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IURD: Angolanos denunciam difamação

A comissão de reforma da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola acusou, esta segunda-feira, a ala brasileira de promover uma campanha de difamação contra os bispos, pastores e o Estado angolano.

Em nota a que a Angop teve acesso, a parte angolana denuncia que a campanha vem sendo feita nas últimas três semanas, através da Fé Tv, da TV Zimbo, TV Record Angola e das redes sociais.

Aponta o bispo brasileiro Honorilton Gonçalves como o promotor de “desinformação, calúnias e difamação contra os pastores angolanos e contra a Televisão Pública de Angola, numa tentativa de manchar a imagem do Governo  Angolano na arena nacional e internacional”.

A comissão considera que trata-se de uma “atitude reprovável e condenável”, que “destapa” o carácter do bispo Honorilton Gonçalves da Costa e da então liderança brasileira da IURD-Angola.

A liderança brasileira e a parte angolana estão de “costas viradas”, na sequência de uma série de acusações que envolvem, entre outras, supostas práticas de racismo, pelos servidores do Brasil.

A ala angolana acusa os brasileiros e a direcção da igreja de discriminação racial, lavagem de dinheiro e branqueamento de capitais, além da evasão de divisas e da exigência da vasectomia (castração química) imposta aos bispos.

No seu comunicado, a comissão de reforma da IURD em Angola afirma que a liderança brasileira, em particular o bispo Honorilton da Costa, têm “agido com falsidade e manifesta má-fé”.

Sobre as acusações de “vandalismo” e suposta invasão dos locais de culto, os reformados adiantam que se tratou da “assunção” da gestão dos templos, pelos pastores e obreiros nacionais, em pleno exercício das suas funções eclesiásticas, na aludida instituição religiosa.

“Não houve vandalismo, nem muito menos actos de xenofobia e de violência”, contestam.

Contrariando as informações divulgadas pela ala brasileira, os reformados apresentam como prova um suposto atentado frustrado, feito por 40 indivíduos desconhecidos, fortemente armados, contra servidores angolanos.

Denunciam que os mesmos terão sido contratados pelo pastor Fernando Teixeira, pagos com dinheiro do sacrifício dos fiéis angolanos (AKz 500 mil) por cada um.

“De maneira arrogante e desrespeitosa, num dos programas exibidos na Fé Tv, o bispo Honorilton Gonçalves assumiu a autoria moral dos actos acima mencionados. Na mesma peça, afronta a Polícia Nacional, numa clara demonstração de falta de senso de responsabilidade e de um espírito conciliador”, lê-se no comunicado.

A crise na IURD Angola começou a crescer de tom a 28 de Novembro de 2019, altura em que 300 fiéis angolanos, entre pastores e bispos, acusaram, pela primeira vez, a ala brasileira.

À época, assinaram uma petição e denunciaram as supostas práticas à Procuradoria Geral da República (PGR), que instaurou um processo-crime, ainda sem resultados.

Os bispos e pastores angolanos anunciaram o seu rompimento com a direcção brasileira e com o bispo Edir Macedo, denunciando, em comunicado, entre outras práticas, uma pretensa venda de mais de metade do património da IURD Angola “sem consulta prévia”.

Depois de sete meses à espera de respostas às suas pretensões, por parte das autoridades, os mesmos endureceram o tom e  tomaram, a 22 de Junho, o controlo de 42 por cento das instalações da Igreja Universal, nas províncias de Luanda, Benguela, Huambo, Malanje, Namibe, Lunda Norte e Cuanza Sul, de um total de 270 templos erguidos pelo país. Quanto a outro tipo de património, ainda pouco se sabe.

A Igreja Universal do Reino de Deus tem estado envolvida em vários escândalos, no Brasil e em outras partes do Mundo, alguns deles julgados, inclusive, em tribunais comuns.

Em Angola, esta não é a primeira vez que a IURD é investigada pelas autoridades. Em 2013, o Governo instaurou um inquérito à igreja brasileira, na sequência da realização de uma vigília, designada “O Dia do Fim”, no Estádio Nacional da Cidadela.

A mesma ocorreu a 31 de Dezembro de 2012 e resultou na morte de 16 pessoas e mais de 120 feridos, o que levou à suspensão temporária das actividades da igreja.

Era propósito da liderança da IURD, à época dos factos, promover uma vigília para decretar o fim de vários males, como doença, miséria, desemprego, feitiçaria, inveja, problemas na família, separação, dívidas e outros.

O caso foi a julgamento em 2015, tendo como réus seis pastores brasileiros, todos absolvidos, por falta de provas que os responsabilizasse pela tragédia do culto do “Dia do Fim”.

Estiveram no banco dos réus os pastores José Augusto Dias, João António Bartolomeu, Felmer Amarildo Vitomba Batalha, Maurício do Amaral Filipe, Manuel do Rosário Mendes e Hérmogenes Barcelos Neto, este último julgado à revelia.

Na sequência da tragédia, o Governo angolano havia interditado todos os cultos e demais actividades da IURD e de outras seis igrejas evangélicas não legalizadas.

Desde então, as autoridades orientaram que a IURD estivesse sujeita a fiscalização permanente da PGR, dos ministérios do Interior, da Justiça e Direitos Humanos e da Cultura.

Dados estatísticos da IURD apontam para a existência de 512 pastores em Angola, dos quais 419 angolanos, 65 brasileiros, 24 moçambicanos e quatro são-tomenses.

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FonteANGOP
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