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TV Zimbo dispara contra o “colaborador eventual” Carlos Rosado e acusa Sindicato dos Jornalistas de não cumprir o contraditório

A TV Zimbo emitiu um comunicado em que toma posição sobre o fim da colaboração de Carlos Rosado de Carvalho na rubrica “Directo ao Ponto” depois de o jornalista ter batido com a porta por ter sido impedido de falar sobre o caso Edeltrudes Costa. Disparando em várias direcções, a Comissão de Gestão (CG) da estação de televisão acusa o “colaborador eventual” de pôr fim, “de forma unilateral e sem aviso prévio”, à relação contratual com a emissora, através das redes sociais.

Respondendo às acusações de censura do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), que diz não ter cumprido “com o preceito do contraditório que tanto defende, baseando-se apenas em julgamentos das redes sociais”, a Zimbo garante que vai manter a sua linha editorial, “mas sem ceder às vozes radicais, às ameaças e à gritaria de quem quer que seja”.

A TV Zimbo avança que “no dia 1 de Outubro, quinta feira, quis o colaborador Carlos Rosado de Carvalho, com bastante insistência abordar o chamado caso “Edeltrudes Costa”, que não constava da pauta editorial da rubrica “Directo ao Ponto”, aprazado para a semana em vigor”, acrescentando, neste comunicado, que surge dois dias depois de o coordenador da Comissão de Gestão, Paulo Julião, ter dito ao Novo Jornal que não queria comentar o assunto, que, “como é óbvio, não foi possível acatar tal solicitação”.

“Os temas, objectos de análise, na rubrica em questão, são responsabilidade da emissora que os comunica ao colaborador para efeitos de pesquisa e produção. No entanto, esse princípio não impede o colaborador de propor matérias que considera de interesse público e relevantes para a sua abordagem, cabendo em primeira instância à direcção de conteúdos informativos da TV Zimbo decidir pela sua aprovação ou não”, escreve a Comissão de Gestão, sublinhando que este “é um procedimento normal em todas as redacções de órgãos de comunicação social do mundo”.

A CE da TV Zimbo diz que Carlos Rosado se recusou a abordar um outro tema e “acto contínuo, recorreu às suas páginas nas redes sociais para escrever um texto, fazendo crer que na TV Zimbo se tinha instalado um clima de censura generalizada”.

O comunicado continua, apontando baterias ao SJA – uma instituição que diz ser “parceira da TV Zimbo na resolução dos problemas que afligem os jornalistas” -, acusando a instituição de “lamentavelmente e de forma precipitada, não cumprir com o preceito do contraditório que tanto defende, baseando-se apenas em julgamentos das redes sociais”.

A TV Zimbo diz ainda que o SJA enviou aos órgãos de comunicação social, esta segunda-feira, um comunicado de imprensa “a condenar ‘pseudo’ actos de censura na estação”.

No mesmo dia, a Lusa citava a UNITA, que veio a terreiro mostrar preocupação com “o cercear das liberdades de expressão e de imprensa nos últimos meses” no país, apontando a “censura de conteúdos” na TV Zimbo como o caso mais recente.

“Ao recusar a análise do caso que envolve o Director de Gabinete do Presidente da República, Edeltrudes Costa, a Comissão de gestão da TV Zimbo veio provar o que já se suspeitava com o confisco deste órgão e de outros que passaram para a tutela do Estado, sobre o perigo dos monopólios e o fim do pluralismo, numa autêntica violação da Constituição da República de Angola e da Lei 1/17, Lei de Imprensa”, sustenta a UNITA, que denuncia no mesmo comunicado citado pela Lusa “a prática crescente de censura nos demais órgãos públicos, especialmente na TPA e RNA, onde não há igualdade de tratamento das forças políticas e dos sectores da sociedade civil críticos ao regime”, contrariando as promessas de liberalização do sector da comunicação social”.

De lembrar que o verniz estalou no sábado à noite, quando Carlos Rosado, que foi recentemente convidado pelo Presidente da República para integrar o seu grupo de conselheiros, anunciou no Facebook que estava previsto abordar o “caso Edeltrudes Costa, chefe do gabinete de João Lourenço, que, alegadamente, fez fortuna à custa do Estado, mas foi informado que “o tema não era oportuno”.

“PONTO FINAL no DIRECTO AO PONTO”
O caso Edeltrudes Costa” seria o tema do DIRECTO AO PONTO deste sábado 3 de Outubro 2020. Sexta feira, a comissão de gestão da TV Zimbo informou-me que o tema “não era oportuno” e pediu para “agendar outro”. Obviamente recusei. A todos muito obrigado pela audiência. Continuamos juntos”, escreveu o também economista no seu Facebook”.

O SJA reagiu num comunicado em que afirmava que as suspeitas que recaem sobre o director do gabinete do Presidente da República tornam o caso num “assunto de interesse público”, considerando por isso, “deplorável o argumento utilizado pela Comissão de Gestão para impedir a abordagem da matéria na rubrica “Directo ao Ponto””.

Segundo o SJA, “o acto da Comissão de Gestão da TV Zimbo contraria manifestamente a promessa do ministro das Telecomunicações e Comunicação Social de manter inalterável a linha editorial da TV ZIMBO, e outros órgãos transferidos para esfera do Estado”.

“O SJA espera que o acto do Carlos Rosado de Carvalho seja capaz de mobilizar os jornalistas da TV ZIMBO a denunciarem qualquer outro acto interferência na gestão editorial, e solicita à Entidade Reguladora da Comunicação Social a desempenhar o seu papel”, lê-se por último no comunicado.

De lembrar que a TV Zimbo passou recentemente para as mãos do Estado, tendo sido exonerado o seu conselho de administração e nomeada uma comissão de gestão, coordenada por Paulo Julião.

O caso de Edeltrudes Costa tem suscitado polémica depois de uma reportagem da portuguesa TVI 24 ter denunciado que o Governo angolano estaria a favorecer o chefe de Gabinete do Presidente da República através de contratos públicos com a empresa EMFC para a prestação de diversos serviços.

A contestação já tomou as ruas, com manifestantes a exigirem a demissão do chefe do gabinete do Chefe de Estado. Este sábado, cerca de 100 pessoas, na sua maioria jovens, juntaram-se em Luanda para, com apitos e palavras de ordem, pressionarem o Presidente da República a demitir Edeltrudes Costa.

O chefe de gabinete do Presidente da República, segundo noticiou a estação de televisão portuguesa TVI, recebeu milhões de dólares de origem desconhecida, mas com ligações alegadamente ilícitas à empresa EMFC.

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