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Zimbabwe debaixo de fogo após compra de carros luxuosos para dirigentes de topo

O Zimbabwe caiu, nas últimas décadas, num buraco sem fundo de corrupção, miséria e desgoverno, o que levou ao golpe militar que em finais de 2017 afastou o histórico Robert Mugabe do poder após quase 40 anos a mandar, mas está outra vez sob foco depois de o Governo do Presidente Emmerson Mnangagwa ter permitido o gasto de milhões de dólares para comprar carros luxuosos para os dirigentes de topo.

O Governo de Harare, que enfrenta uma crise económica profunda e prolongada, com a larga maioria da sua população, de pouco mais de 14 milhões de habitantes, a viver na miséria, está a enfrentar uma nova vaga de protestos depois de o Executivo ter autorizado o gasto de milhões de USD em viaturas de luxo, essencialmente Range Rover, para os dirigentes da hierarquia superior do Estado, incluindo oficiais militares.

Alguns analistas admitem que esta despesa extraordinária de Mnangagwa é uma tentativa de conseguir atrair para si alguns líderes que mostram mais resistência a aderir à sua Presidência, nomeadamente nas Forças Armadas, que, recorde-se, foi quem lhe permitiu chegar ao poder após terem afastado Mugabe, a 14 de Novembro de 2017.

Esta distribuição de veículos, com preços que variam entre os 40 mil e os 50 mil dólares norte-americanos, acontece num momento em que o país atravessa uma nova fase de protestos sociais, desde logo do sector da Saúde, devido à falta de condições mínimas de trabalho, começando pela falta dos mais elementares medicamentos à deterioração da generalidade do equipamento hospitalar, onde não há investimentos há muitos anos, falta material de protecção devido à pandemia da Covid-19 e os salários são irrisórios.

O país, como lembra o FMI, enfrenta uma inflação recorde de quase 800%, à qual não existe uma adequação salarial em todos os sectores do Estado, o que impede milhões de pessoas de conseguirem adquirir o básico para a sua subsistência, com a fome e a miséria a engrossar fileiras a cada dia que passa.

Os protestos sucedem-se e os confrontos com a polícia multiplicam-se.

Como lembra o The Guardian, o ministro das Finanças admitia em Maio último que o Zimbabwe está perante uma “catástrofe económica”.

Ainda assim, o Governo disponibiliza milhões de dólares para carros de luxo que fazem falta para o básico que não chega a milhões de pessoas naquele que já foi o celeiro de África e um dos países mais desenvolvidos do continente, onde a indústria diamantífera, o turismo e a agricultura alimentavam uma das mais saudáveis economias austrais.

A sorte deste país começou a mudar quando, ainda na década de 1990, Robert Mugabe e a sua ZANU-PF, deram início a uma revolução contra a comunidade branca proprietária da maior parte das terras rentáveis do país, expulsando-os aos milhares.

Com isso, a maior parte das fazendas passou de grandes produções agrícolas à indigência e a fome começou a lavrar em todo o país.

Emmerson Mnangagwa, um antigo ‘compagnon de route’ de Mugae e seu ex-vice-Presidente, chegou ao poder em 2018 através de eleições prometendo reverter a situação de miséria no país e de devolver as terras aos antigos proprietários.

Apesar de algumas melhorias, o país ainda está longe de regressar ao lugar de destaque que tinha no continente até aos primeiros anos deste século.

Entretanto, o jornal sul-africano, The South African, divulgou a detenção de dezenas de enfermeiros num hospital da capital zimbabweana, Harare, que exigiam melhores condições de trabalho e aumentos salariais.

O mesmo jornal recorda que estes protestos acontecem no meio da mais grave crise económica do país na última década e mostra estar aquém da capacidade de resposta que a Covid-19 veio exigir ao sistema de saúde nacional.

Alguns analistas ouvidos pela imprensa de Harare já começaram a comparar a situação actual com os piores dias do desmando e desgoverno dos últimos anos de poder de Robert Mugabe.

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