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Cabo Verde chama privados para investimentos conjuntos de 5.000 M€ até 2030

O vice-primeiro-ministro de Cabo Verde, Olavo Correia, apontou hoje a necessidade de investimentos de 5.000 milhões de euros até 2030 no desenvolvimento sustentável do arquipélago, entre fundos do Estado e parcerias com privados.

A previsão foi assumida pelo governante, que é também ministro das Finanças, a propósito do programa “Cabo Verde: Ambição 2030”, preparado pelo Governo e cujos objectivos estão a ser apresentados à sociedade em sessões temáticas.

A propósito da próxima sessão de apresentação do programa, hoje, dedicada à área do Turismo, o governante avançou que “Cabo Verde precisa investir no mínimo 550 milhões de contos [cerca de 5.000 milhões de euros] no horizonte 2030”, nos diversos sectores, para “projectar o país rumo ao desenvolvimento sustentável”.

“Nós sozinhos podemos esquecer. É impossível fazermos isso. Para fazermos isso é num quadro de parceria com os privados nacionais e estrangeiros”, explicou Olavo Correia.

Defendeu que este volume de investimento “terá que ser feito num quadro de parcerias”, mas não apenas com os empresários cabo-verdianos.

“Mas nós não podemos ter privados a operar em Cabo Verde e a investir milhões e milhões se nós, enquanto cidadãos e enquanto nação, não dermos a confiança aos privados. Sermos contra privados, contra o investimento privado, ostensivamente contra privados. Isso cria um clima e um ambiente para que os privados não invistam em Cabo Verde”, disse.

Defendeu por isso a importância de o Governo trabalhar num “quadro de parceria com os privados nacionais e com os privados externos” a médio prazo, apontando exemplos: “O sistema de saúde não pode ser apenas um monopólio do Estado. O serviço é público, mas o prestador pode ser público, privado, público-privado. E nós temos em Cabo Verde de diferenciar duas coisas: Uma coisa é o serviço e outra coisa é prestador. A água é um bem essencial, mas não tem de haver uma empresa pública a produzir água para vender”.

Olavo Correia afirmou mesmo que é preciso Cabo Verde “fazer uma ruptura com o passado”.

“O Estado tem competências regulatórias, de intervenção, para garantir que o serviço público seja prestado por entidades privadas”, concluiu.

Uma dos destaques que está a ser dado pelo Governo a este programa a médio prazo é a resposta macroeconómica e a solução para a dívida pública do país, que devido às necessidades de financiamento provocadas pela pandemia de covid-19 deverá chegar a um volume equivalente a 150% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2021.

A segurança e habitação são outros dos pilares deste programa a 10 anos – que já estava a ser preparado há cerca de um ano -, tal como a saúde, neste caso com uma aposta numa rede nacional e no sector farmacêutico do país, assim como o sector da economia digital.

A agenda “Cabo Verde: Ambição 2030” assenta ainda no pilar da energia, água, saneamento e habitação social, mas também na resiliência do país, que enfrenta períodos de seca prolongada consecutivos.

Apostas no capital humano e inclusão social e no país enquanto plataforma constam igualmente da agenda, tal como a qualificação das instituições e o plano para uma “ancoragem internacional” do arquipélago “para poder melhor gerir os choques externos”, segundo o Governo.

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