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RENAMO responde à Guebuza: “Inclusão não se faz apenas quando há conflitos”

RENAMO reage as declarações de Guebuza e questiona se o partido só serve quando se trata de coisas más. É que ex-estadista defende entre outras coisas o uso de quadros da RENAMO no combate ao terrorismo em Cabo Delgado.

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), o maior partido da oposição em Moçambique, manifestou-se surpreendida e estranha as declarações do antigo Presidente Armado Guebuza.

O ex-Presidente afirmou recentemente que se deve aproveitar os quadros experientes do país, incluindo os combatentes da luta pela independência nacional e da guerrilha da RENAMO, no combate aos insurgentes em Cabo Delgado, norte do país.

Para o porta-voz do maior partido da oposição moçambicana, José Manteigas, durante o consulado de Armando Guebuza como Chefe de Estado e Comandante em Chefe das Forças de Defesa e Segurança, sempre se combateu a RENAMO.

“Tanto é assim que no seu reinado vários oficiais generais foram sendo afastados das Forças Armadas e não foi possível integrar nenhum combatente da RENAMO na polícia, e no Serviço de Informação e Segurança do Estado, SISE, apesar de isso ter sido estabelecido no Acordo Geral de Paz”, afirmou.

“É fundamental a exploração das capacidades instaladas ao longo destes anos todos, mesmo as da RENAMO. Fizeram [a guerra civil] dos 16 anos, será que estamos a trabalhar com eles para encontrar soluções para este problema? Eu acho que não”, disse Armando Guebuza, num vídeo divulgado na sua página na rede social Facebook.

Para o antigo chefe de Estado, o país não deve “marginalizar aqueles que têm experiências” nas estratégias para travar as incursões de grupos armados naquela província do norte de Moçambique.

“Por exemplo, nós temos, no Governo, pessoas que participaram da luta de libertação e até chegaram a oficiais. Será que estão a ser devidamente utilizados? Eu penso que não”, opinou Armando Guebuza.

Porta-voz da RENAMO, José Manteigas.
(DR)

RENAMO questiona Guebuza
A RENAMO, no entanto, está satisfeita porque Guebuza reconhece agora que os ex-combatentes do partido têm uma grande capacidade militar e uma grande experiência.

“A grande preocupação no meio de tudo isso é, afinal a RENAMO serve para quando se trata de coisas más como está a acontecer em Cabo Delgado, em que diariamente há mortes, há decapitações e mas não serve para outras situações tão úteis para o país?”, interroga José Manteigas.

Questionado se a RENAMO estaria disponível para trabalhar com o Governo para pôr fim a insurgência armada em Cabo Delgado, José Manteigas disse que o partido está disponível a ajudar o país a ser melhor, e participar no processo de desenvolvimento “desde o momento que estejamos a construir um projeto nacional para o efeito e esse projeto nacional tem que ser envolvente, consensual entre os moçambicanos.”

José Manteigas disse que desde o início, a RENAMO exortou ao Governo para que aprimorasse a capacidade combativa das Forças de Defesa e Segurança e encontrasse métodos modernos para debelar estes ataques que estão a surgir em Cabo Delgado, mas as autoridades não deram ouvidos.

“O princípio da inclusão de todos os moçambicanos deve ser uma maneira de ser e estar do Estado moçambicano, deve ser um princípio permanente. Não é só quando há focos de conflitos que achamos que os outros têm uma palavra a dizer”.

“O próprio Guebuza fez o que está a pedir”
Por seu turno, o analista Salomão Moyane apontou também que existem muitas pessoas com experiência militar que nunca foram aproveitadas desde a altura em que Armando Guebuza era o Presidente da República e Comandante em Chefe.

“É bom lembrar que foi o Presidente Guebuza que contraiu uma colossal dívida externa para o país e ele disse que não foi apresentar a proposta da contração da dívida ao Parlamento, porque no Parlamento estava a RENAMO”.

Salomão Moayane disse ter ficado igualmente admirado quando Guebuza afirmou que se deviam aproveitar os estudos feitos por moçambicanos sobre a situação em Cabo Delgado.

“Ele próprio não aproveitou nenhum estudo feito por moçambicanos, antes pelo contrário, perseguiu os moçambicanos que faziam estudos alternativos ao pensamento dele. Foi Armando Guebuza que cunhou a expressão “Apóstolos da Desgraça”, referindo­-se a moçambicanos que pensassem da maneira diferente dele e a moçambicanos que criticavam a sua governação.”

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FonteDW
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