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Adiamento das eleições autárquicas em Angola é “vergonha e decepção”, diz UNITA

O maior partido de oposição de Angola, a UNITA, discorda do adiamento das primeiras eleições autárquicas angolanas e acusa o partido de poder de falta de sensibilidade democrática.

Na terça-feira (08.09), os membros do Conselho da República de Angola consideraram, na sua maioria, que não há condições para realizar as primeiras eleições autárquicas do país.

“As eleições autárquicas angolanas serão realizadas no momento em que as condições para o efeito o permitirem”, consta de um documento saído da reunião extraordinária do Conselho da República realizada para analisar o impacto da covid-19 em Angola, em que se refere ainda que devem continuar os trabalhos de preparação e organização das autarquias.

Em entrevista à DW África, Marcial Dachala, responsável da comunicação da UNITA, maior partido da oposição em Angola critica veementemente o adiamento das eleições autárquicas no país.

DW África: Como avalia a decisão do Presidente João Lourenço de adiar as eleições autárquicas? 

Marcial Dachala (MD): A questão da institucionalização das autarquias em Angola é uma exigência constitucional. Houve um compromisso assumido há anos de que a institucionalização das autarquias teria lugar em 2020. Mas os conselheiros da República receberam da parte do Presidente de Angola um não redondo, com indicações de que até, provavelmente, corremos o risco de não termos as eleições gerais em 2022.

Portanto, é uma grande decepção e uma vergonha, quando nós queremos dizer que somos democratas e não colocamos no seu devido lugar e a funcionar todos os instrumentos que a democracia exige. É uma grande decepção para os verdadeiros democratas. A democracia é um jogo político dos democratas.

Angola: MPLA adia eleições autárquicas por recear uma “derrota histórica”, diz UNITA

DW África: Em ano de pandemia, o Coronavírus é uma razão válida para adiar as eleições? 

MD: O Coronavírus não pode ser nenhuma razão para o adiamento das autarquias. No próximo mês, a partir do dia 5, até mais ou menos o final do mês de outubro, as aulas vão retomar. Portanto, se houvesse a vontade política …  A pandemia é uma realidade com a qual nós vivemos e convivemos. Mas pode ser pretexto para adiarmos as grandes metas que o calendário político exige de nós, responsáveis por esta fase histórica de condução da vida do nosso país. Não pode!

DW África: O líder parlamentar da UNITA, Liberty Chiaka, chamou a atenção para o facto de terem ocorridas ou estarem planeadas eleições presidenciais noutros países africanos. 

MD: Efectivamente. Temos os nossos irmãos do arquipélago de Cabo Verde que têm as eleições autárquicas agendadas para dentro de um mês, inclusive vão ter eleições presidenciais ainda este ano. O que significa que infelizmente aqui em Angola, o partido que está no poder [MPLA] não tem sensibilidade democrática. Não respeita o povo que o elegeu.

DW África: A UNITA vai pressionar o partido que está no Governo no sentido de se realizarem eleições autárquicas em 2021? 

MD: O nosso presidente foi claro em dizer que vamos, naturalmente, trabalhar com toda sociedade no sentido de levarmos o Presidente da República [João Lourenço] e o partido que sustenta a sua ação executiva a convencerem-se que não há alternativa para as eleições autárquicas no curso do ano 2021.

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