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Covid-19: Mundo coloca todas as fichas numa vacina rápida, mas risco é real

Se o leitor experimentar colocar num qualquer motor de busca as palavras vacina e covid-19 em simultâneo vai deparar-se com milhares de notícias sobre a iminente descoberta de uma solução eficaz para a pandemia, mas poucas as que sublinham a necessidade de conter as expectativas face ao que a ciência nos diz sobre o tempo que leva a produzir uma vacina para um coronavírus.

Provavelmente, é para as notícias menos optimistas, que não alinham na versão de que o surgimento de uma vacina eficaz contra a Covid-19 está ao virar da esquina, por semanas ou até por meses, que se deve olhar com mais atenção, porque, como lembram alguns dos mais proeminentes investigadores, produzir uma vacina até ao final do ano, apesar de existir essa promessa por parte de alguns poderosos lideres mundiais, como o Presidente dos EUA, Donald Trump, é quase impossível e se for num prazo inferior a dois anos, estaremos perante um fenómeno nunca visto.

O que se sabe hoje é que a Organização Mundial de Saúde (OMS) tem registados cerca de 160 projectos em curso para a produção de uma vacina, envolvendo as grandes farmacêuticas globais, os laboratórios de países, como na China, com recurso às instalações militares dedicadas à investigação em biossegurança e guerra biológica, ou mesmo as menos abrangentes empresas de produção de vacinas que apostam tudo em chegar ao fim do arco-íris primeiro que todos os outros para aceder ao “pote de ouro”.

Como pano de fundo para esta corrida a uma vacina, ou a um medicamento que aniquile o novo coronavírus, estão os factos mais sublinhados pela OMS e pelo seu director-geral, Tedros Adhanom Ghebreyesus: a pandemia não está a abrandar em lado nenhum, depois de uma abertura e aligeiramento dos confinamentos nas grandes economias, como a China, os EUA e os países europeus, o mundo assiste agora a um refluxo dessa abertura, não é razoável esperar uma vacina nos prazos que estão a ser anunciados, por vezes de forma irresponsável, e ainda que em algumas partes do mundo, como em África, o pior pode muito bem estar ainda para chegar.

O Inverno…

Para piorar o cenário, nos países onde a pandemia mostra estar com mais força, o Inverno regressa já dentro de semanas para complicar tudo, ainda mais; seja nos Estados Unidos, onde, por exemplo, nos últimos dias o estado da Califórnia reverteu o desconfinamento sobre os bares e restaurantes, que foram obrigados a voltar a fechar por causa de uma abrupta subida de novas infecções, na China, novos surtos estão a provocar, embora limitados, confinamentos, desde logo em Pequim, e na Europa, países como o Reino Unido, ou a Alemanha, ou até mesmo Portugal, que era, até há bem pouco tempo, um exemplo, estão a surgir como geografias com sinal vermelho e a voltar a mandar as pessoas ficarem em casa.

Parece que a derradeira esperança para impor, desta feita, um “confinamento” ao novo coronavírus, que provoca a Covid-19, é que, algures entre os quase 170 projectos de produção de uma vacina, surja uma eficaz e, com ela, a capacidade suficiente para garantir que todos têm acesso à sua dose salvadora.

Essa garantia, desde logo que vai haver uma vacina, está longe de ser factual em tão pouco tempo, e uma forma tranquilizadora da sua abrangente distribuição, é outra miragem que está a ser dispersa, para já, neste deserto de soluções para a mais grave pandemia que o mundo viu em décadas, com efeitos sanitários desastrosos – 13.323.530 de casos em todo o mundo, até às 11:35 de hoje, quarta-feira, e 578.628 mortos.

O recado que chega de Manila

O professor Eduardo Gonzalez, director de um importante projecto de investigação criado entre as Filipinas e a Coreia do Sul, na Universidade de Manila, e destacado investigador reconhecido em todo o mundo, alerta num artigo recente para a possibilidade de os anúncios extemporâneos de iminente surgimento de uma vacina poderem “fazer mais mal que bem”.

Isto, porque, segundo este cientista, este tipo de anúncios podem levar as pessoas a, perante miragem de uma iminente produção de uma solução para a doença, baixar as armas quando, na verdade, o indicado, neste momento, é aprender a conviver com este vírus mortal.

Admite que, inevitavelmente, vai surgir uma vacina, mas defende que não é de esperar que isso suceda nos prazos que estão a ser noticiados um pouco por todo o mundo.

Explica este investigador que a produção de uma vacina é um muito complexo processo com múltiplos estádios, desde logo três essenciais: a identificação do antigénio, que são as partes enfraquecidas do vírus, a sua incorporação na candidata a vacina, a cultura destes em laboratório e, depois os testes em animais, que é quando se tem ideia de que este elemento candidato a uma vacina produz, de facto, imunidade.

Seguem-se, depois, mais três fases de testes clínicos, que definem a segurança em testes em humanos, primeiro em pequenos grupos para verificar a segurança e a capacidade de resposta imunitária – imunogenicidade – em adultos, depois em grupos especiais da comunidade e depois na população em geral, quando já se tem uma ideia clara dos efeitos secundários e a eficácia da vacina, que só entra em produção depois de devidamente aprovada pelas instâncias internacionais, como a norte-americana FDA.

Isto, porque, explica ainda Eduardo Gonzales, outra forma e método, encurtando prazos, de produção de uma vacina, implica riscos enormes e, lembra igualmente, o surgimento de uma vacina, não é garante de erradicação da doença, porque, atira como exemplo, o sarampo é uma doença para a qual há vacina desde os anos de 1960 e ainda não está totalmente controlada em muitas partes do mundo, mantendo-se como uma ameaça séria.

Nunca se investiu tanto em tão pouco tempo

Porém, lembram outros especialistas, nunca o mundo viu um momento como este, em que tanto dinheiro e esforço humano foi investido na produção de uma vacina, especialmente porque a Covid-19, gerada pelo coronavírus SARS-CoV-2, se tem revelado como a doença que menos “respeita” a condição social dos infectados, atingindo tanto operários de fábricas como lideres de países, como é disso exemplo, no caso mais recente conhecido, do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ou de figuras famosas do “jet set” internacional.

E a própria OMS mostra aceitar que essa possibilidade existe, desde logo por anunciar que das 160 possibilidades, pelo menos duas dezenas estão já em fase de testes voluntários em pessoas, existindo mesmo uma que a China já autorizou a sua utilização em humanos de forma abrangente, incluindo os milhões de elementos das suas Forças Armadas.

Já no que diz respeito ao acesso à vacina, quando esta estiver testada e aprovada para uso generalizado em humanos, alguns países já avançaram para a sua aquisição antecipada aos milhões de doses, enquanto outros, menos robustos financeiramente, seguiram outro caminho, que foi disponibilizarem as suas comunidades para que as farmacêuticas e laboratórios internacionais realizem a fase de testes em humanos, como é o caso da África do Sul.

África é, alias, o continente que mais gera inquietações entre os elementos da OMS, porque é aqui que existe menor músculo financeiro, tendo a União Africana optado por criar uma plataforma online alargada onde os países africanos deverão unir esforços para adquirir vacinas nos mercados internacionais, tendo em conta que a disputa pelas primeiras doses vai ser renhida e dura, o que levou alguns organismos internacionais a chamar a atenção para o risco que os mais pobres correm de ficar para trás.

Mas a esperança começa a surgir em alguns países considerados mais ricos, como é o caso da União Europeia, que disponibilizou largas dezenas de milhões de euros para investigação sob o pressuposto de que a vacina criada com esse dinheiro será distribuída de forma coerente por todos aqueles que dela careçam e a ela não possam aceder pelas vias normais, ao contrário dos EUA de Donald Trump, que está já a tentar açambarcar por antecipação aquelas que são mais promissoras para surgirem mais rápido no mercado.

Recorde-se que a OMS estima, desde o início da pandemia, que uma vacina deverá estar disponível entre 12 a 18 meses, o que significaria que até Junho/Julho de 2021, se esta agência da ONU estiver certa, poderá estar disponível a arma para destruir o “inimigo público número 1” da humanidade, como lhe chamou Tedros Adhanom Ghebreyesus.

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FonteNJ
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