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Cabo-verdiano quer alavancar agricultura e reflorestação com drones

O cabo-verdiano Érico Pinheiro Fortes, de 31 anos, criou drones que podem ser usados na agricultura e reflorestação em Cabo Verde, mas também no apoio médico em zonas remotas. O projecto é apresentado como uma alavanca para poupar tempo, dinheiro e recursos aos particulares e ao próprio Estado.

Érico Pinheiro Fortes cruzou tecnologia com economia e tirou o seu sonho do domínio conceptual para o apresentar os seus drones ao secretário de Estado para Inovação e Formação Profissional de Cabo Verde. Para já, só houve “alguma conversa”, mas o governante mostrou-se “muito interessado”. E os argumentos não faltam, elenca o jovem de 31 anos.

Para começar, os drones que ele criou podem ser usados na agricultura e na reflorestação em Cabo Verde, mas também no apoio médico em zonas remotas. Por enquanto, nenhum dos equipamentos está a ser operado, mas Érico Pinheiro Fortes tem feito vários testes e continua a trabalhar para a sua operacionalização.

Érico Pinheiro Fortes.
(© Érico Pinheiro Fortes)

“Eu acredito que realmente seria uma mais-valia para Cabo Verde porque imaginemos que esses drones são adquiridos pelo Estado. O mesmo drone que é capaz de fazer a pulverização, agora no contexto da pandemia pode fazer pulverização remota – o técnico não precisa de deslocar-se nem estar fisicamente presente no local para fazer a desinfecção. Depois, utiliza-se na agricultura, na disseminação de sementes, no processo de reflorestação acedendo às áreas remotas, mas também podem ser usados para patrulhamento.

Acredito que seria uma mais-valia principalmente na poupança de recursos. Vamos supor a reflorestação numa área bem grande, de alguns hectares. Aquele trabalho feito por pessoas poderia levar, se calhar, semanas ou até meses e com drones isso pode ser feito numa questão de horas ou dias. Sem falar da dificuldade de conseguir mão-de-obra para o trabalho”, descreve.

Os drones são guiados por GPS, têm um mecanismo robótico que pode lançar sementes, mas também transportar medicamentos ou outros bens, e “podem ser controlados manualmente ou de forma autónoma através de um programa de computador”. A vantagem é chegar a zonas remotas, de difícil acesso, e até atrair jovens para o sector da agricultura.

Depois de ter concluído a licenciatura em Engenharia Informática e de Computadores em Cabo Verde, Érico Pinheiro Fortes ganhou uma bolsa de estudos para a Bridgewater State University, em Massachussets, nos Estados Unidos. No final do curso de Ciências de Computadores, ele decidiu apresentar como projecto “algo que poderia ajudar” Cabo Verde. Numa conversa com o tio sobre o avô agricultor, que devido à idade já não consegue deslocar-se facilmente para o campo, teve a ideia: “E se ele conseguisse semear e patrulhar os seu terreno a partir de casa?”. Resultado: começou a construir drones para a agricultura.

Por enquanto, o também professor na Universidade de Cabo Verde apenas tem quatro drones: o protótipo que construiu nos Estados Unidos, dois de fibra de carbono, mais leves e resistentes, e um quarto feito a partir da impressão 3D. Ainda que esteja apenas na fase de testes, Érico acredita que os seus drones vão poder fazer viagens de longa distância. O maior de fibra de carbono tem uma envergadura de 95 centímetros e uma altura de 50 centímetros e pode transportar até cinco quilos, o mais pequeno tem uma envergadura de 68 centímetros, uma altura de 30 centímetros e pode transportar até dois quilos.

Em 2018, o informático teve uma ajuda de empreendedorismo da Fundação Tony Elumelu e criou a empresa sua empresa, “PrimeBotics”. Com esse financiamento, também comprou impressoras 3D e vai “tentando avançar na medida” das suas possibilidades. Até porque é professor e só pode trabalhar nos drones nos tempos livres e a pandemia de covid-19 provocou atrasos na entrega de equipamentos.

“É o meu sonho e uma forma de dar um pouquinho de mim, de contribuir um pouco para o meu país que tanto precisa. E nós, realmente, precisamos de soluções que sejam criadas aqui dentro, não temos que esperar por soluções que venham de fora. Nós temos a capacidade de fazer isso. Há muitas pessoas que também têm vários projectos interessantes. Eu acredito que sim, que nós podemos construir soluções para Cabo Verde, África e não só. Sim, eu acredito no projecto”, conclui.

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FonteRFI
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