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“A diplomacia cultural é mais eficiente do que ter uma poltrona no Conselho de Segurança”, Sylvain Itté, embaixador de França em Angola

A terminar uma missão que durou quatro anos, embaixador de França em Angola faz um balanço «positivo», embora admita «frustração» por o Presidente francês não ter visitado o País. Em entrevista ao Novo Jornal, Sylvain Itté explica as vantagens da diplomacia cultural e antecipa o duro caminho de Angola na diversificação da economia.

É a sua hora de partida, depois de quatro anos em Angola…

Exactamente. É um momento emocionante difícil quando saímos de um local onde estivemos durante muito tempo. É a primeira vez que passo muito tempo num país. É a primeira vez que fico quatro anos. É uma saída emocionante…

Então, é um momento que revela experiência, projectos e amizades?

Esses quatro anos foram muito ricos do ponto de vista da relação bilateral entre os dois países, que começou com o Presidente dos Santos. Mas é verdade que [teve outro impulso] com a chegada do Presidente João Lourenço e do Presidente Macron ao poder, embora com diferença de alguns meses. O Presidente Macron tinha recebido o Presidente João Lourenço, candidato, no mês de Julho de 2017, o que foi na época uma marca de amizade e importância da Angola, pois, normalmente, os presidentes não recebem os candidatos.

A primeira visita de João Lourenço foi a França. Isto também é um sinal?

Um sinal claro. O Presidente Macron explicou várias vezes a importância daquela visita entre França e Angola. As relações fortaleceram-se em todas as áreas de maneira importante. Há sempre coisas mais complicadas para avançar. As burocracias existem nos dois países. Há pessoas que não querem que as coisas andem tão rápido. Globalmente, foi um momento extraordinário para mim, como embaixador.

Um aspecto interessante naquela visita foi o facto de João Lourenço ter mostrado interesse em ingressar na francofonia…

Sim. É, aliás, um debate ou discussão que tivemos logo que cheguei aqui. Fiquei muito surpreendido pelo número de francófono neste País. Costumo dizer que Angola é o País não-francófono mais francófono de África por razões históricas e culturais. As históricas são do tempo da colonização portuguesa. O francês era a primeira língua estrangeira e obrigatória nos liceus. Há ainda a situação particular de ver que todos os países [lusófonos] de África são membros da francofonia – São Tomé, Guiné-Bissau e Cabo verde são membros da francofonia, e Moçambique é membro observatório. O único País que não tinha uma posição dentro era Angola e o Presidente Lourenço entendeu que, do ponto de vista estratégico, era importante para Angola participar desta instituição e que a relação e a realidade da cultura francófona em Angola eram muito importantes. Do ponto de vista político, penso que Angola entendeu que ganharia muito, principalmente em relação a África, que é francófona.

Após ter voltado oficialmente a Angola em 2017, a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) assinou, há dois meses, um projecto de apoio à agricultura familiar com o Ministério das Finanças…

É de grande importância, naturalmente. Foi um desafio seu o retorno da agência. Assinámos um acordo do retorno e temos muitos projectos concretos assinados. O último foi da agricultura, mas, na realidade, há mais. O projecto global de financiamento da agricultura familiar é um projecto de quase 200 milhões, com o Banco Mundial, e há também um outro projecto de financiamento do ZIPAD, que dá 150 milhões de dólares, além de outros projectos que estão em preparação. Hoje, Angola é o primeiro País de cooperação da AFD na África Austral. Passou de nada em 2017 para uma posição cimeira no financiamento dos projectos concretos na agricultura e na água. A AFD funciona a partir das orientações do Governo francês. Aqui, em Angola, os três sectores que consideramos essenciais são a água, as energias renováveis e a agricultura e vai ser também tudo quanto estiver ao redor da juventude. E, nesse caso, temos o projecto de financiamento da reorganização do dispositivo de formação profissional dos jovens na era agrícola, particularmente com a restruturação e o apoio do instituto tecno-alimentar, que deveria formar os futuros técnicos agrícola e não engenheiros, porque há outro projecto, que está em Malanje, que também é fruto de um financiamento de cooperação francesa. O verdadeiro desafio da formação profissional é do desenvolvimento da agricultura deste País.

O projecto conta com parceiros privados ou apenas o Governo?

É um projecto público e sem intervenção privada. Um projecto entre o Governo francês e o Governo angolano.

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FonteNJ
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