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Juan Carlos, rei emérito de Espanha suspeito de corrupção, exílio ou fuga

Suspeito de corrupção pela Arábia Saudita, o rei emérito de Espanha Juan Carlos I, decidiu exilar-se na República Dominicana, onde já teria chegado, segundo alguma imprensa espanhola, mas o Palácio Real e o governo recusam confirmá-lo, enquanto outros órgãos de informação indicam que Juan Carlos se refugiou em Portugal, onde passou a sua infância, ou ainda em França ou Itália, onde tem família.

O rei emérito espanhol Juan Carlos I, com 82 anos de idade, envolvido num escândalo de corrupção, actualmente investigado pelo Supremo Tribuna espanhol e pela justiça suíça, anunciou nesta segunda-feira, 3 de Agosto a sua decisão de deixar a Espanha e já teria chegado à República Dominicana, segundo alguma imprensa espanhola.

Acusado de possuir contas bancárias fraudulentas em paraísos fiscais, uma situação complicada para o seu filho e actual monarca de Espanha, Felipe VI, o rei emérito decidiu deixar Espanha, o que foi saudado por todos os quadrantes políticos, mesmo se 68% dos leitores do jornal monárquico ABC consideram que a sua fuga “é uma vergonha nacional” tal como partidos nacionalistas e de esquerda, caso do partido Podemos, cujo líder Pablo Iglesias fala de uma “atitude indigna de um chefe de Estado”.

O seu exílio, foi comunicado ao seu filho, o Felipe VI, no poder desde Junho de 2014, em carta divulgada pela Casa Real nesta segunda-feira, 3 de Agosto, o nome de Juan Carlos aparece numa investigação conjunta efectuada pela procuradoria suíça e pela justiça espanhola, para determinar a origem de 100 milhões de dólares.

“Sua Majestade, querido Felipe, com o mesmo desejo de servir a Espanha, que inspirou o meu reinado e face à repercussão pública que certos eventos passados ​​na minha vida privada estão a gerar…comunico a minha decisão, reflectida, de sair de Espanha”, escreveu o soberano.

No texto, Juan Carlos, indica ter tomado esta decisão “para facilitar” o exercício das funções do monarca actual com “a tranquilidade e o sossego que a sua grande responsabilidade exige”.

Suspeita de corrupção no valor de 100 milhões de dólares

Seis anos após sua abdicação, já devido a escândalos, o rei emérito coloca a monarquia espanhola numa situação complicada, dado que em virtude da sua imunidade real, apenas o Tribunal Supremo o pode investigar, mas unicamente sobre actos cometidos após a sua abdicação em 2014, o que sucedeu no início de Junho de 2020, quando a justiça espanhola abriu um inquérito por presumível corrupção ligada à Arábia Saudita.

O Ministério Público da Suiça e a justiça da Espanha investigam desde 2018 a origem de um depósito de 100 milhões de dólares, feito pelo Ministério da Arábia Saudita em 2008 numa conta suíça da Fundação panamenha Lucum, que tem como beneficiários os réis Juan Carlos e o seu filho Felipe.

A suspeita é de que o dinheiro seja um pagamento secreto, feito pelo governo saudita como forma de retribuição do contrato assinado com um consórcio espanhol, para a construção do comboio de alta velocidade – TGV – entre Meca e Medina, inaugurado em 2018.

O ex-monarca teria recebido em 2008, 100 milhões de dólares do Rei Abdallah da Arábia Saudita, segundo o jornal Tribuna de Genebra, que avança que a soma foi transferida para uma conta na Suiça da fundação panamenha Lucum.

Mas a partir destas revelações o rei Felipe VI retirou ao seu pai uma doação anual do Palácio Real de mais de 194.000 euros anuais, para “preservar a exemplaridade da Coroa”.

O nome do rei Juan Carlos apareceu a partir de registos áudio efectuados por um antigo policia com a ex-amante de Juan Carlos, Corinna Larsen.

Nalgumas das conversas gravadas em 2015, Corinna afirma que o rei emérito teria recebido dinheiro saudita e ainda conta que um dos primos do monarca, Álvaro Órleans, seria o seu testa de ferro, para pagamentos ilícitos, segundo o jornal espanhol El Pais.

Órleans, por meio de uma fundação com sede no Luxemburgo, teria pago milhões de euros em voos para o casal, segundo uma investigação suíça sobre branqueamento de capitais.

O rei emérito não é ainda investigado pela justiça suíça, embora, segundo o jornal El Pais, fontes judiciais não descartem que ele o venha a ser no futuro.

Em Espanha, em Junho, a procuradora-geral do Estado, Dolores Delgado, pediu que o Supremo Tribunal determine se há indícios suficientes, de que o chefe de Estado anterior possa ter cometido lavagem de dinheiro e crime fiscal.

Apesar do anúncio de saída do país, o advogado do rei emérito, Javier Sánchez-Junco, emitiu um comunicado assegurando que o seu cliente “permanece à disposição” da Justiça.

Fuga ou Exílio?

Em resposta ao anúncio de Juan Carlos, o rei Felipe VI transmitiu ao seu pai “seu sincero respeito e gratidão pela sua decisão”.

O comunicado real termina com um parágrafo no qual o rei enfatiza “a importância histórica do reinado de seu pai, como um legado e trabalho político e institucional de serviço à Espanha e à democracia”.

O primeiro-ministro Pedro Sanchez deixou entender esta terça-feira (4/08) em conferência de imprensa que o rei Felipe VI forçou o seu pais a exilar-se devido às suspeitas de corrupção e afirmou “respeitar a decisão da Casa Real de se distanciar da conduta presumível, contestável e repreensível de um dos seus membros”.

Em Fevereiro de 1981, o rei Juan Carlos fez abortar uma tentativa de golpe de Estado militar e conseguiu preservar a democracia no país e fugindo 39 anos depois presta um “grande serviço à Espanha” e “protege a instituição monárquica” defende o editorialista Luis Maria Anson, resumindo o sentimento maioritário em Espanha.

Espanha dividida entre aplausos e indignação após exílio Rei Juan Carlos I

Apesar de o seu advogado ter garantido que o rei emérito não está a fugir à justiça, Juan Carlos I, acusado de corrupção, afirma ter decidido exilar-se para “facilitar o exercício das funções do seu filho” o rei Felipe VI, enquanto para muitos a exílio é bem-vindo, porque a sua permanência em Espanha “suja” a monarquia.

A rainha emérita Sofia, sua esposa, de quem Juan Carlos está separado há vários anos, não o seguiu no exílio ou fuga.

Escândalos envolvendo Juan Carlos

Juan Carlos I subiu ao trono em 1975, na sequência da morte do ditador Francisco Franco, que o tinha escolhido para lhe suceder e conduziu a transição do país para a democracia, tendo sido muito popular até ao seu reinado ter sido manchado pelas suas ligações amorosas e suspeitas de corrupção.

A imagem pessoal de Juan Carlos de Bourbon foi muito abalada por vários escândalos antes da sua abdicação em 2014, como quando ele partiu a anca numa caça ao elefante no Botswana em 2012, durante um safari de luxo, pago por um empresário saudita.

Ele estava acompanhado pela ex-amante Corinna Larsen, em pelancrise de austeridade económica em Espanha.

Após este episódio polémico houve o escândalo de corrupção que levou seu genro Iñaki rdangarin à prisão.

Com sua reputação prejudicada, Juan Carlos cedeu a coroa ao filho em 2014, antes de se aposentar da vida pública em 2019.

No entanto, as suspeitas sobre sua fortuna cresceram nos últimos anos, decorrentes de seus laços com as monarquias do Golfo.

Antes das novas revelações deste ano, Felipe VI procurou distanciar-se do seu antecessor e anunciou em Março que renunciava à herança do seu pai e retirou_lhe a sua pensão anual de cerca de 200.000 euros.

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FonteRFI
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