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RDC: Milhares de pessoas manifestam-se contra chefe da Comissão Eleitoral

Milhares de pessoas juntaram-se esta manhã em Kinshasa e noutras cidades congolesas para protestar contra a nomeação do presidente da Comissão Eleitoral. Polícia usou gás lacrimogéneo para dispersar manifestantes.

De acordo com a agência de notícias francesa AFP, os manifestantes foram liderados por um dos chefes da oposição na República Democrática do Congo (RDC), Jean-Pierre Bemba, que se juntou aos protestos que acontecem quatro dias depois de outros confrontos que mataram cinco pessoas.

Esta manifestação, tal como outras, foi proibida pelas autoridades, que usaram gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes convocados pela coligação da oposição, Lamuka, em comícios realizados nas cidades de Bukavu, no leste do país, e em Kananga, no centro.

Em causa está a nomeação de Ronsard Malonda, actual secretário executivo da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI), para a presidência deste órgão, encarregado de organizar as próximas eleições, previstas para 2023.

Após as eleições presidenciais de Dezembro de 2018, a Lamuka reivindicou a vitória do seu candidato, Martin Fayulu. Os líderes da Lamuka acusam o candidato proposto, cujo nome foi aprovado pela Assembleia Nacional congolesa, de ter “contribuído para todos os bloqueios eleitorais desde 2006.”

Por sua vez, o Comité Laico de Coordenação (CLC, próximo dos católicos) e movimentos civis pediram “uma grande marcha pacífica de protestos” em 19 de Julho.

No sábado (11.07), a sua marcha, que reuniu centenas de pessoas, foi dispersada pelas forças de segurança à chegada ao parlamento. A União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS), do Presidente do país, Félix Tshisekedi, já tinha convocado os seus apoiantes para uma manifestação na quinta-feira (09.07).

Após a aprovação pelo Parlamento congolês na passada quinta-feira, a decisão deve agora ser enviada ao chefe de Estado.

Malonda: Uma escolha polémica

A escolha de Malonda suscitou também algumas reacções menos positivas entre duas das principais religiões do país – a católica Conferência Episcopal e a protestante Igreja do Cristo do Congo -, que se opõem publicamente à escolha.

“Estas duas igrejas, que representam 80% da população congolesa, disseram não à nomeação de uma figura que já deu provas de fraude eleitoral”, afirmou o arcebispo de Kinshasa, o cardeal Fridolin Ambongo, na semana passada.

Entre as organizações não-governamentais pró-democracia, a nomeação de Malonda, que integrava a estrutura do presidente cessante, Corneille Nangaa, é vista como “uma provocação”.

“A linha vermelha acabou de ser ultrapassada”, afirmou o líder do movimento Filimbi, Carbone Beni, que esteve preso durante um ano por ter exigido eleições num momento em que o antigo Presidente Joseph Kabila se matinha no poder após o fim do seu mandato.

As eleições acabaram por se realizar em Dezembro de 2018, após vários adiamentos e depois de Kabila ter sido sujeito a múltiplas pressões para deixar o cargo.

Apesar da vitória do candidato adversário Félix Tshisekedi, o partido de Kabila manteve uma maioria parlamentar, nuns resultados que foram contestados pela oposição e pela Igreja Católica. Desde então, a RDC tem sido governada por uma coligação entre as forças de Tshisekedi e de Kabila.

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