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“Angola quer o impossível. Preços altos matam o negócio do petróleo”

Conhece a OPEP por dentro, para a qual já trabalhou e assegura que a organização não tem responsabilidade nos problemas de Angola, que se auto-inflige com má governação e estratégias erradas. Com a produção de petróleo em declínio, o especialista propõe a reinvenção da Sonangol, para atrair investidores internacionais.

Por que razão defende que a reforma do sector petrolífero está inacabada?

Porque a reforma do sector petrolífero não se reduz à criação da ANPG, mas inclui uma alteração mais ampla do quadro de governação do sector, incluindo maior transparência na gestão das receitas, uma maior atenção à protecção ambiental, regras mais estritas sobre corrupção e de compliance que inclui a participação de PEPs, uma reforma do gás natural, o conteúdo local, entre outras medidas necessárias.

A que outras medidas se refere?

O Natural Resource Governance Institute têm um índice sobre a boa governação no sector extractivo classifica Angola com uma classificação de 35 de um total de 100 pontos. O que significa que temos ainda muito para fazer para tornar o país mais atractivo para a indústria, até porque estamos a competir com outros países mais atractivos como a Guiana, Moçambique, e recentemente o Suriname.

Que factores tornam Angola menos competitiva?

A competitividade de Angola não se reduz aos termos económicos e financeiros mas incluem estes factores de boa governação e a relação com o resto da economia em geral. O País assume a presidência da OPEP em Janeiro.

Que desafios se colocam?

Creio que essa questão tem sido muito mal compreendida por muitos analistas. Tenho um livro sobre a OPEP onde abordei isso e tanto os apoiantes da OPEP, como os opositores não percebem muito bem o que é a organização. O livro foi publicado em 2015 e trabalhei lá em 2013.

A OPEP representa cerca de 39,3% da produção petrolífera mundial e é a organização mais importante desde 1973, altura do primeiro choque petrolífero. Não respondeu à questão.

Quais os prós e contras de ser membro da OPEP?

A OPEP tem um sistema de quotas (implementado em 1983) e isso é custo para países com capacidade extra de produção (spare capacity). Fazer parte de uma plataforma global que tipicamente limita a produção para fazer aumentar preços, vai contra a lógica de cartéis típicos que querem quota de mercado (com preços baixos).

Não é o caso de Angola. Há duas correntes em Angola. Uma defende a permanência e outra a suspensão imediata ou saída da OPEP.

Qual a sua opinião?

Três novos projectos para reduzir dependência energética no Botsuana Kamy Lara em terceiro nos Prémios Adiaha Seguradoras “proibidas” de explorar os ramos vida e não vida em simultâneo UE quer Angola “o mais depressa possível” no Acordo de Parceria Económica Tu e 304 outros amigos gostam disto Expansão 40 743 gostos Gostei Comp /

O problema neste debate é a incompreensão sobre o papel da OPEP e as duas forças que estão dentro da organização, uma que quer preços altos e cortes de produção, e outra, representada por Estados com reservas altas e custos baixos de produção, que quer quota de mercado. Isso é uma falsa dicotomia.

Porquê?

Primeiro porque Angola é um produtor marginal com uma produção em declínio e custos elevados, se comparados com o núcleo da OPEP que são os Estados Árabes do Golfo. A produção do país vai chegar a 900 mil barris por dia em 2025, podendo baixar para 600 mil barris por dia em 2032. Sair da OPEP ou estar dentro é irrelevante.

Angola não tem capacidade para expandir a sua produção, tem reservas limitadas (cerca de 10 mil milhões de reservas provadas), tem rácio R/P não muito grande.

No actual cenário seria melhor para o país ter preços altos?

Angola quer algo impossível, quer preços altos, mas não quer limites de produção global.

E preços altos matam o negócio do petróleo no longo prazo, contribuem ainda mais para a transição energética por causa do efeito de substituição em economia.

Penso que os problemas de Angola são auto-infligidos e nada têm a ver com a OPEP, mas com a incapacidade de atrair investimento no sector e abrir licitações a tempo para evitar o declínio natural da produção.

É necessário ter em conta que as condições externas hoje são distintas da década de 1990 e 2000, e que a procura por petróleo vai diminuir significativamente.

Qual a solução, sair ou permanecer na OPEP?

Sair ou permanecer na OPEP não vai mudar nada no que à atracção de investimentos para travar o declínio diz respeito.

É uma falsa questão para mim. No meu livro, abordo esse debate e concluo que essa análise e reavaliação deve ser dinâmica.

O País precisa de reavaliar a sua posição no cartel?

Sim.  Mas isso não significa que foi a OPEP que causou o declínio angolano que esteve relacionado com estratégias erradas, na atracção de investimento e exploração, e com a má gestão do sector.

Recomendo que leiam o livro “Oil, Policies, Oil Myths” de Fadhil Chalabi, o livro revela o que é a OPEP. Depois dessa leitura creio, muita gente mudará de opinião.

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