gesine Ames, da Rede Ecuménica da África Central, o problema está na fraqueza política do chefe de Estado congolês. “Tshisekedi é um Presidente sem poder suficiente. Não tem influência suficiente sobre as principais organizações, o Parlamento, o Exército, a Justiça. Para desviar a atenção desta fraqueza, procura cada vez mais alianças, especialmente nos países vizinhos. Isto realça o problema da RDC”, explica.

“A falta de influência política significa que conflitos antigos estão novamente em ebulição e novamente carregados de questões étnicas”, alerta ainda Gesine Ames.

De Angola, chegou uma garantia do Presidente João Lourenço: os países que integram a região dos Grandes Lagos sempre se mostraram solidários com os “irmãos congoleses” na luta contra as forças negativas que desestabilizam o leste do país.

O chefe de Estado angolano defendeu, no entanto, que a cooperação no domínio da defesa e segurança “só será eficaz” se for coordenada por um mecanismo no qual todos os Estados-membros se revejam.

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