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Emmanuel Macron apresenta plano contra o “separatismo islâmico”

O chefe do Estado francês considera o radicalismo muçulmano contrário às exigências republicanas que são o esteio da democracia francesa. Resta saber qual será a resposta da numerosa comunidade islâmica instalada no país.

Numa altura em que os franceses comemoraram há poucos dias o ataque islamita ao jornal Charlie Hebdo e o presidente Emmanuel Macron tem vindo a aumentar o tom das críticas ao seu homólogo turco, Recep Erdogan – responsável pela re-islamização do regime, que teve o seu ‘pico’ emblemático com o regresso de Hagia Sofia à condição de mesquitas – o Eliseu apresentou o combate ao “separatismo islâmico” como uma das opções estratégicas do executivo. Ou, pelo menos, do próprio presidente.

“O que precisamos de enfrentar é o separatismo islâmico“, disse Emmanuel Macron esta sexta-feira, durante um discurso da câmara de Les Mureaux (Yvelines). O chefe de Estado, acusado de “ter dificuldade em pronunciar a palavra islamismo”, segundo o presidente do município de Hauts-de-France, Xavier Bertrand (ex-ministro do ‘Trabalho, das Relações Sociais e da Solidaridade no segundo governo de François Fillon), quis deixar clara a sua doutrina.

Pretende, disse, lutar contra o “islamismo radical”, esta “ideologia” que “afirma que as suas próprias leis são superiores às da República” e por vezes tenta “derramar sangue, no Charlie Hebdo”.

Para Macron, citado pelo jornal “Le Monde”, o islamismo radical é um “projeto consciente, teorizado”, “que se materializa em repetidos desvios dos valores da República, resulta muitas vezes na constituição de uma contra-sociedade e consequentemente na evasão dos filhos, o desenvolvimento de práticas culturais e desportivas de base comunitária, doutrinária”.

É este quadro que leva o chefe de Estado e o seu executivo a responder por via de um projeto de lei que será apresentado ao Conselho de Ministros no dia 9 de dezembro e deverá ser batizado de ‘laicidade e liberdade’. “O Islão é uma religião que vive hoje em crise em todo o mundo”, assegurou Macron – no que parece ser uma opinião algo precipitada e excessiva.

Com o projeto de lei – que se apresenta a um dos países europeus que mais problemas tem com a numerosa comunidade islâmica instalada no seu território – Macron quer desencadear um “despertar republicano”. No campo educacional, em primeiro lugar – para evitar o fenómeno das “escolas ilegais, muitas vezes administradas por extremistas religiosos”: “a partir do início do ano letivo de 2021”, a escola será obrigatória para todos a partir dos 3 anos. Ou seja, a educação domiciliária, que absorve quase 50 mil crianças em França – muitas delas de famílias islâmicas – deve, a partir de agora, ser limitada às necessidades de saúde.

Macron também confirmou o seu desejo de combater a “interferência estrangeira”, acabando com o sistema de ensino da língua e cultura de origem e cursos opcionais em línguas estrangeiras ministrados por professores nomeados pelos governos de outros países. Uma decisão já tomada em 2016 por Najat Vallaud-Belkacem – ex-ministra socialista da Educação de um governo de Manuel Valls e marroquina de nascimento – e apenas parcialmente implementada em 2017.

Resta saber de que forma irá a poderosa comunidade islâmica francesa responder a esta decisão de Emmanuel Macron.

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FonteJE
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