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Activistas convocam protestos após morte de actor de origem guineense em Portugal

Protestos de repúdio ao assassinato do actor Bruno Candé são convocados em Portugal. Família está indignada com o silêncio do Governo português e chocada com a brutalidade do crime: “Disse que a mãe estava numa sanzala”.

Flores, velas, mensagens de pesar e consolo à família são vistas no sítio onde Bruno Candé Marques costumava estar sentado com sua cadela Pepa. O assassinato do actor de origem guineense na movimentada Avenida de Moscavide, na periferia da capital portuguesa, chocou a sociedade lisboeta e intensificou o debate sobre o racismo no país.

O actor de 39 anos estava ligado à companhia de teatro Casa Conveniente. Candé foi morto a tiros no último sábado (25.07) e deixou três filhos. Um homem está em prisão preventiva por homicídio qualificado e posse de arma ilegal. Trata-se de um enfermeiro reformado, de 76 anos, com quem Bruno Candé terá discutido dias antes por causa de sua cadela. Na ocasião, o suspeito teria desferido insultos racistas e ameaçado Candé, afirmando que tinha “armas do Ultramar” e que iria matá-lo – conforme publica a imprensa portuguesa.

No local das homenagens, as pessoas param por curiosidade ou respeito à memória do actor morto. “Era uma pessoa super educada. Nunca tive grandes conversas com ele. Somente bom dia, boa tarde… Quando soube [da morte] vim aqui saber com a polícia o que é que tinha acontecido à cadelinha e disseram-me que ela tinha fugido com o barulho dos tiros. Estou muito chocada e triste”, diz uma moradora que costuma sair à rua para passear com o cão e assim conheceu Candé.

A indignação da família

Filho de pai e mãe guineenses, Bruno Candé tinha cidadania portuguesa. A família está inconformada com o assassinato e exige justiça. Quando soube do crime, a sobrinha da vítima, Andreia Araújo, foi à Moscavide para tentar perceber o que tinha acontecido.

“As pessoas começaram a explicar que foi um senhor já de idade que deu-lhe quatro tiros e que foi por causa da cadela Pepa. As razões – o que eu me apercebi – é que ele insultou o Bruno de preto, insultou a mãe… Disse que a mãe estava numa sanzala”.

Embora saliente que não estava no local no momento do assassinato, Araújo acredita que houve atitudes racistas por parte do atirador porque testemunhas disseram isso. Para ela, o tio ficou com o “sangue quente” e se exaltou. Como o “senhor já estava armado, fez isso”.

A sobrinha lamentou que, 72 horas depois do assassinato, nenhum representante do Governo português ou das estruturas do poder contactou a família para prestar conforto ou apoio psicológico. “Que a justiça seja feita e que isto pare por aqui”, pede.

Motivação racista?

Próximo ao café que o actor costumava frequentar, várias pessoas param a lamentar o assassinato do actor português, filho de imigrantes da Guiné Bissau. De acordo com os relatos de testemunhas locais, veiculados pela imprensa portuguesa, houve insultos racistas contra Bruno Candé por parte do referido homem constituído arguido.

O autor dos disparos, em prisão preventiva por homicídio qualificado e posse de arma ilegal. A vizinha que encontrava Candé quando passeava com o cão não contesta as testemunhas que dizem que o crime tem motivação racista. “Eu li as coisas que disseram nas notícias e as palavras do senhor antes de atirar eu não quero repetir, mas foram todas de índole racista”, disse a moradora do bairro.

A angolana Noémia António foi ao sítio render homenagem a Candé. Diz-se alarmada face aos vários episódios de racismo em Portugal, que acabam em mortes de cidadãos negros. “Os últimos casos que têm acontecido são de racismo. Não consigo perceber porque é que até hoje o racismo existe. É algo que deixa-me muito triste por eu ser negra também e deixa-me assustada porque já há muito tempo que existe isso, mas até hoje não foi quebrado”, lamenta.

“Acho que não existe racismo”

A amiga e conterrânea de Noémia, que prefere não ser identificada, é cautelosa quanto ao rótulo de crime de índole racista. Racismo existe, sim. Mas, para dizer se foi ou não, nós tínhamos que saber qual foi a atitude dele [Bruno Candé] e qual foi a atitude da outra pessoa que o fez morrer. Era isso que nós tínhamos que saber e nós não sabemos”, pondera.

Fernando Gomes – um português que viveu em Angola no período colonial e que frequentemente via Candé – nega a versão dos que dizem que foi racismo. “Eu acho que não existe racismo. Por exemplo, vivi em Angola e não tenho nada de racismo. Aliás, eu dou-me bem com toda a gente. Para mim não foi um crime [racista], embora ele, o velho, tenha evocado isso. Mas o velho era passado, era maluco, segundo dizem”, opina Gomes.

Um grupo de afrodescendentes está a organizar uma vigília em razão da morte do ator. Nesta sexta-feira (31.07), no Largo de São Domingos, em Lisboa, tem lugar uma acção de rua em homenagem a Candé. Os organizadores da manifestação exigem justiça. Eventos semelhantes ocorrem em Coimbra, Braga e Porto também no sábado.

A ONG SOS Racismo divulgou um comunicado a salientar que este seria mais um crime de cunho racista. “O carácter premeditado do assassinato não deixa margem para dúvidas de que se trata de um crime com motivações de ódio racial”, refere o texto. A SOS Racismo pede que este não seja mais um crime contra negros sem qualquer consequência em Portugal.

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FonteDW
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