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José Nguepe: “Uso de plantas naturais fortalece o sistema imunológico de doentes com a Covid-19”

O naturopata José Nguepe, em entrevista ao Jornal de Angola, aponta as plantas “ipox” e “coxiloesperma-angolense” como alternativas para o fortalecimento do sistema imunológico, principalmente, para doentes com a Covid-19.

“A planta ‘ipox’ se for usada no tratamento de pessoas com Covid-19 vai constituir um grande sucesso, sobretudo no fortalecimento do sistema imunológico. É isso que tenho estado a defender nas abordagens quando digo que quero ajudar o Estado no combate dessa pandemia”.

Há dois meses, o senhor manifestou interesse em colaborar com o Estado angolano no combate à Covid-19, qual foi o resultado dessa intenção?

Tão logo o país começou a registar os primeiros casos da Covid-19, coloquei-me à disposição do Estado angolano para ajudar no combate desta pandemia, utilizando tudo aquilo que sei em relação à Medicina Natural, como o uso de plantas que aumentam o sistema imunológico, sobretudo, aqueles medicamentos que têm ajudado muito na recuperação de pessoas com doenças crónicas, como hipertensão, diabetes, problemas do fígado, entre outras.

Manifestei esse interesse porque temos notado que as pessoas que mais morrem de Covid-19 são aquelas que já têm alguma doença crónica e estas doenças têm sido devidamente tratadas com muito sucesso na nossa Clínica.

Portanto, se fortalecermos o sistema imunológico dos doentes com Covid-19, o organismo, por si só, vai criar mecanismos de defesa contra o vírus e isso automaticamente reduz o número de mortes, porque os pacientes dificilmente vão chegar à fase crítica da doença.

Também há dois meses, apontou uma planta denominada “Ipox”, existente apenas em Angola e no Botswana, como solução para o tratamento de pessoas infectadas com a Covid-19. Já tem usado esta planta?

“Ipox” é uma planta que tem sido estudada, sendo que já foram realizados ensaios clínicos em várias partes do mundo, como na África do Sul e nos Estados Unidos da América. Na África do Sul até já há uma fábrica de medicamentos feitos com “Ipox” para pacientes com HIV/SIDA. E dentro daquilo que são as minhas pesquisas, cheguei à conclusão de que esta planta se for usada no tratamento de pessoas com Covid-19 vai constituir um grande sucesso, sobretudo no fortalecimento do sistema imunológico.

É isso que tenho a estado a defender nas minhas abordagens quando digo que quero ajudar o Estado no combate dessa pandemia. Devo realçar que esta planta é uma bênção exclusiva de Angola, mas, infelizmente, queremos continuar a viver esse tabu de não aceitar experimentar nada novo. Como consequência, o estrangeiro virá aqui, vai levar a planta, desenvolver a fórmulas para depois nos vender muito caro.

Além desta planta, existe outra que é exclusiva de Angola e que serve para aumentar a imunidade?

Sim, também temos a planta coxiloesperma-angolense e tem esse nome porque é mesmo só de Angola. Já fizemos alguns estudos com esta planta e já foram comprovados em grandes universidades no exterior do país. Na Clínica Videira Nguempe, de forma prática, usamos essa planta no tratamento de pacientes com HIV, inflamação no fígado, hipertensão arterial e diabetes.

Em 20 dias de tratamento é possível estabilizar os níveis tensionais e de diabetes dos pacientes. Infelizmente, continuamos a negligenciar o uso devido dessas plantas, por isso vamos, de certa forma, continuar na ignorância, porque temos dificuldades em aceitar coisas novas.

Há quanto tempo usam estas duas plantas?

Há quase 10 anos para o tratamento de várias patologias, incluindo o HIV, e agora para aumentar a imunidade de pessoas infectadas com Covid-19. O uso de plantas naturais fortalece o sistema imunológico de doentes com Covid-19.

Quantas pessoas com HIV testaram positivo à Covid-19 tiveram resultados satisfatórios usando estas plantas?

Em relação ao HIV, só este ano, foram cerca de 50 pessoas. Estas, depois de usarem essas plantas, fizeram o controlo da carga viral e deu negativo. Logo, já é oportuno, neste momento, fazer alguma coisa em prol dessas plantas medicinais.

E em relação à Covid-19, quantos são?

Fica complicado falar em números, porque ainda estamos à espera que o Governo aceite a nossa proposta para definitivamente começarmos a trabalhar. Apesar disso, algumas famílias de pacientes assintomáticos, em quarentena domiciliar, já procuraram os nossos serviços para obter essas plantas no sentido de fortalecer o sistema imunológico.

Depois de usarem os nossos chás durante dez dias, tiveram resultado negativo à Covid-19. Agora, como forma de tornar abrangente esse tratamento, era pegar nessas pessoas para saber o que comeram durante esse período, quando tiveram febre alta, dor de cabeça, para aferir a eficácia da medicação e incorporar no Sistema Nacional de Saúde.

O sucesso com essas plantas aqui na Clínica Videira Nguempe de Angola é uma realidade.

O Centro de Prevenção e Controlo de Doenças da União Africana defende que qualquer remédio natural para Covid-19 deve passar por um ensaio clínico independente, seguro, eficaz e conduzido de forma ética, a planta “ipox” cumpriu com essas etapas?

Quando estamos em presença daquilo que são os ensaios clínicos para um tratamento, é bom lembrar que os medicamentos químicos obedecem o critério dessa avaliação científica. Primeiro, faz-se o ensaio em ratos, depois em células humanas e, por último, em humanos.

Quando estamos em presença de chás naturais para aumentar a imunidade é outra coisa. Hoje, comemos a rama e não obedecemos a nenhum critério científico, porque entra na categoria de suplementos alimentares. Se aparecer um paciente com tosse, ele deve ser orientado a comer ananás para ficar melhor, porque esta fruta contém uma enzima que ajuda a eliminar o catarro, ou seja, entramos nos suplementos alimentares.

Neste caso, em que vertente aborda a Covid-19?

Estamos a abordar a questão da Covid-19 na vertente do uso de suplementos alimentares, exactamente para o fortalecimento do sistema imunológico do indivíduo. Logo, se tivermos que dizer às pessoas para comer mamão, que faz parte do suplemento alimentar para melhorar o funcionamento do intestino, mas que, para isso, precisamos antes fazer ensaios clínicos, então aí estaríamos a perder o nosso tempo.

Porque prova disso são as famílias que vivem em zonas onde a Medicina Convencional é precária ou não há mesmo. Aquelas pessoas ficam doentes, apanham paludismo, dor de cabeça e outras doenças e são tratadas com aquelas plantas medicinais e que não obedecem a nenhum critério do ponto de vista científico, porque faz parte da cultura delas.

É nessa base que seria importante pegarmos nas pessoas que usam isso, saber como fazem a dosagem e ver bem os efeitos e as plantas para depois incorporar na base científica para evoluirmos cada vez mais.

Com o uso dessas plantas no tratamento da Covid-19, não teme que isso crie falsas esperanças à população, tendo em conta que a doença ainda não tem cura?

Não, não temo isso, porque não estamos a dizer às pessoas para deixarem de ir ao hospital e tomar esta ou aquela planta para ficarem melhores. Tudo isso obedece um critério e caso alguém seja contaminado pela Covid-19 deve respeitar o protocolo criado pelo Ministério da Saúde, para ser devidamente diagnosticado e tratado com os fármacos prescritos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no sentido de se fazer o corte da cadeia de transmissão da doença.

Agora, como naturopatas, que fique bem claro, estamos apenas a lançar um fundamento de que com o uso de plantas medicinais e obedecendo à ciência podemos ajudar o Ministério da Saúde a fortalecer o sistema imunológico das pessoas infectadas, impedindo que morram pela doença.

Como se sabe, muitas pessoas que morreram com Covid-19 já eram portadoras de algumas doenças crónicas que têm sido tratadas com sucesso nos nossos centros, usando a medicação natural.

O mês passado, o Executivo aprovou a integração dos medicamentos tradicionais comprovadamente seguros, eficazes e de qualidade, no Sistema Nacional de Saúde. Que avaliação faz dessa medida?

É uma decisão muito acertada e agradou-me muito ouvir esta notícia. Como sabe, a Medicina Natural desde sempre serviu de base para tratamento de muitas famílias, principalmente aquelas desfavorecidas e que vivem em lugares onde a Medicina Convencional quase que não existe.

É também positiva porque temos notado que, em várias partes do mundo, estão a ser feitas investigações científicas em torno de tudo aquilo que a natureza nos oferece para o nosso próprio benefício.

Então era uma decisão há muito esperada?

Sem sombra de dúvidas. Há quase 20 anos que lutámos por este reconhecimento, ou seja, inclusão dos medicamentos naturais no Sistema Nacional de Saúde.

“O Estado vai poder ver bem quem são os verdadeiros profissionais da Medicina Natural”
Acredita que agora vai-se fazer a separação do trigo do jóio?

Estou certo que sim, porque com a aprovação dessa lei, o Estado vai poder ver bem quem são os verdadeiros profissionais da Medicina Natural, permitindo assim uma divisão clara entre aqueles que utilizam a Medicina Natural apenas como ciência e aqueles que usam a naturopatia associando-a ao misticismo, adivinhos ou problemas espirituais, para que estes sejam integrados, talvez, ao Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente, porque tem a ver com questões culturais.

Aqueles que usam a naturopatia associada ao misticismo, adivinhos ou problemas espirituais, não usam ciência nas suas abordagens?

Na Medicina quer seja a Convencional ou Natural baseia-se em evidências, o paciente tem de fazer primeiro os exames, diagnósticos para saber se a dor de cabeça que ele apresenta é oriunda de uma febre tifóide ou malária.

É em função disso que se vai chegar a uma conclusão precisa sobre qual a medicação a fazer na parte da Medicina Convencional ou daquilo que são os tratamentos naturais. Só mediante uma lei que, graças a Deus, já foi aprovada, é que poderá se fazer esta separação. E o país poderá ganhar muito mais com isso, e não apenas os naturopatas.

Em que medida é que a economia poderá ganhar com isso, pode explicar melhor?

Com a aprovação dessa lei, e numa altura que há escassez de alguns medicamentos químicos, será oportuno o Ministério da Saúde entrar em contacto com os profissionais de Medicina Natural para saber que tratamentos usam com sucesso no combate de determinadas doenças para depois incorporar estes medicamentos no Sistema Nacional de Saúde.

Isso vai ajudar muito a economia do país porque desta forma vamos produzir os nossos medicamentos, usando as nossas plantas e reduzir a importação de muitos outros medicamentos.

Ao usar as nossas próprias plantas com muito mais frequência, haverá necessidade de se criar um Jardim Botânico só de plantas medicinais?

(Foto: D.R.)

Claramente que sim, e sempre defendi isso. Temos de criar um Jardim Botânico, onde vamos colocar as plantas medicinais, principalmente aquelas que estão em vias de extinção, e os terapeutas vão dando o seu subsídio com base nos conhecimentos científicos ou empírico que possuem.

Vão explicar que a junção desta planta com aquela outra tem este efeito terapêutico. Daí, vai ser levado para laboratório, ser estudado os princípios activos e, depois de comprovados, estarem à disposição da população. Logo, a nossa economia sairá a ganhar muito com isso.

Os médicos naturopatas têm um órgão que regula a sua actividade?

Sim temos, é o Conselho Nacional de Medicina Natural em Angola, neste contexto vamos continuar a trabalhar para melhorar a própria organização e permitir que ela tenha uma ligação sólida com o Ministério da Saúde.

Sente que a integração da Medicina Natural no Sistema Nacional de Saúde Pública, de certa forma vai reduzir a procura nos hospitais?

Tenho a plena certeza que vai haver um ponto de equilíbrio entre a Medicina Convencional e a Natural. Mas devo dizer que a Medicina Natural tem um potencial muito grande, e uma cultura que leva o paciente a compreender a causa da doença e, posteriormente, receber orientação em como tratá-la de uma forma natural.

Na Medicina Natural, comer um simples mamão ajuda a regular o intestino. Já na Medicina Convencional devia recorrer a um laxante. Mas existem patologias que não podem apenas ser combatidas com plantas.

Por exemplo, na questão de uma Malária, onde o paciente tem um campo coberto de paludismo, deverá ser a Medicina Convencional, primeiro, para combater a doença e, posteriormente, darmos tratamento na área de Medicinal Natural. Deve haver uma reciprocidade entre as duas.

Estaríamos a falar da mesma coisa usando o termo Medicina Natural ou Tradicional?

Não, não é a mesma coisa, porque a Medicina Tradicional é aquela que está associada às nossas tradições, desde os antepassados. Já a Medicina Natural baseia-se em evidências científicas, usando a taxionomia botânica, o género das plantas, saber como elas reagem aos alcaloides e só depois pode-se usá-las no tratamento do doente. Mas vale dizer que a base da Medicina Natural é a tradicional.

Que tipo de pacientes procuram a sua clínica?

São pacientes com problemas de infertilidade, doenças gástricas, hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, doenças do fígado e malária. Em média, por dia, atendemos entre 800 a 1000 pessoas.

E mesmo nessa época do confinamento as pessoas não deixaram de procurar os nossos serviços. O número aumentou devido ao stresse de ficar em casa e também por que agora têm mais tempo para cuidar melhor da saúde do ponto de vista natural.

Apesar da preferência na Medicina Natural, muitas pessoas reclamam dos preços altos, porquê destes preços?

A questão que se impõem é precisamente a importação de muitos medicamentos, porque aqui não temos laboratórios, muitos medicamentos para o tratamento de problemas de coração, por exemplo, vêm dos Estados Unidos da América, onde um frasco fica em 100 dólares.

Imagina agora enviar isso por via FDX até chegar às mãos dos pacientes. Isso encarece o produto. Mas os medicamentos derivados de plantas que temos no país são baratos, em média os chás custam cinco mil kwanzas.

Em época de Covid-19 que alimentos aconselha às pessoas?

Somos aquilo que comemos e segundo Hipócrates, o pai da Medicina, devemos fazer da alimentação o nosso medicamento, por isso, nesta fase, aconselho as pessoas a evitar alimentos industrializados, devemos comer mais produtos do campo.

Todas as frutas devem ser aproveitadas, estamos em época da laranja e limão, então vamos comer muita laranja, fazer sumos. Quando entrarmos na época das mangas, milho, abacate fazemos a mesma coisa, porque o nosso corpo precisa desses nutrientes naturais de cada época para se preparar para a próxima.

Evitar o consumo excessivo do pão, por conta do processo de fermentação. Se fizermos isso, com certeza vamos ter uma sociedade cada vez mais saudável, menos gente em hospitais e menos mortes causadas por coisas que podemos evitar.

 

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