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Artistas sofrem “perdas irreparáveis” com a Covid-19

Com os espaços culturais encerrados desde março, devido ao confinamento por causa da pandemia, a classe artística angolana vive momentos difíceis. Músicos, atores, DJs e promotores procuram alternativas aos palcos.

As casas de espetáculos angolanas estão encerradas desde o mês de março, quando foi decretada a primeira fase do estado de emergência devido ao novo coronavírus. Os artistas foram obrigados a cancelar contratos e vários concertos que já estavam agendados e falam em perdas irreparáveis.

Baló Januário, conceituado cantor de música folclórica, que fazia aos fins de semana duas ou mais atuações, disse à DW África que terá perdido mais de 10 milhões de kwanzas, cerca de 15 mil euros, nos últimos quatro meses. “Estamos a falar apenas de concertos em Luanda. Por isso, disse que é variável. Por exemplo, um concerto em Luanda, é diferente de um Concerto de Baló Januário em Mussende, em Malanje ou no Uíge”, explica.

“Se houvesse uma festa da cidade em qualquer província, tínhamos o privilégio de ser convidados. Quer dizer que dificilmente vamos fazer um cálculo exato. Mas, do ponto de vista de perdas, são mesmos irreparáveis”, afirma o cantor.

Ao vivo online e na televisão

A situação atual obrigou os músicos a reinventarem-se. Alguns estão a promover atuações ao vivo nas redes sociais para manter contacto com o público e também angariar dinheiro. Mas não está a ser fácil, num país onde o custo da internet é bastante elevado.

É no programa “Live no Kubico” da Televisão Pública de Angola que alguns cantores e bandas estão a ter oportunidade de realizar concertos aos domingos. O projeto está a ser aplaudido pelo público e também pelos artistas. Baló Januário, que durante a entrevista à DW preparava uma atuação para o espaço televisivo, considera que o programa não minimiza a crise dos artistas.

O autor dos sucessos “Azar da Belita” e “Boca na botija” espera que surjam outras alternativas: “Pode haver uma compensação, mas um live não te vai compensar três ou quatro meses de desemprego. Dizem que os valores para os músicos rondam aí aos 300 mil kwanzas (432 euros), contando com a banda. Para uma banda que tem mais de dez pessoas não é uma grande coisa. Mas não deixaria de ser bom, se houvesse permissão para fazer mais coisas do género seria bom”.

“Sem trabalho, não há kumbu”

Em Angola, os artistas ainda não ganham pelos direitos de autor. Para o cantor Ivan Alexei, este é um dos fatores que poderá agravar as dificuldade dos artistas, se não houver reabertura dos espaços culturais:

“Enquanto as coisas não mudarem, não houver shows para todos os músicos, acho que de uma forma geral vai estar mal porque vivemos disso”, sublinha. “Infelizmente, os direitos de autor não se fazem sentir, senão teríamos outra fonte de renda. Agora assim, sem trabalho não há kumbu [dinheiro], sem kumbu não há comida e sem comida não há nada”, conclui Ivan.

O teatro também vive a mesma crise. Há muita gente que depende da encenação “a passar fome”, segundo o presidente da Associação Angolana de Teatro, Adelino Caracol. O encenador revela que mais de seis mil atores estão desempregados por conta da Covid-19: “Não precisamos do pão. Precisamos do miolo do pão. Há gente a passar fome, ao nível dos grupos de Luanda e de todas as províncias. Estamos a falar em cerca de seis mil. Estamos a falar também das suas famílias, porque o problema estende-se”, disse Adelino Caracol em declarações à televisão pública, TPA.

FonteDW

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