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Fronteiras reabrem por toda a Europa, mas só para viajantes europeus

Fronteiras europeias reabriram a partir desta segunda-feira (15.06) após três meses de fecho devido à Covid-19, mas apenas para europeus. Restantes turistas internacionais só deverão entrar na Europa em Julho ou depois.

Em Março deste ano as fronteiras europeias fecharam de forma repentina e caótica devido ao surto da pandemia da Covid-19. Três meses depois, as fronteiras começam a reabrir.

A Alemanha, a França e a Bélgica são alguns dos países que esta segunda-feira (15.06) suprimiram os controlos fronteiriços, duas semanas depois de Itália – um dos países mais afectados pela pandemia – ter aberto as suas fronteiras.

Mas muitas restrições persistem. Não está claro se os europeus estarão dispostos a viajar este verão e se o continente permanecerá fechado aos americanos, asiáticos e outros turistas internacionais.

Os países da União Europeia (UE) e do espaço Schengen de livre circulação sem passaporte – que inclui algumas nações não pertencentes à UE, como a Suíça – só deverão começar a abrir aos visitantes de fora do continente no início do próximo mês ou até muito mais tarde.

Reabrir mas com prudência

Ao anunciar que as fronteiras e os restaurantes parisienses iriam reabrir nesta segunda-feira (15.06), o Presidente francês Emmanuel Macron disse que é altura de “virar a página do primeiro ato da crise” e “redescobrir o gosto que temos pela liberdade”.

Mas advertiu que “isto não significa que o vírus tenha desaparecido” e que o país pode ter que “baixar totalmente a guarda” novamente. “O verão de 2020 vai ser um verão diferente de qualquer outro”, alerta.

Mesmo dentro da Europa, há prudência. Não se pode esquecer que o velho continente teve mais de 182 mil mortes ligadas ao novo coronavírus e que já teve mais de 2 milhões das 7.9 milhões de infecções confirmadas em todo o mundo, segundo os dados da Universidade Johns Hopkins.

Por outro lado, é também necessário e urgente relançar a indústria europeia do turismo para países como a Espanha e a Grécia, uma vez que as consequências económicas da crise se multiplicam.

O primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis reconheceu que “muito dependerá do facto de as pessoas se sentirem confortáveis para viajar e de podermos projectar a Grécia como um destino seguro”.

Turismo espanhol

Duramente atingida pela pandemia da Covid-19, Espanha também avançou com a reabertura do país aos viajantes europeus, a 21 de Junho.

No anúncio de domingo (24.05), o primeiro-ministro espanhol Pedro Sanchez afirmou que a pandemia está “sob controlo”, mas que “a reabertura das fronteiras é um momento crítico”. Assumiu, contudo, que a “ameaça ainda é real” e que o “vírus ainda anda por aí”.

Num programa experimental, Espanha está a permitir que milhares de alemães voem para as suas Ilhas Baleares a partir de segunda-feira (15.06), renunciando à quarentena de 14 dias para o grupo. A ideia é testar as melhores práticas na era de coronavírus.

“Este programa piloto vai ajudar-nos a aprender muito sobre o que nos espera nos próximos meses”, disse Sánchez. “Queremos que o nosso país, que já é conhecido como um destino turístico de classe mundial, seja reconhecido também como um destino seguro”.

Martin Hofman, da cidade alemã de Oberhausen, ficou encantado ao embarcar no primeiro voo de Duesseldorf para a ilha espanhola de Maiorca.

As suas férias não podiam ser adiadas e ” ficar na Alemanha não era uma opção para nós. E, sim, estamos totalmente felizes por podermos sair (do país)”, reconhece.

Livre circulação com restrições

A reabertura da Europa não deverá ser uma repetição do caótico mês de Março, quando o repentino fecho das fronteiras se revelou descoordenado. O pânico levou a congestionamentos de trânsito que se estenderam por quilómetros nas fronteiras.

Mesmo assim, a reabertura antevê-se complicada e mutável, com diferentes regras já que nem todos são igualmente livres de viajar para todo o lado. Vários países ainda não se estão a abrir a todos.

A Noruega e a Dinamarca, por exemplo, mantêm as suas fronteiras fechadas com a Suécia, cuja estratégia contra o vírus evitou o encerramento, mas produziu uma taxa de mortalidade “per capita” relativamente elevada.

Em alguns postos da fronteira alemã com a Dinamarca, os automóveis fizeram fila nesta segunda-feira de manhã. O país escandinavo deixa agora entrar visitantes da Alemanha, mas apenas se tiverem reservado alojamento para pelo menos seis noites.

A Grã-Bretanha, apesar de ter saído da UE em Janeiro, permanece estreitamente alinhada com o bloco até ao final deste ano. Só na semana passada, impôs uma quarentena obrigatória de 14 dias para a maioria das chegadas, o que horrorizou as indústrias do turismo e da aviação.

Como consequência, a França está a pedir às pessoas que vêm da Grã-Bretanha que também se submetam a quarentena durante duas semanas. Várias outras nações não estão sequer a deixar entrar turistas britânicos durante a primeira vaga de reaberturas.

Turismo interno

O aumento gradual dos voos, o nervosismo sobre novos surtos de Covid-19 no estrangeiro, a incerteza sobre o distanciamento social nos locais turísticos e o desemprego ou cortes salariais que muitos enfrentam, são vários dos motivos que podem levar muitos europeus a optar simplesmente por ficar em casa ou explorar o seu próprio país.

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, estão ambos a planear passar férias este ano nos seus países de origem.

Na Holanda, o Governo também informou que os seus cidadãos podem agora visitar 16 nações, mas exortou à prudência. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Stef Blok, afirmou que já se pode “ir novamente de férias para o estrangeiro”, mas que não vai ser “tão despreocupado como antes da crise do coronavírus. O vírus ainda está entre nós e a situação mantém-se incerta”.

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