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Covid-19: Pandemia gera crise alimentar em Maputo

Secretariado de Segurança Alimentar estima que 365 mil pessoas enfrentam crise alimentar em Maputo e Matola. Situação poderá estender-se a outras regiões de Moçambique.

As medidas para mitigar a Covid-19 em Moçambique estão a agravar a insegurança alimentar de várias famílias da capital, Maputo, e arredores.

A informação foi divulgada nesta quarta-feira (01.07) pela Rede de Sistemas de Alerta Antecipado de Fome (“Fews”, na sigla inglesa), que agrega organizações norte-americanas e serve como ferramenta de auxílio à acção humanitária.

“As famílias mais pobres e vulneráveis enfrentam dificuldades para encontrar fontes alternativas de rendimento e apoio”, diz a Fews.

A rede cita uma análise realizada pelo Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutrição (Setsan) – que é um órgão do Estado moçambicano – e parceiros. O texto estima que “aproximadamente 15% da população de Maputo e Matola (365 mil pessoas) estão a enfrentar um cenário de crise na fase 03 do chamado IPC”.

O IPC é uma classificação internacional sobre a fase em que se encontra a segurança alimentar (da sigla inglesa Integrated Food Security Phase Classification) e varia de 01, inexistente, a 05, fome severa.

Numa situação menos severa (na fase 2 do IPC), mas ainda assim em situação preocupante estão famílias que perderam “acesso às suas habituais fontes de rendimento e passou a comprar comida graças a trabalho alternativo, pequeno comércio e assistência de amigos, familiares e vizinhos”.

Nas áreas rurais, os impactos da Covid-19 no acesso a alimentos para as famílias mais pobres “são limitados, pois os sistemas de comercialização agrícola funcionam em níveis quase normais, com restrições principalmente relacionadas com estradas e pontes danificadas durante a última estação chuvosa, sobretudo no norte”.

Crise alastra-se a todo o país

Na análise publicada esta quarta-feira, além do impacto da Covid-19, a rede antecipa que a situação de crise (fase 03) em Moçambique poderá estender-se a partir de Outubro a algumas partes da província de Tete, no centro de Moçambique.

“Provavelmente, a partir de Outubro, a segurança alimentar vai deteriorar-se no sul de Tete e noutras áreas do sul e centro, pois as famílias pobres vão esgotar as reservas de alimentos muito mais cedo do que o habitual”, lê-se no documento. A produção de alimentos nessas regiões já está a sofrer o impacto negativo devido à falta de chuva.

Ao mesmo tempo, prevê-se a manutenção (com tendência para se agravar) da situação de crise na província Cabo Delgado, no norte, e nas províncias austrais de Inhambane, Gaza e pequena parte de Maputo.

Cabo Delgado já enfrenta crise humanitária, 211 mil pessoas a fugir de ataques terroristas. No sul, o factor que preocupa é a seca que perdura há vários anos.

O continente africano superou nesta quarta-feira (01.07) as marcas de 400 mil casos e 10 mil mortes por Covid-19, com 65% das infecções concentradas em quatro países: África do Sul, Egipto, Nigéria e Gana. Nas últimas semanas, a taxa de infecções aumentou drasticamente no continente africano.

Apenas nove dias foram suficientes para aumentar o número de casos de 300 mil para 400 mil em Junho. Esse avanço ocorre quando muitos países africanos – que impuseram rigorosas medidas de restrição de circulação, confinamento e toque de recolher por vários meses – estão lentamente reabrindo suas economias na tentativa de mitigar os seus efeitos devastadores da pandemia.

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FonteDW
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