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Singelo tributo ao cantor e compositor Diana Simão Nsimba (1946-2011)

Voz representativa do “Período do Retorno” da Música Popular Angolana e um dos fundadores do agrupamento Olímpia, Diana Simão Nsimba teve o mérito de integrar a Orquestra África Fiesta Nacional, liderada por Tabuley Rochereau.

Depois da proclamação da independência de Angola, muitos patriotas emigrados no Congo Democrático, retornaram à pátria, dando corpo ao “Período do Retorno”, movimento de suma importância na história da Música Popular Angolana, assim designado pelo facto de terem sido apelidados de “retornados”, muitas vezes com sentido pejorativo, os angolanos oriundos do então Zaíre.

Destacaram-se nesta época, que vai de 1976 a 1979, os cantores e compositores, Matadidi Mário Bwana Kitoko, um dos mais importantes, o duo constituído por Pepé Pepito e Nonó Manuela, Tabonta, e Diana Simão Nsimba, figuras de forte intervenção musical, no domínio da canção política.

Tabonta, por exemplo, é o autor do tema, “Wele Neto” (Neto desapareceu), uma das mais belas canções interpretadas em Kikongo, que homenageia a figura de Agostinho Neto, em que o cantor lamenta, de forma profundamente poética, o trágico desaparecimento do primeiro Presidente de Angola.

Diana Simão Nsimba nasceu no dia 3 de Julho de 1946, em Maquela do Zombo, e, aos oito anos, partiu para a República Democrática do Congo com os pais, onde prosseguiu os estudos primários na Escola Católica São Paulo, no Quartier Barumbú, em Kinshasa.

Descoberto por Sam Mangwana, que o apresenta a Tabuley Rochereau, Diana Simão Nsimba demonstrou os seus dotes de compositor, primeiro, e só mais tarde veio a revelar os seus atributos, enquanto intérprete, tinha então dezasseis anos de idade.

Oriundo de uma família camponesa, Diana Simão Nsimba recebeu uma educação de forte pendor religioso, absorvendo o misticismo da cultura rural, com os seus cantos de celebração ritualística, enquanto a mãe cantava nos momentos de labor agrícola.

Tabuley Rochereau aconselhou o Diana Simão Nsimba a interpretar as suas próprias composições, uma das quais, “Libala a huit heures de temps” (Casamento de oito horas), e recebeu, para além do conselho, o nome artístico, homónimo a uma canção de amor, de Tabuley, que, frequentemente, Diana Simão Nsimba interpretava.

Orquestras Com o surgimento das academias de música e a evolução das tecnologias de gravação, duas ocorrências que foram criadas e desenvolvidas na época da colonização belga, em 1950, Kinshasa e Brazzaville tornaram-se dois pólos culturalmente associados, propiciando a aparição de importantes orquestras.

É assim que surgem no cenário musical do então Zaíre, a Orquestra OK Jazz, fundada por Nino Malapet, African Jazz, African Fiesta Internacional, e a Orquestre Afrisa Internacional, de Tabuley Rochereau e Dr. Nico, formações musicais que vieram a influenciar, de igual modo, importantes guitarristas angolanos.

Muitos dos cantores, compositores e instrumentistas mais influentes da história do Congo Democrático, surgiram das grandes bandas, incluindo o cantor e compositor, Samangwana, fundador da African All Stars, Ndombe Opetum, Vicky Longomba, Dizzy Madjeku, Kiamanguana Verckys. Foi a época do desenvolvimento da rumba e da generalidade do ritmo soukous, designação que tem um significado muito mais amplo e refere-se, igualmente, à generalidade da música congolesa.

Diana Simão Nsimba passou então a integrar a Orquestra África Fiesta Nacional, liderada por Tabuley Rochereau, onde permanece de 1968 a 1970, contra a vontade do seu pai, que o queria mais devotado aos estudos.

Decidido a ser cantor, integrou ainda, como vocal, a Orquestra Les Grands Maquisards do célebre Ntesa Dalienst, em 1972, que integrava o Lokombé e André Kiesse Diambu (vocal), Jeannot Mboko, Maubert e Jean Marie Kabongo (trompetes), Dizzy Mandjeku e Augustin Nsingi Mageda (guitarrista solo), Basile Loulou (vocal música pop), Kalambayi (guitarrista), Michel Sax (saxofone), Dave Makondelé (guitarra), Domsis (tumba), Franck Nkodia (guitarra baixo) e Tambu (bateria) onde permaneceu durante dois anos, e retomou ao Afrisa – a nova designação do grupo de Tabuley Rochereau.

Cidadela Convidado pelo cantor El Belo, do agrupamento Kissanguela, Diana Simão Nsimba participou no grande espectáculo comemorativo do primeiro aniversário da Independência de Angola na Cidadela Desportiva, com o agrupamento Inter-Palanca, em 1976.

Nesta época, eclodiram os grandes sucessos de Matadidi Mário Bwana Kitoko, com destaque para os temas, “Café”, “Obrigado Agostinho Neto”, “Valódia”, “Ba Kokossa” e “Muana Angola”.

Decidido a formar a sua própria banda, Diana Simão Nsimba abandonou o Inter-Palanca, e fundou o agrupamento Olímpia com o Gingle (viola baixo), Kinaló (viola ritmo), Mengue (guitarra solo), Kokoló (bateria), Fifi e Murra (vozes).

Olímpia Os primeiros sinais de declínio da orquestra Olímpia começaram a surgir em 1986, por uma natural desintegração interna, contudo, é justo recordar as canções “Canducha”, “Bolingó Passi”, “Marguerida” e “Sim Sinhola”, temas que Diana imortalizou com o inapagável tenor da sua belíssima voz.

A inclusão da experiência dos instrumentistas oriundos do Congo Democrático na generalidade dos conjuntos angolanos, revolucionou a estética de muitos grupos paradigmáticos da Música Angolana, com destaque para os Kiezos, Jovens do Prenda e Instrumental 1º de Maio, este último formado maioritariamente por compatriotas oriundos do Congo Democrático, sobretudo na secção dos metais, onde o Diana Simão Nsimba teve uma passagem efémera.

A reconstituição histórica da Música Popular Angolana passa, necessariamente, pela alusão ao “Período do Retorno”, entendido como importante fase de prolífica criação artística, da qual Diana Simão Nsimba foi uma figura de relevo e de inquestionável importância.

Na verdade, o sentimento nostálgico e a emoção da liberdade, causada pela independência de Angola, constituíram os motivos inspiradores de um movimento artístico virtuoso, de grande impacto na história social da Música Popular Angolana.

Morte

Desmotivado e sem capacidade financeira para gravar, embora tenha sido a sua intenção nos derradeiros momentos da sua vida, Diana Nsimba Simão sofria, há cerca de cinco anos, de visão monocular, e denotava sinais de desequilíbrio do foro psicológico, tendo falecido no dia 29 de Agosto de 2011, as 16h:00, provavelmente por suicídio, na sequência de uma queda do quarto andar do edifício onde morava.

Diana estava afastado dos palcos e tencionava participar no Muzongué da Tradição do Centro Recreativo e Cultural Kilamba, que seria realizado em homenagem à banda “Olímpia”.

A comissão directiva da UNAC, União Nacional dos Artistas e Compositores, emitiu uma nota a lamentar o incidente, destacando a importância do artista e valorizando o conjunto da sua obra, considerando-o “um dos mais exímios intérpretes e compositores nacionais, e ilustre figura que dedicou boa parte da vida à promoção e valorização da música angolana”.

Diana Simão Nsimba foi um dos convidados no primeiro aniversário do “Muzonguê da tradição”, no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, realizado no dia 11 de Fevereiro de 2007.

Na ocasião interpretou os sucessos “Margarida”, “Pakita”, “Bongolola”, “Ana”, “Beto na Beto”, “Canducha”, “Valódia”, “Pongolola”, “Laurete”, “Bolingó Passi”, “Homenagem a Franco”, “Mena” e “Sim Senhora”, tendo recordado os tempos da rumba congolesa acompanhado pela Banda Olímpia. Participaram no concerto, o agrupamento “Os Jovens do Prenda”, Calabeto e Samangwana, seu velho companheiro.

Teddy Nsingui recorda a figura de Diana Simão Nsimba

Teddy Simão Nsingui, ex-Inter Palanca, actual guitarrista da Banda Movimento e um dos instrumentistas mais solicitados no escasso mercado de instrumentistas angolanos, recordou a figura de Diana Simão Nsimba nos seguintes termos, “Ainda no Congo Democrático, eu seguia o trabalho musical desenvolvido pela orquestra “African Fiesta National”, do Tabuley Rochereau, da qual o Diana Simão Nsimba fez parte, tendo sido um dos seus mais proeminentes compositores e vocalista de grande mérito. Quando preparámos o nosso regresso a Angola, entrei com o

Diana Simão Nsimba, e chegámos a Luanda no dia 30 de Setembro de 1976, pela fronteira de “Kimbata”. Na condição de guitarra solo, convidado pelo Matadidi Mário Bwana Kitoko, fiz parte de um grupo de seis músicos que incluía o baixista Mog, os trompetistas Sassa e Domé, o baterista Mick Jagger, e os vocalistas Mustang e Diana, membros que constituíram a primeira formação do Inter-Palanca. Depois juntou-se o Kinito, “tambores de fogo”, do África Ritmos, e o Timex, proveniente de Cabinda, na viola ritmo.

Diana Simão Nsimba para além de detentor de uma excelente voz, reconhecida por todos, foi um grande compositor e todo mundo sabe disso. Sinto-me orgulhoso, e recordo esta ocorrência com imensa nostalgia e tristeza, por ter acompanhado uma das primeiras músicas de Diana, “Valódia”, e depois a canção “Angola Nova”, dois temas que tiveram enorme sucesso, na época efervescente da canção política.

Sinto-me consternado e lamento a morte do meu amigo e colega, Diana Simão, um verdadeiro artista que merece ser recordado. É justo enaltecer, de forma digna, a sua memória”.

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