- Publicidade-
Smooth Jazz Rádio Calema
Inicio Mundo Lusófono Moçambique Cabo Delgado: Grupo mata oito trabalhadores de mega projecto de gás

Cabo Delgado: Grupo mata oito trabalhadores de mega projecto de gás

Vítimas do ataque armado trabalhavam numa empresa de construção subcontratada do mega projecto de gás que avança em Cabo Delgado. Há outros três trabalhadores desaparecidos.

A morte dos trabalhadores foi divulgada este domingo (05.07) num comunicado da Fenix Construction. O ataque armado que vitimou os oito funcionários aconteceu a 27 de Junho, segundo o relato da companhia que actua no mega projecto de gás na província moçambicana de Cabo Delgado.

A viatura em que seguiam os trabalhadores foi atacada quatro quilómetros a norte de Mocímboa da Praia, no mesmo dia em que a vila esteve sob ataque – com confrontos que se prolongaram pelos dias seguintes -, cerca de 70 quilómetros a sul do recinto de construção do empreendimento liderado pela petrolífera Total.

Dos 14 ocupantes, além dos oito mortos, três fugiram para o mato e sobreviveram enquanto outros três continuam desaparecidos.

Insurgentes disfarçados

A viatura em que seguiam “foi atacada por cinco insurgentes vestidos de uniforme do exército militar similar ao das Forças de Defesa de Moçambique”, lê-se no comunicado da Fenix Construction.

“Bloquearam o veículo e logo a seguir abriram fogo, tendo matado imediatamente o motorista” e “no mesmo instante três ocupantes que sobreviveram conseguiram fugir e entrar no mato”.

Um deles percorreu a mata até chegar à aldeia de Quelimane, onde passou a noite, antes de conseguir uma boleia de motorizada e retornar a Palma, capital do distrito onde decorrem as obras das petrolíferas.

“Os outros dois sobreviventes continuaram escondidos no mato por vários dias, na área próxima ao local da emboscada” e voltaram a Palma na quarta e quinta-feira (02.07).

Corpos resgatados

Uma empresa de segurança privada contratada pela Fenix conseguiu resgatar para Palma os corpos dos oito homens mortos e “sob instruções das autoridades locais de Palma, foram enterrados na sexta-feira” (03.07), diz o comunicado.

As autoridades ainda não se pronunciaram sobre o ataque a Mocímboa da Praia na última semana, o mais recente de uma série de incursões terroristas de violência crescente desde Março e reivindicadas pelo grupo jihadista Estado Islâmico.

Após confrontos com as Forças de Defesa e Segurança (FDS) de Moçambique, com infraestruturas destruídas, energia e comunicações limitadas, a informação vai surgindo a conta gotas.

Fonte militar disse à agência de notícias Lusa suspeitar-se que os rebeldes continuam misturados com famílias fora da vila e por isso “as buscas e perseguição continuam”.

Vila destruída

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) divulgou domingo (05.07) imagens que mostram a igreja de Mocímboa da Praia totalmente destruída depois de ter sido incendiada durante o ataque.

Outras imagens distribuídas por residentes mostram que foram igualmente destruídas a escola secundária, o hospital, lojas, dezenas de casas particulares, viaturas e outros bens.

Os confrontos entre as FDS e os grupos armados provocaram nova fuga em massa da população. Mocímboa da Praia já tinha sido invadida e ocupada durante um dia por rebeldes em 23 de Março, numa acção depois reivindicada pelo Estado Islâmico.

Escalada de violência

Os confrontos do fim de semana são os maiores de que há relato em Cabo Delgado desde a ocupação por insurgentes da vila de Macomia, entre 28 e 30 de maio, e consequente confrontação com as FDS moçambicanas.

Mocímboa da Praia é uma das principais vilas da província, situada 70 quilómetros a sul da área de construção do projecto de exploração de gás natural conduzido por várias petrolíferas internacionais e liderado pela Total.

A violência armada intensificou-se desde Março, mas já dura há dois anos, provocando a morte de, pelo menos, 700 pessoas e uma crise humanitária que afecta cerca de 211.000 residentes.

As Nações Unidas lançaram, no início de Junho, um apelo de 35 milhões de dólares (30 milhões de euros) à comunidade internacional para um Plano de Resposta Rápida para Cabo Delgado para ser aplicado de maio a Dezembro.

- Publicidade -
FonteDW
- Publicidade -

FACTUALIDADES: A semana em revista

Foi a enterrar no passado dia 30 de Julho, uma das figuras emblemáticas da política angolana. O general Kundi Paihama foi ao longo da...
- Publicidade -

MPLA nega envolvimento na inviabilização do PRA-JA Servir Angola junto do Tribunal Constitucional

O secretário do Bureau Político do MPLA para os Assuntos Políticos e Eleitorais, Mário Pinto de Andrade, desvalorizou as declarações do coordenador da comissão...

Artistas reclamam que apoio do Governo moçambicano não chega à Zambézia

Artistas na Zambézia reclamam que recursos do projecto "Arte no Quintal”, idealizado pelo Governo para apoiá-los durante a pandemia, não chega à província: "Quando...

Covid-19: Campanha “Luanda Solidária” ajuda professores do ensino privado

Campanha "Luanda Solidária" pretende angariar fundos para ajudar professores do ensino privado que passam dificuldades devido à Covid-19. Mas o Estado angolano não deve...

Notícias relacionadas

FACTUALIDADES: A semana em revista

Foi a enterrar no passado dia 30 de Julho, uma das figuras emblemáticas da política angolana. O general Kundi Paihama foi ao longo da...

MPLA nega envolvimento na inviabilização do PRA-JA Servir Angola junto do Tribunal Constitucional

O secretário do Bureau Político do MPLA para os Assuntos Políticos e Eleitorais, Mário Pinto de Andrade, desvalorizou as declarações do coordenador da comissão...

Artistas reclamam que apoio do Governo moçambicano não chega à Zambézia

Artistas na Zambézia reclamam que recursos do projecto "Arte no Quintal”, idealizado pelo Governo para apoiá-los durante a pandemia, não chega à província: "Quando...

Covid-19: Campanha “Luanda Solidária” ajuda professores do ensino privado

Campanha "Luanda Solidária" pretende angariar fundos para ajudar professores do ensino privado que passam dificuldades devido à Covid-19. Mas o Estado angolano não deve...

Violência xenófoba contra moçambicanos faz um morto em Joanesburgo

Um imigrante moçambicano morreu e pelo menos 18 pessoas também de nacionalidade moçambicana ficaram desalojadas por alegada violência xenófoba no leste de Joanesburgo, África...
- Publicidade -

Deixe um comentário

Por favor insira seu comentário!
Digite seu nome aqui

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.