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O empenho do Governo na diversificação da economia angolana continua a oferecer oportunidades aos investidores no sector da energia

Angola espera implementar um projecto de 400 milhões de dólares em duas fases no segmento da energia limpa, financiado pelo Banco Mundial e pela Agência Francesa de Desenvolvimento.

Apesar da crise em curso no sector petrolífero a nível mundial, que tem conduzido a quedas significativas nas receitas do Estado, o Governo angolano afirmou estar cada vez mais empenhado na diversificação da economia do país, afastando-se da dependência das receitas petrolíferas.

O esforço do governo no sentido de aumentar a produção a nível nacional e, consequentemente, reduzir as importações, especialmente de produtos alimentares, consiste num conjunto de iniciativas que incluem grandes investimentos em infraestruturas energéticas.

O desenvolvimento do sector da energia, com o objectivo de fornecer energia barata, fiável e acessível tanto para a indústria como para a população, é um pré-requisito fundamental para o desenvolvimento do sector produtivo de Angola.

De acordo com João Baptista Borges, Ministro da Energia e Águas de Angola, o governo está disposto a investir cerca de 500 milhões de dólares nos próximos dois anos em projectos de energia solar no país, como parte de uma estratégia para aumentar a produção de energia limpa e levar electricidade para todo o país.

Esta declaração foi proferida pelo Ministro Borges em Adis Abeba durante o 3º Fórum Empresarial Africano, promovido pela Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), a 11 de Fevereiro de 2020.

Além disso, Angola espera implementar um projecto de 400 milhões de dólares em duas fases no segmento da energia limpa, financiado pelo Banco Mundial e pela Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

O projecto tem como objectivo melhorar a distribuição de electricidade em quatro províncias-chave. O projecto espera também reformar a estrutura das empresas públicas do sector com vista o aumento do acesso à energia a preços moderados para as populações mal servidas de Angola. A 29 de Maio, o governo iniciou uma consulta pública para determinar o impacto ambiental do projecto.

A companhia petrolífera estatal angolana, Sonangol, e a italiana ENI assinaram em Junho de 2019 um acordo que criou a Solenova Ltd. O objectivo desta empresa controlada conjuntamente consiste em avaliar e desenvolver oportunidades de energia renovável em Angola.

A ENI e o Governo angolano acordaram igualmente em desenvolver conjuntamente o Parque Solar de Caraculo de 50 megawatts na província do Namibe, Sudoeste de Angola.

Nos próximos meses, segundo o Ministro da Energia e Águas, serão instalados mais 300 megawatts de painéis de energia solar no país, o equivalente a um terço da capacidade da central hidroeléctrica de Cambambe (uma das principais estruturas energéticas de Angola), o que, segundo o Ministro João Baptista Borges, demonstra o empenho do governo nas energias renováveis, sobretudo diante de custos de produção são competitivos.

“Vemos muitos projectos em fase de preparação em Angola, para além dos que já estão em curso em Angola”. Este é um testemunho de que o governo está seriamente empenhado em impulsionar a industrialização com a recurso a energia a preços acessíveis”.

Estes investimentos, creio, serão compensadores nos próximos anos e para as gerações vindouras”, afirmou Verner Ayukegba, Vice-Presidente Sénior da Câmara Africana da Energia. Segundo Verner, Angola tem mesmo o potencial de se tornar um futuro exportador de energia para a região.

A existência de todas as grandes empresas petrolíferas internacionais (COI) é uma vantagem adicional para Angola, uma vez que estas companhias procuram reduzir a sua pegada carbónica através do investimento em projectos de energia limpa.

Em Angola, a ENI parece estar a liderar o caminho com as suas iniciativas no domínio da energia solar. Outras estão para se seguir. A companhia petrolífera francesa TOTAL iniciou negociações com o governo angolano, prevendo-se para breve um acordo sobre outras iniciativas de produção de energia limpa.

O ministro revelou ainda que o país já está a trabalhar com a “África 50”, uma plataforma pan-africana de investimento em infraestruturas criadas para promover os investimentos em estruturas de suporte em toda a África.

Espera-se que as oportunidades de negócio no sector da energia aumentem, uma vez que 50% da população angolana ainda não tem acesso fiável à electricidade.

Segundo S.E. João Baptista Borges, o Plano de Desenvolvimento do Sector Eléctrico Angolano e o Plano de Segurança Energética apontam para a criação de uma capacidade de cerca de 600 megawatts de energia solar no país até 2022, com a instalação de cerca de 30.000 sistemas individuais de produção de energia fotovoltaica, em linha com o Plano de Desenvolvimento Nacional 2018-2022 do país.

O ministro salientou que para atingir este objectivo o governo abrirá o sector à concorrência do sector privado, tanto nacional como internacional.

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FonteAPO
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