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Pesquisa e valorização do cancioneiro em línguas nacionais

Embora convivendo num contexto artístico em que pontificam vários géneros e tendências musicais, a Banda Acapaná distingue-se pela singularidade no tratamento e estilização do cancioneiro nhaneka humbe, herero, kwanyama, umbundo, quimbundo, e kicongo, recriando um cruzamento linguístico e temático assente na recuperação dos segmentos mais representativos da cultura e do cancioneiro tradicional angolano.

Criada em Agosto de 1988, no Lubango, província da Huíla, a Banda Acapaná é o resultado das várias metamorfoses do “Quarteto Paulino Pinheiro”, designação inspirada no nome de um consagrado e conhecido cantor e compositor da Música Popular Angolana. Na verdade, Paulino Pinheiro, que à época exercia o cargo de chefe do terminal aéreo militar da frente sul, está na origem da formação do referido quarteto, que deu forma ao primeiro momento do núcleo que viria a ser a Banda Acapaná.

Formado por Paulino Pinheiro, Cássio Fernando Bambes, Namanga de Deus (vozes e guitarras) e Paulino da Conceição Domingos (percussão e bateria), os três últimos provenientes do grupo “Welwitchia” da região Militar Frente Sul, e dos “Tigres da Fronteira”, formação musical de soldados, associada às Tropas de Guarda Fronteira de Angola, o “Quarteto Paulino Pinheiro” participou numa das edições do Variante, Festival de Música Popular Angolana do Ministério da Cultura e na Quinzena Cultural Angolana da Baía, realizada na República Federativa do Brasil, em 1990.

No final de 1988, o “Quarteto Paulino Pinheiro” mudou de designação, por decisão consensual, e passou a “Quarteto Acapaná”, iniciais dos nomes dos seus mais influentes fundadores, Acácio, Paulino e Namanga.

A evolução musical da Banda Acapaná está associada à proveniência e história individual dos seus principais instrumentistas, Loureiro Paulino (guitarra baixo e voz), fez parte do Trio Vikeia de Benguela, Cássio Fernando Bambes (guitarra e voz), e Namanga de Deus (teclado e voz), anima-vam festas de estudantes, no Namibe, e participavam em fogueiras de guerrilheiros, como trovadores, Inácio do Fumo (percussão), vem da Banda Monumental, Armindo Bimbe (teclas), animou várias tertúlias com os cabo-verdianos da Chicala, em Luanda, e já acompanhou nomes consagrados da Música Popular Angolana, com destaque para, Bonga e Calabeto, e Joy Papo Seco (bateria), pertenceu aos grupos, Pacíficos da Huíla, e Miragens do Namibe.

A formação actual da Banda Acapaná é constituída por Cássio Fernando Bambes (guitarra e voz), Namanga de Deus (teclado e voz), Matias Camalengue (guitarra baixo), Inácio do Fumo (percussão), Armindo Bimbe (teclas) e Guelor Zenza na bateria.

Metamorfoses

Depois da saída de Paulino Pinheiro, desmobilizado do exército, em 1994, ocorreu, no mesmo ano, a segunda metamorfose do grupo, com a introdução de instrumentos eléctricos (guitarras e teclas) e bateria acústica, e o grupo passou a designar-se “Banda musical Acapaná”. A mu-dança definitiva para a Banda Acapaná, surgiu com Cássio Fernando Bambes (guitarra e voz), Namanga de Deus (tec-lado e voz), Loureiro Paulino (guitarra baixo e voz), Inácio do Fumo (percussão), Armin-do Bimbe (teclas) e Joy Papo-Seco na bateria.

Digressão

A Banda Acapaná foi acolhida de forma efusiva pelos angolanos residentes no Brasil, onde efectuou uma importante digressão de quinze dias por quatro Estados, Baía, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, em Novembro de 2015, por ocasião das comemorações do 40º aniversário da Independência de Angola, promovidas pela Embaixada de Angola naquele país da América Latina.

Discografia

As canções “Kumbindjenda”, “Kambambi” e “Mulher quitandeira”, temas do folclore da região Centro-sul de Angola, fizeram história na carreira da Banda Acapaná e estão incluídas no CD de estreia, Acapaná (1997), editado pela Sonovox, em Lisboa. “Outra face” (2001), o segundo CD, teve circulação limitada, surgindo depois Acapaná II (2007), com participação de Pedrito dos Versáteis, Nonó, Nanuto, e Dalú Roger, que inclui o sucesso “Elamba”, que, segundo Acácio Bambes, “é uma recolha da Banda Acapaná, canção baseada num conjunto de provérbios, um dos quais aconselha os mais novos a seguir os bons caminhos. É triste quando um filho não segue as orientações dos mais velhos. A frontalidade desagrada muita gente, mas a verdade é que a crítica pode mudar os comportamentos”. Para além da transposição, para a música, de contos, e provérbios, a Banda Acapaná canta o amor, a morte e a beleza da mulher.

Depoimento

Paulino Pinheiro, visivelmente nostálgico, lembrou, em depoimento, que o seu encontro com Cássio Fernando Bambes, Namanga de Deus , e Loureiro Paulino “foi muito feliz e a Banda Acapaná, tem feito um trabalho singular de recolha do cancioneiro tradicional, muito particularmente das culturas nhaneka humbe, kwanyama e umbundu. Todo trabalho da banda resulta de longos anos de trabalho, perseverança e também da dinâmica que estes jovens têm imprimido, para o desenvolvimento da Música Popular Angolana. Recordemos que a Banda Acapaná, desde o período em que lá estive, nunca interrompeu o seu nobre trabalho, apesar dos altos e baixos. Eles estão mais experientes, e os seus integrantes evoluíram musicalmente, disso não tenho dúvidas, e têm defendido a música de raiz, ou seja, a música da terra, traduzindo, de forma fiel, as raízes e a vivência das nossas gentes. A filosofia que orienta o trabalho da Banda Acapaná é que o património deve estar à disposição de todos, sobretudo para que a juventude possa tirar partido. Espero que o grupo tenha longos anos de vida.”

Solo

Acácio Bambes decidiu gravar, em Agosto de 2012, a solo, o CD, “Ecos do Passado”, com dezassete versões de sucessos de cantores e compositores nacionais e estrangeiros, disco que teve a produção musical de Presilha Calei e Livongh. Gravado nos estúdios B. Max produções, “Ecos do Passado” teve a participação dos instrumentistas, Mias Galheta e Pedrito (viola baixo), Begks e Nanutu (sopros), França (guitarra), Flay e Livongh nas vozes. Segundo Acácio Bambes, “Ecos do passado” é uma singela homenagem aos cantores, David Zé, Prado Paím, Santocas, Paulino Pinheiro, Carlos Burity e João Seria do África Negra. Por sua vez, o CD “NgassoKuiamy”, segundo disco a solo de 2018, Acácio Bambes interpretou os temas, “Te quiero Maria”, “Felicité”, “Ngasso Kuiamy”, tema que dá título ao álbum, “Ressurreição”, “Matinda, “Bouquet de rosas”, “Tia”, “Mena Matutchuna”, “Kafivela”, “Desterro”, “Amanhã é feriado”, “Kafeco”, “Louco por ti”, “Kakadona”, “Ndjikuavela”, e “Respeita a tua mãe”.

Cássio Bambes e a dimensão artística da banda

Cássio Fernando Bambes, um dos mais dinâmicos divulgadores da obra da Banda Acapaná, cresceu num ambiente musical proporcionado pelos seus pais. Com apenas nove anos, começou a sua aventura como compositor, e fundou a sua primeira Banda musical no Bairro da Nação, cidade do Namibe, como guitarrista.

Cássio Bambes, voz e guitarra, falou da dimensão artística da Banda Acapaná nos seguintes termos:

“Embora a Banda Acapaná tenha evoluído, musicalmente, nos últimos trinta e dois anos, nunca perdemos de vista a importância e o simbolismo do cantor e compositor Paulino Pinheiro, nome que surge associado, de forma automática, quando a abordagem é a história e origem da Banda Acapaná. Somos uma formação musical que se distingue no cenário musical angolano, pelo trabalho de recolha da tradição oral, e pela nossa forma de interpretação e estilização do cancioneiro tradicional. Estamos contagiados pela tradição, no entanto, muito próximos dos movimentos da Música Popular Angolana. Acompanhamos e já fizemos suporte de orquestração com cantores e compositores conhecidos tais como, Bangão, Lulas da Paixão, Elias dya Kimuezo, Legalize, António Paulino, Proletário, Mamukueno, entre outros. Importa recordar que o Kilapanga é o nosso género de eleição, tipologia musical que, em outras regiões, toma designações diferentes, tal como Vindjomba, para os Nhanekas, Nhatcho ou Ndjando, para os benguelenses. Diria, para concluir, que a textura e o cruzamento linguístico da nossa obra musical está ligada à origem dos elementos da Banda Acapaná, ou seja, eu sou do Namibe, o Loureiro é de Benguela, e o Namanga, embora seja igualmente do Namibe, os seus pais são do Huambo, facto que confere uma maior riqueza cultural, no processo da nossa interacção musical”.

Acácio Bambes foi um dos convidados da III Trienal de Luanda, em concerto realizado no Palácio de Ferro, em Junho de 2016, ocasião em que foi acompanhado pelos instrumentistas Nelas do Som (guitarra solo), Rapuni Josué (teclado), Eliseu da Cunha (guitarra baixo), João Daloba (bateria), Inácio do Fumo (congas e percussão), Ruth da Sill e Melma Kapata nos coros.

Filho de Fernando Bambe e de Maria de Fátima João, Cássio Fernando Bambes nasceu no Namibe no dia 28 de Dezembro de 1964.

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