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Quais as diferenças entre dengue, zika e chikungunya?

É muito provável que você já tenha ouvido falar do Aedes aegypti, um mosquito sinônimo de muitas preocupações para a população brasileira. Isso porque ele é responsável por transmitir três doenças diferentes: dengue, zika e chikungunya. Justamente por serem transmitidas pelo mesmo mosquito, são de difícil discernimento. Por isso, o Canaltech conversou com um especialista para entender a diferença entre cada uma delas.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, entre janeiro e dezembro de 2019, foram confirmados 10.319 casos de dengue e 141 mortes. Para chikungunya, foram 65.840 casos confirmados e 36 mortes. Com menor incidência, a zika teve 3.625 casos confirmados e 4 mortes.

Dengue

Dengue é transmitida pelo Aedes Aegypti e possui quatro tipos (Imagem:  shammiknr/Pixabay)

A dengue é considerada uma doença febril grave. Basicamente, existem quatro tipos de vírus de dengue (sorotipos 1, 2, 3 e 4). Cada pessoa pode ter os 4 sorotipos da doença, mas a infecção por um sorotipo gera imunidade permanente para ele. Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis à dengue, porém as pessoas mais velhas têm maior risco de desenvolver uma forma mais grave da doença, além de outras complicações que podem levar à morte.

De acordo com o Dr. Celso Granato, infectologista do Grupo Fleury, os sintomas da dengue são muito variados: a maior parte das pessoas tem uma forma muito leve da doença: febre e mal estar. Já uma parte das pessoas tem muita dor de cabeça, febre alta, olhos vermelhos e dor muscular. Enquanto isso, uma parcela muito pequena tem a forma grave da doença, associada com sangramento.

Não existe tratamento específico para a dengue, mas ela tem cura espontânea depois de dez dias. A principal complicação é o choque hemorrágico, que é quando se perde cerca de 1 litro de sangue, o que faz com que o coração perca capacidade de bombear o sangue necessário para todo o corpo, levando a problemas graves em vários órgãos e colocando a vida da pessoa em risco.

Também não há uma vacina completamente eficaz, por enquanto. O Instituto Butantan atualmente desenvolve uma vacina de dose única contra os quatro tipos de dengue. Neste momento o estudo encontra-se na fase III, com a vacinação em 17 mil voluntários. Segundo o infectologista, a doença está longe de ser controlada. “É muito dificil de se controlar, porque o Brasil é muito quente, úmido, e chove bastante. Tanto é que você vê que onde tem mais dengue é no Nordeste e no Centro-Oeste”.

Zika

zika também é transmitido pelo Aedes Aegypti, mas é uma doença diferente das outras (Imagem: 4330/Pixabay)

Assim como dengue, zika também é um arbovirus. Apareceu como uma novidade em 2015. Até então, nunca tinha tido essa doença. Esse vírus está tendo mutações e está tendo uma abrangência geografica maior do que costumava ter. É como uma forma mais leve do que dengue. No começo, quando surgiu no brasil, no nordeste, o pessoal achava que era uma forma mais leve de dengue, só que as pessoas apontavam negativo pra dengue. Uma das principais diferenças, em relação a dengue, é que zika também pode ser transmitido através de sexo, ou de mãe para feto.

Os sintomas mais comuns são febre (que costuma ter duração de três a sete dias, geralmente sem complicações graves) e olhos vermelhos, além de mal estar. “Do ponto de vista clínico, é muito dificil de distinguir dengue de zika. Não é toda dengue que é intensa”, diz Dr. Celso. No entanto, há registro de mortes e manifestações neurológicas. Além disso, ela pode causar microcefalia em bebês.

O tratamento é feito de acordo com os sintomas, com o uso de analgésicos, antitérmicos e outros medicamentos para controlar a febre e a dor. No caso de sequelas mais graves, como doenças neurológicas, deve haver acompanhamento médico para avaliar o melhor tratamento a ser aplicado. Esss sequelas são tratadas em centros multi-profissionais especializados.

Também não temos uma vacina para zika, vale dizer. “Não sei se a gente vai vir a ter, porque é um vírus muito localizado, e que ‘desapareceu’, então não há interesse em desenvolver, porque talvez nunca mais venha a precisar”, opina o infectologista.

Chikungunya

Chikungunya se caracteriza pelas dores causadas nas articulações (Imagem: Nuriyah/Pixabay)

Não é apenas no nome difícil que chikungunya se destaca em relação às outras doenças: a infecção por Chikungunya começa com febre, dor de cabeça, mal estar, dores pelo corpo e muita dor nas juntas (joelhos, cotovelos, tornozelos, etc), em geral, dos dois lados, podendo também apresentar, em alguns casos, manchas vermelhas ou bolhas pelo corpo. O quadro agudo dura até 15 dias e a cura é espontânea. “Chikungunya é muito mais intensa, e quem costuma cuidar é reumatologista, porque a pessoa acha que é alguma doença de articulação”, conta o dr. Celso.

Segundo ele, o problema prático da chikungunya é que em grande parte dos casos, não há cura em curto prazo. “Dengue fica uma semana e passa, zika menos ainda. No caso de chikungunya, a pessoa pode ficar com dor muitos meses e anos. É muito prolongado”, explica o infectologista.

Assim como nos outros casos, o tratamento da chikungunya se limita ao uso de analgésicos, antitermicos e antinflamatórios para aliviar febre e dores. Em casos de sequelas mais graves, e sob avaliação medica conforme cada caso, pode ser recomendada a fisioterapia.

O Ministério da Saúde faz alguns alertas para evitar agravamento da chikungunya: não utilizar AINH (Anti-inflamatório não hormonal) na fase aguda, pelo risco de complicações associadas às formas graves de chikungunya (hemorragia e insuficiência renal), não utilizar corticoide na fase de aguda da viremia, devido ao risco de complicações; e não usar medicamentos a base de ácido acetilsalicílico (AAS), devido ao risco de hemorragia.

Fonte: Com informações do Ministério da Saúde (123)

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