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Filmes que reinventam livros

O cinema de João Botelho continua a interessar-se pela possibilidade de reinventar as mais diversas obras literárias — de Fernando Pessoa a José Saramago, passando por Charles Dickens.

Com a estreia de “O Ano da Morte de Ricardo Reis” (1 Outubro), podemos reencontrar o gosto literário do cineasta João Botelho. Mais exactamente: Botelho prossegue uma obra em que a relação com os livros, longe de ser um acidente, define um entendimento, de uma só vez artístico e pedagógico, do próprio poder do cinema [trailer].

Vale a pena recordar que, com a sua longa-metragem “Os Maias” (2015), a partir de Eça de Queiroz, Botelho conseguiu gerar um fenómeno que mobilizou tanto os espectadores tradicionais de cinema como, através de sessões especiais um pouco por todo o país, muitos alunos dos mais variados estabelecimentos de ensino. Porquê? Talvez porque não se tratava de uma mera “ilustração” do romance, mas sim de uma reinvenção através dos meios específicos do cinema.

Em “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, é a obra de José Saramago que serve de base ao projecto, através dela convocando a herança temática e simbólica de Fernando Pessoa e de um dos seus heterónimos. Para Botelho, trata-se de um reencontro, uma vez que já se inspirara em “O Livro do Desassossego”, de Bernardo Soares/Fernando Pessoa, para realizar “Filme do Desassossego” (2010). Aliás, na sua primeira longa-metragem, “Conversa Acabada” (1981), construía uma narrativa, a meio caminho entre documentário e ficção, a partir das cartas e poemas trocados por Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.

A relação do cineasta com os livros passa também, por exemplo, por “Tempos Difíceis” (1988), adaptando o clássico de Charles Dickens a um contexto português, “Quem És Tu?” (2001), a partir do “Frei Luís de Sousa”, de Almeida Garrett, ou “A Corte do Norte” (2008), segundo Agustina Bessa-Luís. Mais do que “transcrições” da literatura, tais filmes afirmam uma relação com o património literário que tem como fundamento os poderes do cinema — desde a evocação histórica mais ou menos realista até à criação de ambientes seduzidos pelo artifício e pelo sonho.

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