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Covid-19: Governo admite problemas em conter infecções em Cabo Delgado

O Governo moçambicano admite dificuldades em conter as infecções pelo novo coronavírus em Cabo Delgado devido à movimentação de pessoas deslocadas na sequência da violência armada.

“Fizemos uma ronda pelos bairros para ver qual é a situação e constatámos que o número de pessoas na mesma casa chega a 20, 30 e até mesmo 50”, disse Armindo Ngunga, secretário de Estado da província de Cabo Delgado, citado esta quarta-feira (22.07) pelo canal privado STV.

Para o secretário, uma das maiores dificuldades que se coloca para o Executivo moçambicano no combate às infecções pelo novo coronavírus naquela província é a redução da circulação de pessoas.

A província de Cabo Delgado é desde Outubro de 2017 palco de acções de grupos armados, que, de acordo com as Nações Unidas, forçaram a fuga de 250.000 pessoas.

Em fuga pela vida

A capital provincial, Pemba, tem sido o principal refúgio para as pessoas que procuraram abrigo e segurança em Cabo Delgado, mas há quem prefira fugir para outros lugares, incluindo Nampula, província vizinha.

Parte das populações que se deslocam das zonas afectadas pela violência armada em Cabo Delgado hospedam-se em casa de amigos e familiares, observou.

“Nessas condições nem vale a pena pensar que as pessoas vão ficar em casa”, refere Ngunga.

A cidade de Pemba é o segundo ponto declarado como de transmissão comunitária do novo coronavírus, a 21 de Junho, na sequência da rápida evolução do número de infecções naquela cidade.

A província de Cabo Delgado é a segunda que regista o maior número de casos activos de infecção pelo novo coronavírus no país, com 208 casos, antecedida por Nampula, com 229.

Moçambique regista, até ao momento, um total de 1.536 casos positivos de Covid-19, 11 óbitos e 506 recuperados.

O conflito já matou, pelo menos, 1.000 pessoas, e algumas das acções dos grupos armados têm sido reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI).

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