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IURD: “Ala brasileira” promove manifestação em Luanda

Mais de 100 obreiros da Igreja Universal do Reino de Deus, afectos à “ala brasileira”, juntaram-se ontem defronte à Catedral do Maculusso, em Luanda, para manifestar-se contra as reformas em curso.

Em declarações ao Jornal de Angola, o obreiro Fernando Isalino explicou que a manifestação tinha como objectivo repudiar a reforma que está a ser exigida por pastores angolanos. “Se fizeram queixa, então que aguardem pela decisão, se a justiça do homem falhar devem aguardar pela justiça de Deus, pois é isso que vinham nos ensinando nos últimos 20 anos”, disse.

De acordo com Fernando Isalino, líder dos obreiros presentes na manifestação do Maculusso, os pastores angolanos estão a ser apoiados por pessoas com interesses inconfessos, que querem dividir a Igreja Universal do Reino de Deus, hoje presente em mais de 130 países.

Questionado sobre a veracidade das reclamações que estão a ser apresentadas pelos pastores angolanos, em relação ao racismo, vasectomia, pressão psicológica e evasão de divisas, Fernando Isalino desafiou os pastores angolanos a apresentar provas palpáveis.

Para o pastor angolano Alberto Segunda, que integra a “ala brasileira”, com passagens pelo Brasil, Costa do Marfim e Moçambique, a atitude dos seus conterrâneos é incorrecta, “pois os pastores angolanos não deviam invadir os templos da igreja e residências”.

Contactados pelo Jornal de Angola para reagir ao sucedido na Catedral do Maculusso, o pastor Ernesto Vidal, que integra o grupo de 300 pastores angolanos que aderiram à reforma, disse que os obreiros que estão a participar destas e outras manifestações que a “ala brasileira” está a organizar são homens e mulheres que não conhecem os segredos da igreja, quando as portas se fecham.

“Esta meia dúzia de obreiros que está a participar destas manifestações não conhece os verdadeiros segredos por trás do altar da igreja, quando todo o mundo vai para casa, nós, que estamos deste lado, cansamos de dizer chega de sofrer”. O pastor Ernesto Vidal explicou que a igreja conta com aproximadamente nove mil obreiros, dos quais perto de oito mil em Luanda e nesta altura os seguidores dos brasileiros estão a reduzir, à medida em que vão conhecendo a verdade.

“Tal como eles, nós também confiávamos no Bispo Edir Macedo e chegou a hora de dizer basta ao racismo, vasectomia, evasão de divisas e pressão em relação aos propósitos e fogueiras santas, onde os crentes eram quase que obrigados a entregar tudo. Queremos recuperar a verdadeira identidade da igreja, que passa pelo anúncio do evangelho de Cristo, sem quaisquer interesses inconfessos”, reforçou.

O pastor Ernesto Vidal explicou ao Jornal de Angola que recentemente viu o bispo Honorilton Gonçalves a destruir a Igreja Universal do Reino Deus em Moçambique, onde fechou mais de 50 templos e expulsou perto de 150 pastores da obra, razão pela qual aderiu à reforma em curso em Angola, tão logo chegou de Moçambique, em Janeiro deste ano.

“Os angolanos estão a ser mais fortes em relação aos pastores moçambicanos, que podem vir a mudar de posição, depois de darem conta dos passos dados pelos pastores angolanos. Não é possível que os pastores moçambicanos, angolanos e santomenses estejam todos errados e apenas o Bispo Edir Macedo e Honorilton estejam certos.

Sílvia André, esposa do pastor Genésio Mauango, da ala reformista, pediu aos angolanos para não olharem para os pastores que estão a reclamar pelos seus direitos como rebeldes, mas sim pessoas que estão a lutar para uma igreja mais justa.

Domingas Paulo, obreira e esposa de um pastor angolano, contou ao Jornal de Angola que o seu esposo, depois de tanta humilhação, por engravidar do primeiro filho, aderiu à vasectomia e um ano depois foi expulso da obra, pelo Bispo Honorilton, por realizar caminhada no Morro dos Veados.

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