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Versatilidade e inovação na produção musical de Nino Jazz

As propostas inovadoras do trabalho desenvolvido pelo pianista Nino Jazz devem ser entendidas no interior da renovação estética da Música Popular Angolana, numa linha de continuidade da obra deixada pelo cantor e compositor André Mingas e assegurada, na actualidade, pelo trabalho que vem sendo desenvolvido por Filipe Mukenga, entre outras referências da música angolana, aberta ao mundo.

Nino Jazz fez uma abordagem sobre a discografia que marcou o início da sua carreira musical, “De facto, ouvi durante muito tempo o CD “Coisas da Vida”, 1991, de André Mingas. À época, não existiam as actuais redes sociais e chegou-me uma cópia que escutava, freneticamente, todas as semanas do ano, isto em 2004.Curiosamente, eu já tentava relacionar os andamentos da Massemba com o Afro-jazz, e o exemplo mais próximo e acabado que possuía, era este CD, maravilhoso, do saudoso André Mingas. Há um outro disco, “Novo Som”, 1990, do Filipe Mukenga que, embora não me tenha influenciado directamente, fez parte da minha discografia referencial.”

Na verdade, estamos em presença de um movimento musical da nova geração de cantores, compositores, instrumentistas e intérpretes que, embora o seu trabalho esteja assente nas referências da Música Popular Angolana e nas raízes do cancioneiro da música tradicional, reinventa o legado e absorve as técnicas musicais de outras latitudes.

Fervoroso autodidacta, Nino Jazz aprendeu a explorar a primeira escala, em Dó maior, com João Paulo, integrante do grupo O2, no dia 1 de Janeiro de 2000. “Na verdade lembro-me da data como se fosse hoje”, referiu nostálgico, o pianista. Ainda no mesmo ano, Nino Jazz fez parte da digressão de estreia do álbum “Bye Bye N’Sex Love” dos O2, por várias províncias de Angola. De 2003 a 2004, Nino Jazz, teclas, foi convidado a integrar a banda “Wana Groove”, formação musical residente no Restaurante Miami Beach, na Ilha de Luanda, com Vando Moreira, viola baixo, Kizua Gourgel, voz e guitarra, e Hélio Cruz, na bateria.

Nino Jazz participou em três edições das comemorações do Dia Mundial do Jazz, de 2017 a 2019, em Luanda, com o quarteto “Etokeku Jazz”, com Kris Kasinjombela, no baixo, Mário Gomes, guitarra, com Dilson Peter, Ivan Campillo e Jack da Costa, na bateria.

Filho de José António de Sousa e de Adriana Otília Teresa Tito, Adilson Tito de Sousa, conhecido no meio artístico por Nino Jazz, nasceu na cidade do Lubango no dia 3 de Abril de 1980.

Produção
No decorrer da sua carreira, Nino Jazz tornou-se muito solicitado, ao nível da produção e direcção artística, pela qualidade estética dos seus arranjos e prestação técnica como instrumentista. A sua carteira como produtor, inclui a solicitação dos cantores e compositores Filipe Mukenga e Filipe Zau, com a produção de sete temas do CD “Canto segundo da Sereia”, 2013, Gabriel Tchiema, “Azulula”, 2009, Totó ST, quatro temas em “Batata quente”, Ndaka Yo Wiñi, no álbum “Olukwembo”, 2018, do qual produziu dois temas “Ohele” e “Tchove Tchove”, Sandra Cordeiro, produção integral do CD,“Tatá Nzambi”, 2008, e “Luandense”, 2012, com quatro temas produzidos, e Anabela Aya, cinco temas, no CD, “Kuamelali”, em 2018.
Nino Jazz produziu ainda sete temas para o projecto “Vozes para Nguxi”, 2006, e “Marcas de Angola”, de Coreon Dú, 2011, e o álbum “O Canto Terceiro da Sereia, o encanto”, igualmente de Filipe Mukenga e Filipe Zau, que começou a ser gravado em 2014, e será lançado brevemente.

Director
Nino Jazz é director musical do Festival da Canção de Luanda, realizado pela Luanda Antena Comercial (LAC), desde 2004, onde é autor dos arranjos musicais das canções concorrentes. Sobre a sua direcção no Festival da Canção de Luanda, referiu o seguinte: “Um dos aspectos, entre outros não menores, que me agrada no Festival da LAC, tem sido o nível de organização e criatividade. Importa referir que há sempre inovações estruturais na concepção do evento, ou seja, os organizadores nunca se repetem, cada edição é igual a si própria. Musicalmente, gostei de trabalhar com a Anabela Aya, vencedora do Festival da canção, em 2017, porque foi um dos momentos em que mais me expressei como músico e se revelou, de forma cabal, a minha intuição musical. Para além de que trabalhar com a Anabela Aya, é sempre agradável, pela simpatia, abertura e liberdade que ela dá à criatividade dos músicos”.

Preferidos
Embora respeite a prestação técnica de outros instrumentistas, Nino Jazz fez referência aos seus instrumentistas predilectos, “Tenho trabalhado, preferencialmente, na percussão com Dalú Roger, porque entre os demais é dos instrumentistas com um universo de concepção muito amplo, na bateria aponto o dedo ao Hélio Cruz, pela versatilidade, técnica e desejo constante de aprender. Na guitarra, gosto muito do Mário Gomes, porque é um super talento e a maior revelação, nas cordas, dos últimos três anos do cenário musical angolano. No baixo tenho como preferência o Mayó Bass, um talento musical, incontestável, pela qualidade e insuperável plasticidade”.

Álbum
Para além do trabalho de produção e prestação musical, como instrumentista, Nino Jazz tem concluído o seu álbum, “Luz de Néon”, com temas instrumentais, “ O meu disco tem seis faixas musicais e estou a trabalhar com o músico brasileiro Munir Hossn, no violão, baixo e voz, Tuur Moens, baterista belga, João Frade, acordeonista português, Adriano DD, percussionista brasileiro, e o saxofonista português Ri-cardo Toscano. Na verdade, já tenho o álbum praticamente terminado e aguardo o melhor momento para o lançamento”.

Influências
Estruturalmente, a obra de Nino Jazz apresenta várias influências, muitas das quais provenientes do contexto familiar e outras de inúmeros quadrantes musicais e discográficos. Numa altura em que ainda não pensava em ser instrumentista, começou por ouvir, influenciado pelo seu irmão mais velho, José Manuel Tito de Sousa, a discografia do cantor e compositor brasileiro Djavan, com destaque para o álbum “Luz”, 1982, que inclui os temas “Samurai”, com a participação de Stevie Won-der, “Pétala”, “Açaí”, “Sina” e “Esfinge”, muito ouvidos por Nino Jazz, em 1988. Ainda de Djavan, Nino Jazz destaca o décimo segundo disco do cantor alagoano, “Malásia”, 1996, que inclui, para além do sucesso que dá título ao álbum, o su-cesso “Nem Um Dia”. Nas teclas as influências do piano jazz vão para Herbie Hancock, pianista americano, tecladista, líder de banda, compositor e actor, considerado um dos mestres do jazz, Armando Anthony “Chick” Corea, pianista de jazz norte-americano do género Jazz Fusion e o pianista Mccoy Tyner.

Formação
Nino Jazz, embora aponte sempre o inestimável contributo de João Paulo, integrante do grupo O2, que o aproximou das teclas, já referido, frequentou aulas, du-rante oito meses, de 1995 a 1996, com o Mestre Mateus da Igreja Metodista Unida, onde aprendeu pauta e noções de teoria musical e pauta”. No entanto, a prática do auto-didactismo tem desenvolvido, num exercício constante, as suas habilidades musicais.

Depoimento de Totó ST sobre o perfil artístico de Nino Jazz
Totó ST, cantor, compositor e guitarrista, uma das vozes mais importantes do movimento afro-jazz angolano, fez o seguinte depoimento sobre o perfil artístico de Nino Jazz: “Conheci o Nino Jazz em 1996 através do grupo N’SexLove. Na verdade, eu e o Nino jazz, buscávamos nos N’SexLove uma ponte para a realização do nosso sonho de sermos bem sucedidos na música.

O local de ensaio do grupo N’SexLove na altura, situado no Bairro Prenda, foi o local onde os nossos caminhos se cruzaram. Desde então, desenvolvemos uma amizade que, volvidos estes anos todos, considero muito profunda e transcendental. Julgo que temos tido algum sucesso, perante toda a dificuldade que tivemos de passar para adquirir conhecimentos musicais e se impor num cenário musical muito difícil, para quem desejava navegar para além das praias musicais conhecidas e celebradas por todos na altura. A verdade é que nos mantivemos firmes, lado a lado, buscando formas de trazer outras energias, procurando trilhar os passos dos grandes artistas nacionais e internacionais, que tinham como marca a ousadia e o sentido contínuo de evolução. Para mim, Nino Jazz é um profundo conhecedor da harmonia musical , exímio produtor e arranjador, dos poucos que conheço nesta imensa Angola. Digo sem medo de errar que ele tem um ouvido absoluto. Nino Jazz produziu vários temas dos meus discos e tem sido um professor em relação à harmonia musical e sempre me ajudou a melhorar a minha forma de compor, mostrando-me caminhos para novos conceitos e abordagens. Homem firme nos valores que acredita, possui um grande sentido altruísta. Considero-o um dos pilares da evolução do afro-Jazz e da worldmusic em Angola. “Se pelos seus frutos o conhecereis, os frutos da árvore de Nino jazz são notáveis e embelezam ainda mais o cenário musical angolano. Não tendo dúvidas”.

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