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Angola a caminho do incumprimento financeiro (default)

A dívida galopante de Angola e uma clara perda de coesão das suas finanças públicas, que têm um registo de continuada degradação nos últimos anos, levaram a agência Fitch a descer o “rating” do País para um nível que aponta para o risco sério de falhar os seus compromissos financeiros “default” dentro de pouco tempo.

Ao colocar o “rating” de Angola em CCC, a Fitch, uma das mais importantes agências de notificação financeira em todo o mundo, deixa um claro aviso ao Governo de João Lourenço para uma iminente perda de capacidade de se financiar no exterior.

A agência, numa nota explicativa, avança que, para esta deterioração da notação de Angola, citada pela Lusa, esta descida do “rating” expõe um “significativo aumento na dívida pública, uma reduzida flexibilidade do financiamento externo”, como está evidenciado pela “forte subida dos juros da dívida, e a decrescente liquidez externa”.

Ainda de acordo com a Fitch, “a sustentabilidade da dívida pública piorou e as debilitadas finanças públicas vão inibir as autoridades de baixarem significativamente o nível da dívida durante os próximos dois anos”.

No final deste ano, aponta ainda a agência, “o rácio da dívida sobre o PIB subirá para 129%, o que representa 850% das receitas do Governo, mais do dobro da média dos países com rating B, com 356%, e é indicativo das dificuldades de Angola em aumentar a receita não petrolífera”.

A par desta perspectiva negativa para a economia angolana, que é uma das que mais sofre com a crise económica que remonta a meados de 2014, a Fitch anuncia que está a perspectivar uma recessão de 4% e uma subida ingreme da inflação para 24%, ao mesmo tempo que a produção da matéria-prima se manterá abaixo dos 1,3 milhões de barris por dia, onde, de resto, já se encontra há alguns meses.

Por detrás desta realidade está, recorde-se, também a abrupta queda do valor do barril de crude a partir de meados de 2014, em passo acelerado, baixando então da fasquia tranquilizadora dos 100 USD, e, agora, uma nova fragilização pela crise gerada pela pandemia da Covid-19, que levou a uma renovada deterioração do valor do petróleo, que é ainda a principal motorização da economia nacional,

“A economia de Angola continua a ser limitada pelo alto nível de dependência de matérias primas, o que contribui para um crescimento baixo e para uma acentuada instabilidade macroeconómica”, avança a agência.

Para este cenário desolador para a economia angolana, segundo a FItch, contribui em grande medida a perda de vigor do sector petrolífero nacional e a falta de liquidez em moeda estrangeira, combinação que garante o 5º ano consecutivo de recessão.

A única nota positiva deste enunciado geralmente pessimista da Fitch é que as reformas em curso, elaboradas nos últimos anos pelo Executivo de João Lourenço, poderão diluir o impacto mais acentuado da crise, como, por exemplo, no sector dos petróleos ou da banca.

Numa observação sobre o sector bancário, o cenário é igualmente negativo, com fortes desafios pela frente devido ao bater de frente com os efeitos da pandemia e a subsequente recessão, fazendo, todavia, questão de deixar como eventual alívio na economia a implementação de programas de apoio ao crédito às pequenas e médias empresas e a descida de algumas taxas, mas sublinha que o recurso do Governo ao mercado interno de dívida vai prejudicar o sector privado.

“Prevemos que o crescimento do crédito do sector privado sofra uma contracção este ano, e os activos já de si de fraca qualidade vão provavelmente continuar a enfraquecer, reflectindo o elevado nível de exposição ao sector dos hidrocarbonetos”, concluem os analistas da Fitch, na nota citada pela Lusa.

Por detrás desta galopante crise no mudo, com efeitos devastadores na economia nacional, estão os números igualmente em crescendo da Covid-19, que, em Angola já vai, depois de mais 71 casos registados na sexta-feira, 04, com duas mortes, em 2.876 infecções confirmadas, das quais resultaram 115 mortes.

No mundo, estes números elevam-se a mais de 26,3 milhões com quase 870 mil mortos.

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FonteNJ
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