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Estudante angolano na Argélia tenta suicídio por perder a bolsa de estudo

Um angolano bolseiro do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE), na República da Argélia, tentou, na passada quinta-feira, 24, o suicídio, por ter perdido a bolsa de estudo no ano passado e por estar a passar por uma situação difícil na cidade de Tizi Ouzou. Ao Novo Jornal, a direcção do INAGBE diz que o estudante não está sob sua responsabilidade há dois anos, mas promete tentar ajudar.

Adnir Fernandes, estudante finalista no curso de economia, tentou o suicídio no dia 24 desde mês, cortando os pulsos e o pescoço com uma lâmina, e tentou atirar-se de um edifício na cidade de Tizi Ouzou, para pôr fim a própria vida, alegando estar desesperado com a situação difícil que vive.

A informação foi avançada ao Novo Jornal, sob anonimato, por um estudante angolano bolseiro na capital argelina, Argel, que assegurou que o assunto chocou a classe estudantil na Argélia.

Segundo a fonte, Adnir Fernandes, o estudante angolano que tentou o suicídio, perdeu a bolsa em 2019 de forma injusta, por se ter atrasado na entrega de alguns documentos ao Sector de Apoio ao Estudantes (SEA), que lhe retirou a bolsa.

“O responsável do sector, na Argélia, por causa do atraso, considerou que o Adnir Fernandes não tinha documentos para apresentar. Então, não lhe foi permitido fazer a prova de vida e teve como resultado o corte da bolsa”, explicou a fonte, acrescentando que “isso o levou ao desespero”.

De acordo com o estudante em Argel, Adnir Fernandes, bolseiro oriundo da província do Moxico, tentou o suicídio por não ter apoio do INAGBE e dos familiares em Angola, que não têm recursos para o ajudar financeiramente, uma vez que o mesmo é órfão de pais.

“Nós aqui na Argélia estamos divididos em grupos, e maioritariamente somos de Luanda. Temos colegas de outras províncias do País cujos pais não têm mesmo possibilidade de enviar 100 dólares ao ano, e nem sabem aonde se dirigir para enviar dinheiro para os seus filhos”.

A fonte assegurou que as aulas estão paralisadas na Argélia desde o mês de Março, devido à pandemia da covid-19, e que o dinheiro que recebem do INAGBE e às vezes de familiares é simplesmente para se alimentarem.

“Estes colegas, cujas bolsas foram retiradas e os pais não têm possibilidade de os sustentarem, estão de facto a viver nas ruas e no lixo. Entre nós nos ajudamos, sim, mas não é suficiente porque a situação está complicada para todos”, sublinhou.

Adnir Fernandes, estudante do último ano do curso de economia, tentou o suicídio, cortando os pulsos sete vezes e também o pescoço com uma lâmina e ainda tentou atirar-se de um edifício do alojamento onde nos últimos dias se encontrava a viver com colegas de outras nacionalidades, na cidade de Tizi Ouzou.

INAGBE diz que estudante não é sua responsabilidade desde 2018

Em reação, o director-geral do Instituto Nacional de Gestão de Bolsas de Estudo (INAGBE), Milton da Silva Chivela, afirmou ao Novo Jornal que o estudante Adnir Fernandes já não é bolseiro do INAGBE há dois anos pelo facto de ter perdido o direito à bolsa.

“O Adnir Fernandes já não é bolseiro activo do INAGBE desde 2018, e temos informação que o mesmo ainda não terminou a licenciatura. Ele está na Argélia desde 2012, para um curso cuja formação é de três anos e oito anos depois ainda não a concluiu, não se pode dizer que perdeu a bolsa injustamente”, afirmou.

Segundo o director do INAGBE, muitos estudantes na Argélia e em outros Países perdem o direito à bolsa por insucesso académico, acrescentando que o INAGBE não tem a competência de obrigar os estudantes a regressar ao País.

O INAGBE, prossegue o responsável, “tão logo retira a bolsa providencia o bilhete de passagem para o regresso do estudante ao País, mas, se o mesmo não fizer o uso deste bilhete, o INAGBE por si só não tem como obrigar o estudante a regressar”.

De acordo com Milton Chivela, em muitos casos, os encarregados que têm possibilidades assumem as responsabilidades de alojamento e de estudo dos seus filhos, através de um termo, devidamente reconhecido pelo notário, endereçado ao INAGBE, e só assim é que a instituição permite a sua permanência.

Questionado se foi o caso do estudante Adnir Fernandes, o director do INAGBE não soube precisar por falta de elementos, mas assegurou que a instituição de que é administrador está agora a ver essa situação.

“Se o estudante tiver a situação migratória regular no País onde se encontra, as autoridades locais não têm como tirar o estudante do seu País. Nós já apresentámos essa posição ao Ministro das Relações Exteriores a pedir apoio institucional”, contou.

Milton Chivela lamentou o facto ocorrido, e avançou ao Novo Jornal que o INAGBE, através da Embaixada de Angola na Argélia, tudo está a fazer para tirar o estudante Adnir Fernandes da cidade de Tizi Ouzou, onde se encontra hospitalizado, e depois transferi-lo para a cidade de Argel para poderem acompanhá-lo melhor até que haja condições para regressar ao País.

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