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Governo reorienta recursos para os esforços da guerra

O ministro da Economia e Finanças de Moçambique admitiu, ontem, em Maputo, que o conflito armado na província de Cabo Delgado, no Norte do país, vai obrigar o Governo a uma “reorientação de recursos” visando suportar “o esforço da guerra”.

“Um dos problemas que temos é reorientar os poucos recursos para o esforço de guerra”, afirmou Adriano Maleiane, em declarações à margem de um encontro com os deputados da Comissão do Plano e Orçamento (CPO) da Assembleia da República.

Maleiane assinalou que o Executivo deve “inventar” para encontrar uma margem de financiamento das Forças de Defesa e Segurança num contexto de escassez de meios.

Na semana passada, o Conselho de Ministros previu um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,1 por cento e uma taxa de inflação de 5 por cento para 2021. O porta-voz do Conselho de Ministros, Filimão Suaze, que anunciou os números no final da sessão do órgão, avançou que o Plano Económico Social (PES) prevê que o volume de exportações de bens ultrapasse 3,7 mil milhões de dólares.

O Governo compromete-se a constituir reservas internacionais líquidas acima de 3,27 mil milhões de dólares, um valor apto a cobrir quase sete meses de importações de bens e serviços, adiantou Filimão Suaze, sem adiantar os volumes da receita e da despesa inscritas para o OE do próximo ano.

A guerra em Cabo Delgado, prosseguiu Adriano Maleiane, está a provocar danos para a economia e para as famílias. “É mau em todos os aspectos que Cabo Delgado esteja em guerra, não há guerra nenhuma que faça bem à economia”, destacou Adriano Maleiane.

O tráfico de droga é, também, outro problema que afecta a região Norte de Moçambique. Ontem, a Procuradoria da província de Cabo Delgado acusou 11 paquistaneses, detidos na região há quase um ano por tráfico de droga e associação para delinquir.

O grupo foi detido a 23 de Dezembro de 2019 a bordo de um navio ao largo da baía de Pemba, capital provincial, com 126 quilos de heroína e 229 quilos de metanfetaminas.

Durante o interrogatório, os arguidos, entre 20 e 70 anos, disseram que carregavam a droga do Paquistão para outro navio, em alto mar, que levaria a carga para o continente americano.

A província costeira mais a Norte de Moçambique, que faz fronteira com a Tanzânia, enfrenta uma crise humanitária com mais de mil mortos e 250 mil deslocados internos, após três anos de conflito armado entre as forças moçambicanas e rebeldes, cujos ataques já foram reivindicados pelo grupo Estado Islâmico, mas cuja origem continua por esclarecer.

Novos ataques armados

Mais três pessoas foram assassinadas no domingo, numa zona remota de Cabo Delgado, quando faziam um trajecto de bicicleta entre duas povoações. Segundo a Lusa, a ocorrência registou-se no distrito de Palma, perto do local onde um outro ataque fez 24 mortos e vários desaparecidos no dia 12. De acordo com fontes locais, o veículo de transporte de pessoas e mercadorias oriundo de Mueda com destino a Palma foi atacado e incendiado juntamente com todos os bens.

A via em terra batida, pelo meio do mato, tem sido a única ligação por terra ainda usada com relativa segurança para abastecer Palma, a vila dos mega projectos de gás, tendo em conta que os grupos rebeldes tornaram arriscado o troço que liga a povoação com Mocímboa da Praia, através da única via asfaltada da província de Cabo Delgado.

Um outro ataque armado ocorreu, também, na quinta-feira da semana passada contra várias viaturas no Centro de Moçambique que matou duas pessoas e causou quatro feridos com gravidade, incluindo duas crianças, segundo informações de testemunhas e autoridades locais à Lusa.

O incidente ocorreu numa estrada rural no interior da província de Manica, on-de um grupo armado metralhou uma coluna de viaturas que circulavam junto à estrada regional 260, que liga os distritos a Sul da cidade de Chimoio, contaram os sobreviventes.

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FonteJA
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