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Iémen: separatistas do sul anunciam reconciliação com o governo

Os separatistas do sul do Iémen anunciaram ter renunciado à sua autonomia, 3 meses depois de decretá-la, pondo fim a um litígio com os seus aliados do governo com quem têm estado envolvidos lado a lado no combate contra os rebeldes Hutis.

A confirmar-se, aquela que era uma “guerra dentro da guerra” poderia estar perto do fim, depois de os separatistas do Conselho de Transição do Sul (STC) anunciarem esta quarta-feira que desistem da autonomia decretada unilateralmente no passado 26 de Abril, sendo que se comprometem a implementar o acordo de partilha do poder com o governo do qual são aliados no conflito principal que dilacera o país, a luta contra os rebeldes Hutis que controlam o norte do Iémen.

Esta decisão surge na sequência de uma mediação conduzida pela Arábia Saudita, país que lidera a coligação internacional que apoia o governo do Iémen no combate contra os Hutis, por sua vez apoiados pelo Irão. De acordo com o plano proposto pelos sauditas e agora validado pelos separatistas do sul, o Primeiro-ministro iemenita deve formar um novo governo no prazo de 30 dias e deve nomear um novo governador em Aden, capital provisória do país onde estão baseados os separatistas, o que a prazo deveria “acelerar” a implementação do chamado “Acordo de Riade” assinado em Novembro de 2019 que prevê a partilha do poder entre ambas as partes.

Ao saudar o anúncio feito hoje pelos separatistas do sul, o executivo saudita falou em “passo positivo” enquanto o governo iemenita expressava a esperança de um “início sério e verdadeiro” para a aplicação do acordo de Riade. Exilado na Arábia Saudita, o Presidente iemenita Abd Rabbo Mansour Hadi, anunciou por sua vez a nomeação de um novo comandante da polícia e de um novo governador em Aden. A exoneração pelo chefe de Estado em finais de Abril 2017 do então governador de Aden, o líder separatista Aidarous Al Zoubaïdi, tinha contribuído para agudizar ainda mais os antagonismos entre os dois campos aliados.

A confirmar-se esta reconciliação, abre-se a possibilidade para o governo iemenita, os separatistas do sul e a coligação encabeçada pela Arábia Saudita, de se concentrarem novamente na guerra contra os Hutis, com os quais apesar de algumas tréguas o conflito não parece -para já- estar perto do fim. Este conflito que dura há mais de cinco anos provocou, segundo a ONU, dezenas de milhares de mortos e a pior crise humanitária actualmente vigente no mundo.

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FonteRFI
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