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Kwanza Norte: Faltam antirretrovirais para tratar a SIDA

Seropositivos em Ndalatando queixam-se da falta de medicamentos antiretrovirais há três meses. Gabinete Provincial da Saúde controla mais de 600 pessoas com HIV/SIDA. Ministra da Saúde admite “dificuldade mundial”.

A capital do Kwanza Norte regista pelo menos quatro casos de Covid-19. Com a pandemia, o problema da falta de antirretrovirais foi agravado e estende-se a diversos municípios da província angolana do Kwanza Norte, segundo denuncia a paciente Gina João.

“O que mais me deixou preocupada: fui ao [hospital do] Katome, na quarta-feira (17.06), em busca de medicamento e não encontrei. O hospital provincial também não tem. Nesse momento, no armazém também não tem e eu estou muito preocupada também com as outras pessoas – especialmente com uma paciente que lá se encontra internada, no hospital do Katome, que começou agora fazer a medicação”.

Gina adverte que “se o nosso Governo pensar somente no coronavírus, pode até ultrapassar o coronavírus, mas as pessoas vivendo com HIV também [necessitam de cuidados]. Depois, vai ser outro caso agravado”.

“Por favor, senhora ministra veja esta situação”, apela.

Eraúlio Costa, um jovem de 30 anos também ouvido pela DW África, diz que “ao nível de toda a província, clama-se por carência de medicamento”.

“Sabendo que actualmente por ali 70% ou 80% da camada afectada é jovem, então sentimo-nos preocupados com essa situação”, desabafa.

Ansiedade e irritabilidade

Nesta fase da pandemia da Covid-19, em que a cidade de Ndalatando, capital da província do Kwanza Norte, já notificou quatro casos positivos de doentes com o novo coronavírus, o psicólogo criminal Dinho José solidariza-se com as pessoas portadoras do vírus da SIDA.

“Essa situação é bastante preocupante. Os antiretrovirais são a segunda vida desses cidadãos, para além de infringir o direito à vida desses cidadãos”, afirma.

“O Governo deveria ver essa situação de forma urgente, independentemente da situação actual que o país está a viver. Não tendo essa medicação, eles podem ter problemas psicológicos – como ansiedade e irritabilidade – em função da falta dos tais antiretrovirais”, considera.

Mas Maria Filomena Wilson, directora do Gabinete Provincial da Saúde nesta província de Angola, rejeita as acusações e afirma que a província não recebeu qualquer queixa formal dos seropositivos na região.

“A nossa programação com relação ao Ministério da Saúde obedece a uma lista das necessidades que nós enviámos e, de acordo com os doentes que nós controlamos, os medicamentos vêm certinhos para um determinado tempo”, descreve.

“É possível que falte um ou outro medicamento – não só uma falta que seja provincial, mas também nacional – e que pontualmente vai ser reposto”, justifica a responsável.

Conjuntura internacional

Entretanto, a ministra angolana da saúde, Sílvia Lutucuta, já reagiu à ruptura de estoques dos antiretrovirais em Angola, justificando que a situação resulta da conjuntura internacional.

“Há uma dificuldade que não é só em Angola, é uma dificuldade mundial. As fábricas desses medicamentos são fundamentalmente na China, são na Índia e estes mercados por esta altura estão com dificuldades fruto da Covid-19”, explica.

“Mas nós estamos a trabalhar não só nós como Estado, mas também as agências das Nações Unidas têm programas relacionados com HIV/SIDA. Estão a trabalhar connosco o Fundo Global e o PNUD [Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento]”, acrescenta Lutucuta.

“Chegaram recentemente alguns antirretrovirais, mas temos que aumentar grandualmente os nossos estoques. Estamos a fazer tudo para que não faltem medicamentos aos nossos doentes”, garante a governante.

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