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Presidente Idriss Deby declara que luta contra Boko Haram será longa

Entrevistado pela RFI, o Presidente do Chade, Idriss Déby, declarou que apesar da operação iniciada em Março e concluída em Abril pelas forças armadas chadianas contra os jihadistas do grupo nigeriano Boko Haram, este último não será neutralizado a médio prazo. Déby considerou que os países da região do lago do Chade terão de ser pacientes na sua luta contra os jihadistas.

Referindo-se aos membros de Boko Haram presos no Chade, Déby afirmou que pessoas armadas e activas não podem ser qualificadas de civis.

De acordo com o Presidente do Chade, Idriss Déby, o grupo de jihadistas nigeriano, Boko Haram, continua a provocar muitos danos na região do Lago do Chade.

Numa entrevista concedida à RFI (Radio France Internationale), o chefe de Estado chadiano, afirmou que independentemente da operação, desencadeada no dia 31 de Março e concluída a 8 de Abril, pelas forças armadas do seu país contra Boko Haram, a luta contra este último será longa.

O Chade efectuou a grande operação militar, denominada Colère de Bohoma (Fúria de Bohoma) no interior da Níger e da Nigéria, ao cabo da qual afirmara ter expulsado Boko Haram do seu território e eliminado mais de 1000 combatentes do grupo jihadista. Todavia no início do mês de Julho, pelo menos oito militares chadianos foram mortos durante um ataque do grupo jihadista em território nacional. Por outro lado, cerca de dez civis perderam a vida igualmente, como resultado de uma incursão levada a cabo pelo Boko Haram numa aldeia do Chade.

De salientar que na operação realizada em Abril pelo Exército do Chade, 58 elementos do Boko Haram foram feitos prisioneiros no decurso de combates nas redondezas do Lago Chade e posteriormente transferidos para N’Djamena, capital chadiana, para fins da investigação judicial. Quarenta e quatro dos 58 prisioneiros foram encontrados mortos, na quinta-feira de manhã, nas suas respectivas celas de prisão.

Segundo o Procurador da República do Chade, Youssouf Tom, que anunciou a notícia da morte dos jihadistas detidos,40 corpos foram enterrados e quatro submetidos ao médico legista para autópsia.

A conclusão da autópsia aponta, de acordo com o Procurador, para o consumo de uma substância letal e iatrogénica, que provocou problemas cardíacos nalguns prisioneiros e forte asfixia noutros.

O Presidente Idriss Déby explicou-se sobre o sucedido, que é objecto de um inquérito judicial, no decurso da sua entrevista com a RFI.

“Há um inquérito que foi efectuado pela instituição encarregada dos direitos humanos. Uma série de pessoas foram postas em causa. A justiça encetou um processo judicial. Então, aguardemos que a justiça termine o seu trabalho. Como dizer que são civis, pessoas que andam com armas na mão, além disso activos no terreno, duvida-se que sejam civis.

“O exército chadiano não tem o hábito de matar civis, em todas as suas operações que ele realiza. Faz parte da nossa história. É história do exército chdiano”, Presidente do Chade Idriss Déby.

O secretário-geral da Convenção chadiana de Defesa dos Direitos Humanos (CTDDH), Mahamat Nour Ahmed Ibedou, contesta a explicação dada pelas autoridades chadianas e acusa os dirigentes penitenciários do Chade de terem fechado os prisioneiros numa pequena cela e de os deixar morrer de fome durante três meses porque eles eram acusados de serem membros do Boko Haram.

Por intermédio do ministro da Justiça, Djimet Arabi, o governo chadiano desmentiu formalmente as acusações veiculadas pela CTDDH.

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