InicioAngolaSociedadeLitígio entre médico e direcção do hospital pediátrico pode chegar a tribunal

Litígio entre médico e direcção do hospital pediátrico pode chegar a tribunal

O pediatra Adriano Manuel foi afastado do Hospital “David Bernardino”, acusado de quebrar o sigilo profissional após ter divulgado a morte de 19 crianças, num só dia, naquela unidade sanitária. Médico fala em perseguição e promete levar o assunto a tribunal, mas a direcção da instituição rejeita as acusações.

Após a denúncia da morte de 19 crianças em menos de 24 horas, no Hospital Pediátrico “David Bernardino”, o pediatra e presidente do Sindicato Nacional dos Médicos de Angola (SINMEA), Adriano Manuel, foi afastado das suas funções naquela unidade sanitária. Segundo o médico, as mortes teriam ocorrido por falta de profissionais para atenderem as vítimas.

Adriano Manuel foi afastado a 3 de Agosto, acusado pelo Ministério da Saúde (MINSA) de ter violado o “sigilo profissional” e ferido “os princípios da ética e deontologia médica”. O sindicalista foi também sancionado com um corte de 1/6 do salário durante dois meses.

“Considero isso uma perseguição”, acusa Adriano Manuel perante o Novo Jornal, ao mesmo tempo que diz ser um dos médicos que mais têm questionado sobre a gestão do hospital liderada por Francisco Nunes, nomeadamente no que diz respeito à falta de material de biossegurança na unidade hospitalar e excesso de horas de trabalho. “Não temos sequer água para beber ou pequeno-almoço”, reclama, ao acusar ainda o director do hospital de arrogância na gestão.

“Há um projecto gizado pelo MINSA na perspectiva de haver constantes processos disciplinares para culminar com a minha expulsão da função pública”, desabafa, acusando também o MINSA e a direcção do hospital de “violarem incessantemente” as normas e as leis, impedindo que o sindicato continue a trabalhar para melhorar a qualidade da prestação de serviços.

O responsável alega que o processo que sofre está eivado de irregularidades que vão ser contestadas em tribunal. Enquanto recorre, o médico aguarda pelo pronunciamento dos Recursos Humanos do MINSA, para saber onde será o seu próximo posto de trabalho.

Direcção do hospital diz que o médico violou sigilo profissional

Ouvido pelo NJ, o director do “David Bernardino”, Francisco Nunes, conta que o médico foi afastado do hospital após um processo disciplinar, sendo após transferido para a Direcção Nacional dos Recursos Humanos do MINSA para uma nova colocação.

“Existem regras para a comunicação de informação no hospital. Não é qualquer funcionário que vai à imprensa comunicar os dados estatísticos sem autorização. Isso não se faz. Seja quem for”, assegura.

Francisco Nunes afasta as acusações de perseguição ao líder do SINMEA e afirma que o processo que pesa sobre Adriano Manuel foi feito enquanto profissional do hospital e não como sindicalista.

“Em nenhuma ocasião, o hospital impôs um processo disciplinar ao presidente do SINMEA, mas, sim, ao funcionário do hospital”, descreve, afirmando que o médico estava a “sindicalizar o problema”.

“Sendo funcionário do hospital, não tem que divulgar os dados à comunicação social”, reforça.

FonteNJ

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