- Publicidade-
Smooth Jazz Rádio Calema
Inicio Economia Philippe Frederick: "Uma tributação demasiado forte neste contexto económico pode matar as...

Philippe Frederick: “Uma tributação demasiado forte neste contexto económico pode matar as empresas”

O representante do maior grupo cervejeiro do País defende a revisão dos impostos para o desenvolvimento do sector das bebidas, que atravessa uma crise agravada pela conjuntura económica e que obrigou a encerrar fábricas e a despedir milhares de trabalhadores. A revisão do IEC é urgente, diz.

Está a fazer agora um ano da implementação do IVA e do Imposto Especial de Consumo (IEC).

Qual é impacto destes impostos na indústria de bebidas?

Apoiámos a entrada do IVA, porque era uma necessidade para Angola ter este mecanismo que, certamente, vai aumentar a arrecadação fiscal para o Estado angolano.

Em relação ao IEC, é um imposto de consumo especial, que foi criado para as bebidas. Entendemos que deve existir, mas não nas percentagens actuais, que são demasiado altas e estão a prejudicar muito a indústria.

Neste momento, o IEC é de 25% para as cervejas e 19% para as gasosas. O que se passa é que a combinação das duas coisas, IVA e IEC, colocou as empresas do sector numa posição complicada. Por isso, defendemos com urgência uma redução do IEC.

Para que percentagens?

Já tivemos várias reuniões com a AGT e já está preparado um projecto de lei de revisão do IEC que está de acordo com a nossa proposta. Defendemos a redução do IEC para a cerveja de 25 para 11% e nas gasosas de 19 para 9%. Isto é fundamental. Desde Fevereiro que estamos a viver momentos difíceis com uma queda nas vendas superior a 50%, por vários factores.

O nosso grupo fez um esforço grande de baixar o preço da cerveja para o consumidor final de 200 para 150 kwanzas. Mas, na altura, alguns comerciantes reclamaram desta prática porque, alegadamente, estavam a fazer dumping… Não. Não estávamos a vender abaixo do custo de produção. Mas estamos a vender quase sem margem bruta.

Sem grandes ganhos. E isso não é viável, a longo prazo. Hoje constatamos que estamos a pagar impostos demais. Foi por isso que pedimos ao Governo uma redução significativa do IEC, para permitir que as empresas voltem a vender mais e ganhem um pouco de dinheiro. Porque uma empresa que não ganha dinheiro não paga imposto.

A tributação está a matar as empresas?

A tributação não está a matar as empresas do sector. Mas uma tributação demasiado forte neste contexto económico pode matar as empresas. Por isso é que estamos a chamar a atenção do Governo para a implementação rápida do projecto de lei sobre a revisão do IEC, que já foi aprovado pela AGT e que nos vai dar um certo alívio.

Estamos cansados de despedir gente. Porque quando se baixam vendas em 50%, não há outra solução se não reduzir custos. Precisamos de uma redução de impostos para permitir aumentar as vendas e isso pode significar voltar a empregar as pessoas que estão a ser despedidas. Ainda temos a questão cambial.

A desvalorização do kwanza também é um problema?

Claro, porque uma boa parte das matérias-primas no nosso sector são importadas, embora todos os produtos incorporados sejam produzidos em Angola. A desvalorização do kwanza prejudica as empresas, porque as matérias-primas são pagas em dólares e euros. Os custos das operações bancárias aumentaram e tudo isso prejudica as empresas.

Têm tido acesso a divisas na banca?

Não temos queixas. Conseguimos ter as divisas necessárias para funcionar. O Banco Nacional de Angola sempre nos assegurou, pela via dos bancos comerciais, o necessário para o bom funcionamento das nossas fábricas.

O grupo Castel ainda exporta produtos?

Sim. Mas estamos a exportar menos do que gostaríamos, por vários motivos. Hoje todas as fronteiras limítrofes estão fechadas e os nossos produtos, por exemplo, na República do Congo e na República Democrática do Congo, são muito apreciados.

A Cuca e a Coca-Cola são produtos muito pedidos nestas regiões e, infelizmente, nos últimos 4, 5 meses, está a ser impossível mandar para lá produtos.

Estamos à espera, com uma certa ansiedade, da reabertura dessas fronteiras, porque se consegue exportar facilmente 20 mil hectolitros por mês para estas zonas. Também exportamos para a Namíbia, Portugal, para onde mandamos alguns contentores, e Moçambique. Mas esta situação que vivemos afectou as nossas exportações.

O Estado vai vender a participação que tem nas cervejeiras, como a Cuca.

Até onde isso afectará o vosso negócio?

Não afectará. Simplesmente o Estado vai vender a participação que tinha em algumas empresas nossas, sabendo que os actuais accionistas têm direito de preferência. Neste momento, há um processo em curso e estamos na fase final

- Publicidade -
- Publicidade -

Ana Gomes sobe à custa de Marcelo e Ventura

A candidata da área socialista é cada vez mais a pretendente a Belém com maior margem para impedir uma reeleição retumbante de Marcelo. Ana...
- Publicidade -

Burlas “matam” sonho da casa própria de milhares de famílias

Das dezenas de projectos imobiliários lançados no auge da construção em Luanda, muitos foram parar à barra do tribunal por burlas aos clientes, que...

O tempo e o bom senso (IV)

1 - Há muito que acompanho a trajectória de Jorge Valdano, um argentino com invejável percurso no mundo do futebol (jogador, treinador, dirigente e...

Joana Lina, GPL: “Manifestação foi acto de vandalismo”

Durante a marcha realizada por membros da sociedade civil e apoiada pela UNITA, foram queimadas motas e destruídos contentores de lixo, além do impedimento...

Notícias relacionadas

Ana Gomes sobe à custa de Marcelo e Ventura

A candidata da área socialista é cada vez mais a pretendente a Belém com maior margem para impedir uma reeleição retumbante de Marcelo. Ana...

Burlas “matam” sonho da casa própria de milhares de famílias

Das dezenas de projectos imobiliários lançados no auge da construção em Luanda, muitos foram parar à barra do tribunal por burlas aos clientes, que...

O tempo e o bom senso (IV)

1 - Há muito que acompanho a trajectória de Jorge Valdano, um argentino com invejável percurso no mundo do futebol (jogador, treinador, dirigente e...

Joana Lina, GPL: “Manifestação foi acto de vandalismo”

Durante a marcha realizada por membros da sociedade civil e apoiada pela UNITA, foram queimadas motas e destruídos contentores de lixo, além do impedimento...

Polícia frustra manifestação não autorizada em Luanda

A Policia Nacional frustrou ontem a realização de uma manifestação não autorizada pelas autoridades, por força das medidas restritivas de prevenção e combate à...
- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.