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França procede ao repatriamento de 10 filhos de jihadistas a partir da Síria

O Ministério francês dos Negócios Estrangeiros anunciou ontem em comunicado ter procedido ao repatriamento a partir do Curdistão Sírio de 10 filhos de jihadistas franceses, o que eleva a 28 o número total de repatriamentos de crianças da Síria, sendo que se estima que continua por resolver a situação de cerca de 250 menores franceses cujos pais foram capturados em campos do nordeste da Síria.

Ao indicar que as crianças repatriadas ontem “foram entregues às autoridades judiciárias francesas, sendo agora submetidas a um cuidado médico especifico e colocadas sob a responsabilidade dos serviços sociais”, as autoridades francesas não deram pormenores sobre a situação desses 10 menores, referindo apenas que se trata de “órfãos ou casos humanitários”. De acordo com uma fonte curda, entre estas crianças, das quais a mais nova tem dois anos de idade, 3 não são órfãs mas as suas mães aceitaram deixá-las partir “devido às condições que existem nos campos”.

Separações que o “Colectivo das famílias unidas” que segue de perto este dossier qualifica de “traumáticas” para estas crianças. Ao reconhecer que “cada criança que regressa é uma vida que é salva”, esta entidade não deixa igualmente de defender o repatriamento das crianças juntamente com as suas mães, mas também e sobretudo defende um repatriamento mais massivo dos filhos de jihadistas. “Está na hora de fazer ‘esforços sérios’ para resgatar todas as crianças francesas”, declara o colectivo.

Desde a queda no ano passado do chamado “califado” do grupo Estado Islâmico no norte da Síria, a questão dos jihadistas europeus que foram para lá combater e das suas famílias tem sido um autêntico quebra-cabeças para os seus respectivos países de origem. De acordo com as autoridades curdas, cerca de 12 mil pessoas de origem estrangeira, das quais 4 mil mulheres e 8 mil crianças estão instaladas em 3 campos de deslocados no nordeste da Síria, sendo que por seu turno, o governo Francês recenseou uns 150 cidadãos franceses adultos, homens e mulheres, que poderiam vir a ser julgados na Síria no caso de não ser reclamada a sua extradição.

Neste mês de Janeiro, a ONU fez um apelo para que as crianças “em situação particularmente precária” sejam repatriadas. As próprias autoridades curdas reconhecem que não têm meios para continuar a guardar os milhares de estrangeiros que têm sob sua tutela. De acordo com dados oficiais, um pouco mais de 500 pessoas, das quais 371 crianças morreram no ano passado no Campo de Al-Hol, o maior campo de deslocados do Curdistão Sírio.

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FonteRFI
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