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EUA: Dez dias que abalaram as eleições

Na cena política americana os últimos 10 dias foram extraordinários.

Com a campanha eleitoral a entrar na sua reta final, tivemos as reportagens do New York Times sobre os impostos do Presidente Donald Trump que revelaram enormes dívidas das companhias do Presidente e ainda o fato de, segundo o jornal, ele não ter pago impostos devido a esses prejuízos o que , há que dizer, Trump nega.

Ao mesmo tempo, houve o debate presidencial entre Trump e Biden, considerado quase por unanimidade dos comentaristas como o pior de sempre, marcado por constantes interrupções e insultos.

Em terceiro lugar, surgiu a notícia de que o Presidente Trump estava infetado com o coronavírus bem, como vários membros da Casa Branca.

Qual o impacto de tudo isto na campanha presidencial?

Charles Lane, colunista no jornal Washington Post, disse que há “um tema” que une todas essas questões.

“Pode-se argumentar que temos um Presidente que não acredita que as regras para todos se aplicam a ele”, disse Lane.

“Isso é agora público em todos estes contextos diferentes e isso é muito difícil para a Administração explicar e isso ajuda Biden”, acrescentou Lane quando falava à cadeia de televisão Foxnews.

Há que notar que as eleições de 3 de novembro são também legislativas, nas quais Partido Republicano tenta manter a sua maioria no Senado e reduzir a maioria democrata na Câmara dos Representantes,

Alice Stewart, que trabalhou em muitas campanhas, diz que há uma “pressão tremenda” nos candidatos republicanos já que “tem que se liderar dando o exemplo”.

“Quando temos sondagens que mostram que 72% não acreditam que o Presidente levou a sério estes riscos (do coronavírus), é causa de grande preocupação”, disse a analista que lembrou que “estas eleições vão ser decididas pelos eleitores indecisos”.

“A base de apoio do Presidente vai votar nele, a base de apoio de Biden vai votar nele, mas os eleitores indecisos têm uma preocupação sobre como se faz face a esta questão”, explicou Alice Stewart à cadeia de televisão ABC.

Contudo, Mercedes Schlapp, da campanha para a reeleição de Trump, disse que o fato do Presidente ter contraído o coronavírus não vai afetar negativamente a sua campanha ,devido às críticas que muitos lhe fazem por não ter tomado as medidas de precaução devidas.

Em declarações à Foxnews, Schlappp concordou que o Presidente vai mudar o modo como aborda a questão do coronavírus, afirmando que “experiência pessoal vai sempre mudar o modo como uma pessoa se relaciona com algo que tem estado a acontecer”.

E acrescentou que isso vai favorecê-lo.

“Ele tem experiência como comandante em chefe, tem experiência como empresário, tem agora experiência em combater o coronavírus como indivíduo e essas experiências pessoais são algo que Joe Biden não tem”, acrescentou.

A campanha presidencial prossegue nesta semana com o debate entre o vice-presidente Mike Pence e a candidata a vice-presidente pelo Partido Democrata, Kamala Harris, no dia 7.

Na próxima semana está programado um segundo debate entre Trump e Biden.

Entretanto, as sondagens continuam a dar vantagem a Biden.

Uma pesquisa do jornal Wall Street Journal, dá uma vantagem de 14 por cento de Biden sobre Trump.

Mas uma pormenor curioso indica que há quatro anos, a 10 de outubro de 2016, uma sondagem da cadeia de televisão CBS dava uma vantagem de 14 por cento a Hillary Clinton sobre Donald Trump.

E todos sabemos o que aconteceu no dia da votação.

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FonteVoA
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