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Luanda: Paragens de táxi estão um caos devido às obrigações impostas pela situação de calamidade pública

Quem tem no táxi (candongueiro) o seu único meio de transporte para se deslocar na cidade de Luanda, viu a sua qualidade de vida recuar muito nos últimos dias porque, por vezes, apanhar um táxi significa estar mais de três horas numa paragem apinhada de gente e com risco acrescido de infecção pela Covid-19.

Por causa das limitações criadas no serviço de táxi, as típicas viaturas de 18 lugares que enchem as estradas de Luanda com o seu “azul e branco”, estas estão obrigadas a transportar apenas 50% da sua lotação máxima, o que levou os empresários do ramo a diminuir a duração dos trajectos, denominados “linhas curtas” como forma de esbater o prejuízo financeiro causado pela situação.

A Associação Nova Aliança Dos Taxistas de Angola (ANATA) reconhece o problema das linhas curtas e diz que vários factores estão na sua origem, entre estes o facto de muitos patrões não aceitam baixar os seus rendimentos a 50 por cento.

O Novo Jornal saiu para a rua e foi radiografar algumas paragens de táxis da cidade de Luanda, e verificou que nos últimos dias a situação tem vindo a piorar, tanto na dificuldade dos utentes deste transporte público serem servidos eficazmente, como no risco acrescido de contágio pelo coronavírus Sars-CoV-2/Covid-19, em função dos aglomerados dos cidadãos que ficam à espera dos táxis sem respeitarem o distanciamento físico exigido pelas autoridades sanitárias, precisamente o que as regras inseridas no decreto Presidencial que molda a situação de calamidade no País pretendiam evitar-

Na paragem do Embandeiro do Cazenga, entre muitos, encontramos Afonso Pedro, funcionário público que, nos últimos tempos, todos os dias chega tarde ao trabalho e a casa, por causa das dificuldades que enfrenta para conseguir subir no táxi.

“Não está fácil apanha um táxi do Cazenga para a Mutamba como antigamente. Agora é somente linhas curtas e as vezes não há mesmo táxi”, contou.

Nas principais paragens como a do Triângulo dos Congoleses, Golf 1 e 2, Camama, Calemba 2, Vila de Viana e em toda a extensão da Avenida Deolinda Rodrigues, a cenário é idêntico.

“Os taxistas cobram cada rota 150 a 200 kwanzas. Por vezes, chegam mesmo a cobrar 300 ou 400 kz, do 1.º de Maio à Vila de Viana”, sublinhou ao Novo Jornal Pedro Domingos, que, acrescentou, “Por vezes não há escolha e as pessoas têm de se submeter a esta situação”.

No meio de tudo isso, quem mais sofre são os moradores do km 30, em Viana, que viram de repente a alteração dos preços dos táxis e também das linhas.

Quem, por exemplo, sair da zona da Cuca para a Vila de Viana, paga 400 kz por viagem, já do km 30 para a Cuca o preço fica por 600 kwanzas, quanto antes era 200.

Bernarda Domingos, 42 anos, moradora no km 30, que trabalhava como doméstica na baixa de Luanda, contou que em função de tudo isso deixou de trabalhar porque o seu ordenado acabava por ficar somente para o táxi.

Desesperada, devido a essa situação, atirou que nunca tinha vivido tanta dificuldade para se deslocar como agora, e apela a quem de direito para acabar com estas práticas.

“Isto causa um atraso a vida das pessoas, não sei porque é que os taxistas decidiram fazer linhas curtas e preços altos. Estão a tirar vantagem com o sofrimento do povo”, lamentou.

A conhecida actriz Solange Feijó, face a este problema, mostrou a sua indignação nas redes sociais com a situação que os taxistas estão a provocar na vida das famílias.

“As paragens de táxis estão abarrotadas. Os candongueiros querem tirar vantagem por cima do Decreto Presidencial. O que o ministério dos transportes, a polícia fiscal, os presidentes das associações dos taxistas estão a fazer para evitar que o povo sofra, com as aglomerações nas paragens? O cidadão já ganha mal e ainda tem que de dividir o dinheiro com os taxistas que se estão aproveitar da situação da Covid-19 para fazer rotas curtas e ninguém diz nada?”, questiona a actriz, apelando para uma rápida intervenção das autoridades.

O que dizem os taxistas?

Ao Novo Jornal, o presidente da Nova Aliança dos Taxistas de Angola (ANATA), Francisco Paciente, disse que o problema das linhas curtas é de facto um caso sério, e que tem levado à reflexão das associações de táxis em Luanda.

Segundo Francisco Paciente, essa prática é motivada, dentre outros factores, pela falta de sentido de humanismo e solidariedade, justificado com a queda de 50% da arrecadação de receitas devido ao estado de calamidade pública.

O presidente da ANATA justificou também que, por força da crise instalada no seio dos empreendedores e investidores do ramo de táxi, existe falta de peças sobressalentes no mercado, o que faz com que muitos carros estejam fora dos circuitos.

Entretanto, Francisco Paciente, revelou que muitos patrões (donos de Hiaces), exigem dos condutores contas muito altas que não se enquadram com a realidade actual, e para se manterem no mercado não aceitam baixar as receitas 50 por cento.

O líder da ANATA associou a isso a falta de interesse por parte das autoridades pelo facto de não serem vítimas directas dessa prática.

“A falta de actualização do mapeamento de rotas de Luanda, há muitos anos, faz com que 50% das rotas praticadas hoje não constem no Draft oficial do GPL /GPTTMU, e deste modo, cada taxista faz a rota que bem entender em razão da hora, e da concorrência dos passageiros”, referiu.

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