- Publicidade-
Smooth Jazz Rádio Calema
Inicio Angola Sociedade Marcha para exigir reparação à Build Angola

Marcha para exigir reparação à Build Angola

Duas centenas de lesados pela Build Angola marcharam este sábado em Luanda. Exigem reparação, numa burla em que alegam estarem envolvidos gestores públicos angolanos e valores superiores a 200 milhões de dólares.

Na marcha realizada este sábado (26.09) em Luanda, os lesados exigiam reparação. A Build Angola teve sob sua tutela a construção de diversos condomínios residenciais nas províncias angolanas de Luanda e Bengo, mas dezenas de famílias dizem ter sido burladas e o sonho da casa própria não saiu do papel.

A marcha teve início no largo da Mutamba, com os manifestantes a envergarem camisetas brancas com a palavra “Basta!” e a cumprirem um rigoroso distanciamento social.

“Queremos justiça” apelaram os cerca de 200 lesados durante o curto trajeto que os levou até à marginal de Luanda, concentrando-se em frente à sede do Banco Nacional de Angola.

“Ouçam a voz dos cidadãos” e “são angolanos a matar sonhos de angolanos”, gritava-se através do megafone.

Era Josina Sango, de 43 anos, dando voz à indignação dos lesados que, sem casas e sem dinheiro, exigem à justiça reparação pelos danos causados.

Caso arrasta-se há 13 anos
Foi assim que exprimiu a sua revolta pela burla que se arrasta há 13 anos, sem desfecho à vista.

O seu caso envolve a perda de cerca de 860 mil euros.

Em 2009, a mãe quis comprar casas para os cinco filhos, fez os contratos, pagou, mas nada foi construído, contou Josina Sango à Lusa, salientando que há pessoas que contraíram créditos que vão pagar até 2034.

Depois de a juíza que estava com o caso ter sido nomeada desembargadora, Josina Sango teme que o processo sofra novas demoras e foi isso também que levou os lesados a manifestarem-se em Luanda.

Papel das instituições públicas angolanas
Josina Sango afirmou que, “ao contrário do que se tenta dizer”, não foram burlados por brasileiros: “fomos burlados por angolanos, gestores de instituições públicas que são sócios de empresas ligadas à Build Angola”.

O mesmo garante o coordenador da comissão que representa os lesados, Hélio Silvestre.

“Temos de desmistificar o facto de os envolvidos serem brasileiros, 95% são angolanos e gestores públicos”, garante o responsável que investiu – e perdeu – cerca de 198 mil euros no projecto Bem Morar – sob tutela da empresa brasileira Build Angola, em 2007.

Esperança escassa
Rosa Esteves, de 69 anos, juntou-se ao protesto em representação do irmão, Amândio Esteves já falecido, também ele vítima de burla num projecto habitacional.

“Estou aqui por ele e por todos aqueles que estão doentes e têm dívidas [por causa da Build Angola]. Esta é uma causa justa”, declarou à Lusa.

Mónica Briffe tem 34 anos e investiu, em 2010, 84 mil euros no projecto “Nosso Lar” que “não deu em nada”.

“Íamos ao terreno e nunca começaram a construir nada. Depois, os brasileiros desapareceram e os angolanos não tinham respostas para nos darem”, disse Mónica Briffe, lamentando que os pais do então jovem casal, que ajudaram a financiar a casa, tenham também sido prejudicados.

Por já terem passado dez anos, Mónica Briffe tem pouca esperança de algum dia reaver o dinheiro investido, mas é uma das lesadas que tem um processo a correr os seus trâmites em tribunal.

Mais de mil afectados
A burla afecta mais de mil pessoas, várias delas já falecidas, num litígio com empreendedores brasileiros e angolanos. Em 2018, os lesados da “Build Angola” que envolve vários projectos habitacionais apresentaram um processo cível em tribunal contra os promotores dos empreendimentos na tentativa de reaver os 197 milhões de euros investidos.

Este sábado (26.09), dia em que se assinalam três de anos de governação do Presidente João Lourenço, Luanda é palco de manifestações. Além da dos lesados, várias organizações da sociedade civil agendaram uma marcha contra o desemprego.

- Publicidade -
- Publicidade -

China alerta firmas suecas sobre acção idêntica após proibição da Huawei

Segundo o Vanguard,  a China aconselhou a Suécia a levantar a proibição das suas empresas chinesas de tecnologia da rede 5G, alertando-a sobre  os...
- Publicidade -

Unitel distinguida pelo combate à fraude

A operadora angolana de telefonia móvel Unitel foi distinguida, com o reconhecimento de mérito, pela promoção, durante dois anos, do combate à fraude e...

Sudão prestes a sair da lista negra americana

Depois de meses de negociações entre as autoridades transitórias sudanesas e a administração americana, Cartum está prestes a sair da lista dos países que...

Tiros contra manifestantes geram onda de indignação na Nigéria

As hashtags #EndSARS e #LekkiMassacre proliferam-se pelas contas no Twitter após tiros atingirem manifestantes num protesto contra a polícia em Lagos. Amnistia Internacional trabalha...

Notícias relacionadas

China alerta firmas suecas sobre acção idêntica após proibição da Huawei

Segundo o Vanguard,  a China aconselhou a Suécia a levantar a proibição das suas empresas chinesas de tecnologia da rede 5G, alertando-a sobre  os...

Unitel distinguida pelo combate à fraude

A operadora angolana de telefonia móvel Unitel foi distinguida, com o reconhecimento de mérito, pela promoção, durante dois anos, do combate à fraude e...

Sudão prestes a sair da lista negra americana

Depois de meses de negociações entre as autoridades transitórias sudanesas e a administração americana, Cartum está prestes a sair da lista dos países que...

Tiros contra manifestantes geram onda de indignação na Nigéria

As hashtags #EndSARS e #LekkiMassacre proliferam-se pelas contas no Twitter após tiros atingirem manifestantes num protesto contra a polícia em Lagos. Amnistia Internacional trabalha...

Último debate entre Trump e Biden com microfones silenciados

Faltam duas semanas para as eleições e as campanhas dos candidatos à Casa Branca já estão em contrarrelógio. Na quinta-feira, Donald Trump e Joe...
- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.