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África do Sul: Rede de farmácias atacada por multidão devido a anúncio polémico sobre cabelos de negros e de brancos

A África do Sul está novamente envolvida em fortes protestos de rua por motivos raciais depois de uma conhecida rede de farmácias, a Clicks, ter produzido um anúncio a um produto onde surge o cabelo de uma pessoa negra como estando “seco e estragado” enquanto o de uma pessoa branca surge como “fino e suave”.

A comparação – este anúncio esteve apenas algumas horas no site da Clicks, tendo sido retirado ainda no mesmo dia em que foi divulgado – levou o partido dos Combatentes pela Liberdade Económica (EFF, sigla em inglês), de Julius Malema, antigo “enfant terrible” do Congresso Nacional Africano (ANC), a chamar os seus “guerreiros” para a rua em protesto contra o que apelidou de insulto racista.

Apesar de a empresa ter de imediato pedido desculpa publicamente, isso não demoveu os guerreiros de Malema, que, numa vaga envolvendo milhares de pessoas, destruíram várias farmácias da rede Clicks.

Estes protestos já duram há cerca de uma semana e os seus mentores têm usado as redes sociais, onde, de resto, o polémico anúncio foi denunciado como “racista”, para recuperar a memória nefasta do apartheid, que, até 1994, e depois de 58 anos manteve o país com um sistema político de “racismo legal”, onde os negros era considerados cidadãos de terceira.

“Estamos a ser insultados por brancos que, depois, pedem desculpa, pensando que é o fm do problema, mas não é. Nós não estamos mais disponíveis para aceitar quaisquer desculpas deste tipo quando não são acompanhadas de justiça”, disse Julius Malema, citado pela imprensa sul-africana, quando se dirigia aos seus “guerreiros” na província de Limpopo.

E Malema ainda perguntou: “Quem é que vai ser julgado por considerar os negros pessoas feias?”, deixando claro que os problemas raciais estão longe de deixar de ser um problema no país que Nelson Mandela, o primeiro Presidente negro sul-africano, eleito em 1994, depois de quase três décadas encarcerado pelo regime do apartheid, apelidou de “Nação Arco-Íris” propondo que nele todos tivessem lugar, independentemente da sua cor de pele.

Vinte e cinco anos depois, Julius Malema, que se tem destacado nesse protagonismo, deixou mais uma vez claro o muito que há para fazer de forma a acabar com os ódios raciais na África do Sul, país que deixou de ser a maior economia africana, que tem, desde o fim do regime racista, perdido vigor económico e onde o desemprego tem atingido números recorde, com os benefícios atribuídos aos brancos como a justificação mais usada por parte dos elementos mais radicais do ANC e dos EFF.

A saúde e a educação são os sectores onde as diferenças raciais mais de impõem, embora a Constituição determine que não existem diferenças.

Recorde-se que, recentemente, o ANC, que governa o país desde 1994, legislou no sentido de expropriar as empresas e terras de brancos, sem qualquer compensação, para as entregar às comunidades negras, de forma a corresponder às exigências das alas mais radicais, que acusam a comunidade branca de ter mantido em sua posse as maiores riquezas do país após o colapso do regime do apartheid.

Mas, avançam alguns analistas, essa iniciativa legislativa serviu ainda como ferramenta para diluir os sucessivos escândalos de corrupção em que surgem envolvidos os dirigentes do partido do poder, bem como o claro falhanço em cumprir com a melhoria das condições de vida de milhões de sul-africanos negros.

Das centenas de farmácias que a Clicks tem na África do Sul, segundo a empresa, foram registados protestos em cerca de 40 e sete destas foram parcialmente destruídas.

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