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BNA impõe nova “seca” de liquidez para conter inflação mas penaliza o crédito

O Comité de Política Monetária do Banco Nacional de Angola (BNA) decidiu aumentar dois pontos percentuais no coeficiente de reservas obrigatórias em moeda estrangeira, para 17%, o que penaliza a liquidez dos bancos comerciais na concessão de crédito já que estes terão de guardar mais dinheiro no banco central.

De acordo com a estratégia do BNA, apesar de o cálculo das reservas serem feitas em moeda externa, a sua constituição será em moeda nacional, o Kwanza, uma medida que é justificada com necessidade de adequação do nível de liquidez ao objectivo de inflação de curto e médio prazo.

Assim, com a queda das disponibilidades de tesouraria provocada por este aumento, os bancos, consultores e até accionistas prevêem dias difíceis para a concessão de crédito e até mesmo para a actividade e rentabilidade dos negócios de vários players de pequena dimensão.

Esta é segunda vez, em três meses, que o BNA decide mexer na liquidez dos bancos comerciais. A primeira foi pela introdução da taxa de custódia sobre o excesso de liquidez na banca, a 28 de Julho. Ou seja, o regulador passou a impor que a liquidez dos bancos depositadas no BNA, e que não serviam a economia, fosse taxada.

De concreto, o BNA passou a obrigar os bancos comerciais a escolher entre pagar uma taxa sobre o dinheiro depositado no BNA ou libertar crédito para incentivar o aumento do nível de intermediação de recursos financeiros entre a banca, empresas e famílias.

Pressionado pelo crescimento da inflação, o regulador decidiu no inicio desta semana, pelo enxugamento da liquidez, aumentando o coeficiente de reservavas calculado a partir dos excessos de liquidez em moeda externa mas que poderão ser constituídos em moeda nacional. “O CPM reitera o seu comprometimento com percurso de estabilidade de preços, mantendo-se a previsão de 25% de inflação para o presente exercício económico, pelo que continuará a monitorar todos os factores monetários determinantes da inflação”, lê-se no comunicado tornado público.

Além de subir o coeficiente de reservas obrigatórias em moeda estrangeira, o banco central decidiu ainda manter o coeficiente das reservas em moeda nacional em 22%, eliminando a dedução de notas e moedas. Ou seja, daqui para frente, em vez de os bancos estarem a incluir o dinheiro líquido no cálculo das reservas obrigatórias em Kwanzas, passam a integrar apenas as moedas escriturais.

Banca aponta efeitos perversos

Ao Expansão, um accionista de um dos principais bancos comerciais defendeu que a intenção de tentar controlar os níveis de inflação com o aumento do coeficiente de reservas obrigatórias em moeda estrangeira tem efeitos perniciosos.

Este responsável dá exemplo da retracção do crédito que essa medida saída do comité de política monetária do BNA vai causar à economia e aos próprios bancos. “Se os bancos não têm liquidez (a liquidez vai ficar empatada nas reservas obrigatórias), os bancos diminuirão a sua capacidade de conceder crédito”, atestou o responsável.

 

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